‘Abestados’


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Esta é a última hora para falar sério. A eleição é amanhã. Há coisas que a gente precisa recordar, pensar de novo e decidir para valer, antes de ir à urna.

Se, quem lê, não transferir adiante o que sabe, a corrupção continuará campeando, os maus continuarão rindo dos bons; o bom exercício político, indispensável à vida melhor que sonhamos, continuará servindo apenas a poucos. Isso precisa acabar. Quem vota só por votar, seja porque votar é obrigatório, ou porque não gosta de política, ou é um gozador de cabeça fresca e despreocupada que diz que vai votar no palhaço, ou no cantor, ou no ator, ou no mau político porque quer protestar ou porque tanto faz, é um péssimo cidadão.

Será que você, que vota mal, nunca vai compreender que só pelo voto poderá melhorar este País, mandar para casa aqueles que se tornaram profissionais em fazer as coisas como eles querem e não como você precisa? Não é possível que não perceba o que faz quando vota maciçamente em marionetes que políticos experientes e fichas sujas enfiam por sua goela abaixo. Será que finge que não sabe que quando um candidato tem centenas de milhares de votos elege-se e leva consigo aqueles que nem ousariam fazer campanha ostensiva não por vergonha – têm pouca ou quase nenhuma – mas porque sabem que não seriam eleitos?

Se não lembra, recordo-lhe. Amanhã tem que ser o dia da lucidez. Ninguém pode esquecer que a extensa relação de políticos profissionais que se locupleta, que lota a cueca e as meias de dinheiro público, está ai, se candidatando de novo. E muitos de nós, desavisadamente, os elegemos!!!

Aviso, de antemão, que não julgo ou condeno. A culpa da sobrevida que alcançam é nossa. Os casos são públicos, mas, a começar pelo Presidente, pouca gente lê e se informa neste Brasil. Lembro exemplos das porcarias que a gente faz quando vai às urnas: Enéas Carneiro -– que já morreu –, conquistou 1,5 milhões de votos em 2002 com o bordão “Meu nome é Enéas” e elegeu, consigo, 5 integrantes de seu partido, o Prona. Deu cadeiras a Amaury Gasques, que recebeu cerca de 18 mil votos; Irapuan Teixeira, 673, Elimar Damasceno, 484; Ildeu Araújo, 382 e Vanderlei Assis, 275 votos! Com tais números a maioria, que não seria nem vereador em Franca, tornaram-se deputados! Quando a gente acha bonitinho, engraçadinho ou “corajoso” o cara, põe em Brasília ou na Assembléia gente comprometida com elas próprias e distantes dos desejos mais importantes da nação.

Apenas para efeito comparativo, tiririquemos: se o candidato que chama a nós todos de abestados receber o um milhão de votos que apontam as pesquisas, ajudará a reeleger o deputado Valdemar Costa Neto, que renunciou para não ser cassado como um dos integrantes do “Mensalão”, principal esquema de corrupção da história política brasileira. Renunciou e, agora, por causa da ignorância que as pesquisas refletem, vai voltar. A gente merece.

A coligação pela qual Tiririca foi lançado inclui o PR, PT, PTdoB, PCdoB e PRB, “que tem outros três mensaleiros, José Genoíno, João Paulo Cunha e José Mentor, além de Devanir Ribeiro, acusado de ter recebido remessas de dinheiro sujo para reforçar o caixa das campanhas do PT em 2002”. Outras figuras “da mesma aliança são Lula da Silva, sósia do presidente, e o compositor, cantor e humorista Juca Chaves”, ambas as lembranças contidas em reportagem da revista Veja, edição de 24 de setembro.

Então, trocando em miúdos, quem se esconde busca personagens como Tiririca para “puxar” votos. Por causa do tal quociente eleitoral, excrescência da política brasileira, quem vota em candidato do tipo elege outros em quem, talvez, jamais votasse. Deem-nos eleições distritais, por favor!!!

Repito que não tenho nada contra Tiririca ou qualquer outro que citei. Tenho contra políticos que se locupletam com cargos públicos, que apostam na inocência do povo deste País, povo que se acostumou a dizer “votar é um saco”, que “voto não devia ser obrigação”. Talvez tenham razão. Se não fosse obrigatório, quem sabe ninguém aparecesse para votar e ninguém seria eleito.

Este é, então, um grito – talvez surdo, de quem clama no deserto – contra a atitude de muitos que sairão de casa amanhã para votar só porque se não for, será multado. Meu caro. Recolha sua falta de cidadania à sua insignificância e permaneça em casa, que é lugar quente.

Daqui a alguns dias dirija-se a um cartório eleitoral e pague a multa – pesadíssima – de R$ 3,50 e fique em paz com sua consciência leve e omissa. Encerro porque quem grita, fica rouco. E não venham me dizer que prego desobediência civil. Acho que lugar de cucas-frescas, piadistas, de quem endeusa a corrupção e quer sua institucionalização, de quem acha que quanto pior, melhor; e de quem vota apenas por dever e não por cidadania compromissada com o País melhor e mais justo que deveríamos ser, é bem longe das urnas.

SEIS VOTOS
Você vai votar seis vezes, quando estiver frente à urna. Será nesta ordem: deputado estadual, deputado federal, senador (e aqui, serão dois votos, em dois candidatos diferentes), governador e presidente da República. Leve uma colinha. Anote nomes e números de seus candidatos na ordem que acabo de registrar. Hora de urna não é hora de pensar. Pense antes, com calma. Vá à Internet. Descubra tudo sobre seu candidato. Lembre-se do que ouviu, viu e leu nos veículos do GCN Comunicação durante as Sabatinas Políticas que oferecemos à democracia brasileira e decida. Ouso apenas lembrar que nosso País não pode continuar antro de mensaleiros, aloprados, corruptores, mentirosos e outros espécimes dessa fauna vestida de meias e cuecas cofres-fortes.

FICHA LIMPA
O Tribunal Superior Eleitoral apertou o botão “pausa” quanto a candidatos fichas sujas poderem disputar estas eleições. Vão disputar. Se depois das eleições decidirem que a lei vale, terão suas votações impugnadas. Nossa justiça continua nos amedrontando: há empate em 5 x 5 em votos dos ministros. Incompreensível, mas verdadeiro. Falta apenas um voto, que será dado após as eleições. Tomara que seja o voto da decência, capaz de começar a limpeza ética e moral que este País precisa desesperadamente.

Luiz Neto
Jornalista, editor de Opinião do Comércio - luizneto@comerciodafranca.com.br

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