Beatriz Araújo Gonçalves, 11, veio do Ceará com a família para morar em Franca. Matriculada na rede municipal de ensino da cidade, a garota teve oportunidade de fazer um exame oftalmológico e descobrir que tinha problemas de visão. Após detectar que estava com miopia e astigmatismo, o próximo passo era comprar os óculos de grau. Mas sua família não tinha dinheiro para pagar pela armação e lentes. Beatriz não ficou sem resolver a situação. Graças ao Programa Saúde Visual, da Prefeitura, a garota ganhou os óculos. Na verdade, dois. Neste ano, após outro exame, também feito na escola, soube que o grau havia alterado e precisava renovar as lentes. A Secretaria de Educação doou para ela os segundos óculos. Beatriz é uma das 102 crianças das escolas municipais que ganharam os óculos da Prefeitura neste ano. A expectativa é beneficiar 300 alunos até dezembro.
O programa é desenvolvido pelas Secretarias de Educação e de Saúde. Todas as crianças do ensino infantil e fundamental, com idades entre 4 e 10 anos, passam pelo teste de acuidade visual nas escolas. Se for detectado problemas para enxergarem ou alguma anormalidade nos olhos, são encaminhadas para consulta com especialista. Neste ano, essa etapa do atendimento ganhou um reforço importante, que é a unidade móvel de oftalmologia. A Secretaria de Saúde montou um consultório completo em um trailer e percorre as escolas para os alunos serem consultados nas próprias instituições. Até dezembro foram atendidos 1.823 estudantes.
As famílias sem condições de comprar os óculos podem solicitá-los na Secretaria de Educação. “As mães precisam agendar uma entrevista para passar pela triagem com assistente social. É feita uma avaliação socioeconômica. A grande maioria precisa do óculos porque são carentes e não têm como comprar os óculos para os filhos”, disse Carmem Peliciari, diretora da Divisão de Programas da Secretaria de Educação.
O programa ajuda a melhorar o desempenho das crianças. “É um trabalho Preventivo, com a possibilidade de detecção precoce das dificuldades oftalmológicas que podem interferir tanto na saúde da criança, como no desempenho escolar”, disse Alexandre Ferreira, secretário de Saúde.
Desde que ganhou os primeiros óculos, Beatriz passa o dia com eles. “Só tiro para tomar banho e dormir”, disse ela, que escolheu armação cor de rosa. Se fica sem as lentes, seus olhos ficam irritados e avermelhados. “Estou enxergando melhor com os óculos. Nesta semana mesmo sentei na última carteira e enxerguei tudo na lousa”, disse Beatriz, aluna da Escola Municipal “Professora Vanda Thereza de Senne Badaró”, no Elimar.
A mãe dela, a dona de casa Maria Neuma, 42, disse que não teria condições de renovar os óculos da filha neste momento. “Não sei quanto custam os óculos para ela. Esse que estou usando ficou em R$ 500 e só consegui comprar com ajuda dos meus irmãos. Só meu companheiro está trabalhando e paga as contas da casa, então não sobra”, disse. Em consulta informal feita pela reportagem do GCN, óculos infantis foram encontrados a partir de R$ 100 em óticas da cidade.
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