A verdadeira batalha


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Os brasileiros vivem hoje um dia sagrado. De uma tacada só, com pouco mais de duas dezenas de toques na urna eletrônica por parte de cada eleitor, serão escolhidos o presidente da República e vice, governadores e vices, senadores e deputados estaduais e federais.

Há quem diga que muitos poderão se atrapalhar com número tão alto de operações digitais. Mas é muito pouco se for considerada a importância do momento e o reflexo na vida das pessoas nos próximos anos – e ao longo da década.

Durante os últimos meses, os jornais regionais de modo geral, e os que compõem a Rede APJ em particular, abriram espaço para a prestação de serviços ao leitor eleitor e para sabatinas dos principais candidatos regionais e nacionais. Caminhada que continua nesta segunda-feira, com as edições que retratarão os vitoriosos e perdedores. Serão definidos os rumos políticos do País e dos estados, bem como eventual trégua na disputa nos casos que a decisão se estenda ao segundo turno.

Seja quais forem os resultados, cabe uma reflexão sobre o papel do jornalismo sério e ético antes, durante e depois das eleições. Sobretudo, é preciso reconhecer o papel fundamental dos jornais na intermediação entre a população e os políticos.

Missão
É clichê entre os políticos que “se a imprensa não publicar, o fato não existe”. Não há ironia, nem exagero na frase. É o reconhecimento de que cabe ao jornalismo selecionar, hierarquizar, aprofundar o debate e decidir o que é mais relevante à sociedade e o que é menos relevante. Ao dar peso a um fato, direciona a discussão pública, alerta, orienta, provoca. Essa é a missão instigante da imprensa. O que torna ainda mais nobre a reportagem e exige grau de profissionalismo cada vez maior tanto dos jornalistas quanto das empresas editoras. Os jornais da APJ estão conscientes desse espectro democrático e o papel que lhes cabe no presente e futuro.

No cotidiano
O processo eleitoral não pode ser visto como um espetáculo em que se degladeiam adversários. Tampouco uma corrida à semelhança do turfe em que se aposta em quem tem mais condições de chegar à frente. A eleição carrega consigo aspectos bem mais amplos que vão além da disputa por cargos transitórios. Fundamentalmente, a escolha dos representantes não deve se esgotar no chamado período de campanha eleitoral, em que os candidatos indicados pelos partidos e coligações buscam o voto do eleitor.
Em 2010, quando assumirem os seus postos em Brasília, São Paulo e demais estados, terá início a a verdadeira eleição nacional. É o momento em que saberemos se as promessas foram cumpridas ou não. Saberemos sobre a conduta ética de cada um, mudanças de rota e o grau de disciplina e eficiência técnica no cumprimento das funções. Poderemos saber os acertos e erros do eleitorado. Cobrar, fiscalizar, sugerir, participar. Essa é a oportunidade da maior das escolhas – avaliar os que corresponderam aos anseios populares, e os que não corresponderam.
A verdadeira eleição se dá ao longo de todo o exercício dos mandatos, e não apenas num ato rápido de apertar botões, por mais importante para a democracia que seja o momento cívico deste domingo. A vigília permanente é essencial para as eleições seguintes.

Imprensa regional
E aqui entra a participação ativa dos jornais regionais na criação e fortalecimento da cidadania. São os jornais locais que possuem vínculos com a sua comunidade, graças à sua história enraizada na cidade e região e à interação decorrente dessa presença. Os jornais assumem para si a tarefa de alertar para erros do Poder Público, como falhas em obras ou serviços; antecipar tendências da sociedade; denunciar escândalos; esclarecer dúvidas; aproximar os atores sociais. Isso se dá por meio do jornalismo noticioso que apura, investiga e aprofunda. E por meio da análise, qualidade indispensável ao jornalismo neste começo de novo século, em que não basta apenas relatar, mas é preciso interpretar. E o jornalismo regional faz isso com maestria, porque apenas este sabe falar com o seu público cativo que, afinal, não mora no País ou no Estado, mas numa cidade e numa região. É por isso que não existe nenhum veículo nacional. Existem veículos de prestígio nacional, devido à importância das cidades onde são produzidos – São Paulo, Rio ou Brasília. Mas todos são jornais efetivamente regionais. O jornalismo é regional.

Wilson Marini
wmarini@apj.inf.br

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