Em muitos casos a ditadura se instala com guerrilhas, com violência, mortes e toda classe de maldade possível. Em outras situações ela pode se consumar através da mentira iludindo a crença popular bastante suscetível para ser enganada. Neste caso, sendo instituída, sem provocar derramamento de sangue, ou com ele, a ditadura carrega consigo o presságio de sofrimento, opressão, cerceamento de liberdades, abuso do poder e castração dos direitos do cidadão.
Nunca em momento algum, nossa terra das palmeiras, do canto do sabiá, da mucama jeitosa, do samba e do acarajé, do chão de estrelas furando nosso zinco, do pão de queijo, da feijoada e do futebol, do Castro Alves e Gonçalves Dias, Rui Barbosa e Augusto dos Anjos aliando-se ao escopo moral de muitos homens do passado, repetindo que nunca, em momento algum, o Brasil correu tanto risco de ver transformada a deteriorada democracia em que vivemos.
O discricionário modelo implantado nos últimos anos tenta generalizar o ‘quanto pior melhor’, em benefício de uma oligarquia buscando eternização de um comando uno.
O lobo em manto de cordeiro da paz, mente, convence massas, exaure a sombra da corrupção aos poderes legislativo, faz corar em vergonha uma parte da nação, tornando anemizado seu poder judiciário, fazendo-o deixar de exercer sua função no lídimo principio de direito.
Não há como esconder o pesar e profunda preocupação pelo futuro de nossa gente e alvorecer das gerações que virão.
O judiciário vacila ao decidir sobre matéria de origem popular, anseio do povo, ao procrastinar o ‘ficha limpa’, pleito imposto - 1.6 milhão de assinaturas - ao hesitante Congresso Nacional, sempre identificado com o corporativismo reinante entre seus membros.
O mesmo sistema do poder sem poder, - judiciário - em favor de um déspota, decide cancelar a obrigatoriedade já estabelecida para votar: título de eleitor e documento oficial com foto.
Quem se ocupou em regularizar-se para votar, perdeu seu tempo. Tem sido assim o jeito Lula e, será bem pior com fictícios herdeiros da trama mandante, esquentando cadeira sob a densa fumaça do ilusionismo maestro. Ocorre, no entanto, uma dúvida: e se o títere rebelar-se? Qual será a reação do déspota, diabo que o criou?
A crença brasileira julga ter cumprido a mais uma jornada democrática, a meu ver, mascarada ou deteriorada como ouvi de um cientista político. Quando os debates de candidatos perderam a sua razão por nada acrescentarem, cuidando de rasga seda medroso. Quando se perde tempo falando de oposição que não existe atuando em favor de um desiderato, sou forçado acreditar na aproximação de uma plena ditadura sufocante a fustigar-nos por longo tempo.
Seria muito bom, urgente e oportuno acordarmos na reflexão para deter o perigo que se consolidará depois da premonição do balaio de gatos.
Garcia Netto
Jornalista
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