Adhemar Rodrigues Alves morre aos 93 anos e deixa legado de trabalho


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Adhemar Rodrigues Alves foi sepultado dia 14, no Cemitério da Saudade.
Adhemar Rodrigues Alves foi sepultado dia 14, no Cemitério da Saudade.

Morreu em Franca no dia 14 de setembro, no Hospital Regional, o conhecido e respeitado cidadão francano por titulação concedida pela Câmara Municipal, Adhemar Rodrigues Alves. Tinha 93 anos. Lúcido até seus últimos anos, Adhemar sofreu dois AVCs (Acidentes Vasculares Cerebrais) praticamente sequentes no ano passado, com sequelas que tiraram muito de sua qualidade de vida. Foi internado no dia 11 deste mês apresentando quadro de um novo AVC e seu organismo não resistiu.

Era natural de Tietê (SP). Veio para Franca ainda muito jovem, acompanhando seus pais, o casal Antônio Rodrigues Neto-Atalie e oito irmãos (Celso, Sátiro, João Francisco, falecidos ao longo dos anos; Élbio, Flávio, Cid, Maria do Carmo e Carmita). Casou-se aqui com Elza Muniz Rodrigues Alves – de quem enviuvou em 1979 – e tiveram dois filhos, Adhemar Filho, o Mazzo, casado com Carmem e Fernanda, casada como Paulo Fernando Ewbank Seixas. Destes casamentos nasceram 5 netos (Adhemar Neto, casado com Fabiana; Vinícius, casado com Emília; Simone, casada com Christian Barini; Maísa, casada com Rodrigo Costa, e Danilo) e 4 bisnetos (Matheus, Lucas, Eduardo e Enzo).

Desde muito cedo e como filho mais velho, tornou-se o braço direito do seu pai, nos negócios de compra, venda, importação e exportação de café. Além do escritório de negócios e de armazéns de café em Franca, estenderam a ação a várias cidades da região, na ocasião em que o café era a principal riqueza regional.

Quando o café perdeu força, dedicaram-se eles, com apoio de outros irmãos, a negócios agropecuários, na fazenda Rio Branco, em Rifaina (SP) e fazenda Francana, em Ivaiporã (PR).

Adhemar, que se tornou francano por título concedido pela Câmara Municipal por relevantes serviços prestados à cidade, foi vereador por duas vezes e presidente do Legislativo. Acabou desiludido da política na época em que a Câmara Municipal registrava grande incidência de confrontos pessoais entre companheiros seus. Como não conseguiu ver caminhos adequados para ver implantada a paz no legislativo, renunciou. Não deixou de trabalhar pela cidade, entretanto. Presidiu o Clube dos Bagres de ginásio ainda descoberto. É conhecida a história do pedido feito por ele à mulher do governador Jânio Quadros, Eloá, durante passagem do político pela cidade. Ela não pensou duas vezes: “está concedido. É o meu presente para Franca”. Jânio não voltou atrás e mandou cobrir o ginásio.

Em outra época, tomado pelo sentimento de devolver à cidade pelo menos um pouco do que havia dado a ele, seus irmãos e pais, decidiu-se por aliar-se a médicos locais (Newton Novato, Fernando Ruas dos Santos, Cirilo Barcelos, dentre outros, e também, a seu inseparável amigo Jorge Cheade), dando origem ao Hospital Regional de Franca.

Era um homem de hábitos modestos e extremamente dedicado à família. Seu genro, Paulo Fernando, contou ao Comércio sobre “o segundo pai que Adhemar foi. Morou comigo e Fernanda no último ano e meio. Antes, residia com Mazzo e Carmem. Incentivou-nos, ensinou. Considero-o meu autêntico professor de vida”.

Também disse que Adhemar jamais deixou de se preocupar com cada um dos filhos, dos netos e bisnetos. “Se saiam, monitorava até o retorno. Não dormia enquanto todos não estivessem resguardados”.

O velório aconteceu no São Vicente de Paulo. Na ocasião, Odilon Jacintho, um de seus amigos mais antigos, ao falar com a família de Adhemar, resumiu o carinho que todos devotavam a ele: “vocês perderam o pai, o avô e o bisavô mas a cidade que ele amava, perdeu mais: perdeu um de seus filhos que mais fizeram por ela”. O corpo foi sepultado no Cemitério da Saudade, dia 14 de setembro.

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