Belíssima reportagem sobre o programa Família Acolhedora, da Prefeitura (leia matéria). Minha família participa deste programa há 7 anos. Crescemos fraternalmente e nossa família se uniu muito com essa participação. No começo foi difícil aceitar a ideia de ficar com uma criança por um tempo, sabendo que iria embora. Não me agradava mas sentíamo-nos compensados pelos olhares felizes, sorrisos, primeiros passinhos, primeiras palavras. Em casa, minha mãe só acolhe bebês. Quando a primeira criança foi embora depois de ter ficado conosco por quase 10 meses, o choque foi grande. Ficamos abalados. Minha mãe chorou muito por quase uma semana, mas forte e serena tornou-se novamente disposta a rapidamente receber outra criança que precisasse de seu amor. A satisfação do dever cumprido falou mais alto. A criança que tinha sido acolhida por nós ganhou um novo lar, com pais que a amariam tanto quanto nós a amamos durante todo o tempo em que esteve conosco. Esta é a grande sacada deste movimento. O amor é gratuito, e mesmo assim, inestimável. Como é que se pode deixar uma criança sem vínculos fraternos de pai, mãe, irmãos, mesmo que seja por um tempo? Isso afeta – e muito – seu desenvolvimento. Nesses 7 anos estivemos com 10 crianças. Vieram e se foram. Novas virão. Muitas não sabemos onde estão mas, confiamos que a justiça escolheu e escolherá sempre bons lugares para todas. Temos nossa consciência tranquila sobre a cidadania com que exercitamos nosso trabalho.
Antônio de Pádua Pinto Filho
Conselheiro deste jornal -Franca - SP
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