Recentemente o governo divulgou que 80% da população do País já foi recenseada. Na pesquisa, nota-se um perfil mais idoso dos brasileiros e uma redução no número de nascimentos. Apesar do envelhecimento, o Brasil continua sendo um País jovem. Mais da metade da população tem menos de 30 anos.Vale lembrar que, para nossa legislação, consideram-se idosas as pessoas com 60 anos ou mais.
Curiosamente, comemora-se hoje o Dia do idoso. E, dia 3, ocorrerão as eleições brasileiras. Infelizmente, observou-se, durante a campanha, que os candidatos à presidência e aos governos estaduais não apresentaram propostas concretas em prol dos idosos.
Falaram sobre emprego, saúde, educação, moradia mas, quase nada para idosos, aposentados e pensionistas. Foram deixados para lá e esse é um erro lamentável.
A importância dos idosos para o País não se resume à sua crescente participação no total da população. Como se sabe, boa parte deles, hoje, é considerada arrimo de família, haja vista que ainda convivem com os seus filhos e netos e os sustentam.
O pior de tudo é que muitos dos que se aposentam acabam tendo que retornar ao mercado de trabalho. O valor dos benefícios que recebem são corroídos pelo tempo. À medida que a idade avança, novos gastos surgem: a alimentação já não pode ser mais a mesma, as visitas aos médicos passam a ser mais frequentes, novos remédios passam a fazer parte do dia-a-dia,. Surgem gastos novos todo dia.
Quem contribuiu tanto com o País e deveria descansar, tem que continuar ativo, ou não conseguirá manter suas famílias. Quando se fala em benefícios conseguidos em favor dos idosos, pensa-se em prioridade no atendimento (sobretudo em filas e em ações judiciais), gratuidade no transporte público, vacinação contra a gripe.
Em relação a aposentadorias e benefícios, nada. Observa-se que os governantes querem a população cada vez pagando mais para a Previdência Social do que recebendo dela. O fator previdenciário está ai para isso mesmo. Com a utilização deste fator na hora do cálculo da aposentadoria, quanto mais nova for a pessoa, mais achatado ficará sua aposentadoria.
Por outro lado, verifica-se que a arrecadação do INSS tem sido crescente nos últimos tempos. Em agosto registrou-se superávit no setor urbano pelo sexto mês consecutivo, crescimento de 578,6% em relação ao mesmo período de 2009. Por fim, não se pode esquecer que o jovem de hoje será o idoso de amanhã. Se nada for feito agora, como será o futuro da população brasileira?
De qualquer maneira, as eleições estão aí. A responsabilidade do voto deve existir na mesma proporção que a cobrança de políticas que visem o bem estar do idoso.
Senhores candidatos, atenção: a população de idosos (e quem depende deles) podem decidir a eleição.
Tiago Bachur e Fabrício Vieira
Advogados e professores especializados em Direito Previdenciário
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.