O aumento da frota de veículos e o crescimento do número de acidentes em Franca - só neste ano, até o começo de setembro, foram mais de quatro mil - não só têm dado dor de cabeça aos motoristas como também lotado funilarias e oficinas mecânicas da cidade. Em razão da alta demanda de serviços, em alguns estabelecimentos os atendimentos só acontecem com dia e hora marcada e há até oficina que é obrigada a dispensar clientes por falta de mão de obra e espaço para acomodar todos os carros.
Proprietária de uma funilaria na região sul da cidade, Sueli Godoy Venâncio precisou contratar mais três funcionários, além dos cinco que já possuía, para acompanhar o crescimento no setor. De 40 carros consertados mensalmente, a oficina passou a atender até 60 veículos. “A imprudência dos motoristas na cidade está muito grande e isto afeta de imediato no movimento da funilaria”.
Na funilaria de Gilvan da Silva Paiva, que trabalha de modo artesanal na recuperação dos veículos, o proprietário não só percebeu aumento na procura como também na gravidade dos estragos. Segundo Paiva, anteriormente os serviços solicitados eram por causa de esbarrões nas portas. Agora, os atendimentos são para arrumar amassados provocados por acidentes envolvendo motos e bicicletas.
Para Lindomar Alves de Oliveira, que também presta serviço na área, além da imprudência no trânsito o crescimento da frota em circulação na cidade também tem contribuído para a lotação das oficinas. Em abril deste ano, segundo dados do Denatran (Departamento Nacional de Trânsito), Franca registrava uma frota de 172.563 veículos. Quase 13 mil a mais em relação ao mês de janeiro de 2009. Autoridades ligadas ao trânsito da cidade acredita que hoje a frota esteja perto dos 200 mil veículos. “Está muito fácil tirar habilitação e comprar carro, então quanto mais veículo tiver em circulação, mais serviço teremos”. Em seu estabelecimento, a recuperação de veículos varia de R$ 1,5 mil até R$ 5 mil dependendo do estrago.
Nas oficinas mecânicas, a movimentação não é diferente. Em um dos locais ouvidos pela reportagem, a frequência de clientes que antes era sazonal passou a ser diária. Com tanto serviço, o proprietário precisa até agendar o atendimento, como num consultório. “De primeiro o serviço variava e, de um tempo para cá, passou a ser diário. A gente precisa agendar para poder atender a todos”, disse Valmir Cintra Vilela.
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