Com a produção aquecida e a geração de empregos em alta, as indústrias calçadistas de Franca têm enfrentado dificuldades para encontrar mão de obra qualificada na cidade. Cargos como pespontador, cortador, coladeira, chanfrador e revisor, que antes eram preenchidos no prazo de dois dias, agora levam até mais de uma semana para serem ocupados. Somente em uma agência de empregos do município há cem vagas disponíveis à espera de candidatos.
Apesar da oferta de mão de obra ser menor em relação ao primeiro semestre do ano - quando as empresas têm a produção voltada para o verão - os departamentos de recursos humanos lidam com o problema na mesma gravidade ou ainda em maior escala. “Está ainda mais difícil, pois trabalhadores com experiência já estão empregados”, disse Rosângela Baldini Silva, encarregada de RH da agência de empregos Agiliza.
Na Mariner, que só neste segundo semestre admitiu mais de cem funcionários, uma das soluções encontradas para preencher as novas vagas foi a realização de treinamentos internos. Auxiliares que já estão empregados são convidados a subir de cargos e, assim, criar oportunidade para candidatos sem experiência. “Temos contratado muitos adolescentes acima de 16 anos, que nunca trabalharam, para as vagas de auxiliares que surgem a partir das promoções que realizamos internamente, caso contrário ficamos até três semanas à procura de candidatos”, disse Fernanda Oliveira dos Santos, do RH da empresa.
Nem mesmo anúncios com oferta de vagas, que antes atraiam muitos candidatos para entrega de currículos, têm surtido efeito na busca por mão de obra. Nesta semana, uma empresa divulgou vagas para seis cargos e dois dias de prazo para entrega currículos. Recebeu apenas cinco. Outra empresa que enfrenta baixa procura pelas vagas anunciadas é a Tenny Wee. A fábrica pretende contratar mais de 150 funcionários, porém não encontra gente suficiente para atender a demanda. “Infelizmente está muito difícil, da última vez que anunciamos vieram somente 15 funcionários, enquanto que no ano passado um anúncio do tipo atraia 1,5 mil candidatos”, disse Israel Narciso Gomes, consultor de RH da empresa.
Segundo Rosângela Baldini, da agência Agiliza, uma das saídas para o entrave tem sido o aumento dos salários oferecidos. Auxiliares que antes tinham salário médio de R$ 614 são contratos atualmente por R$ 650. Já nos cargos específicos, os ganhos saltaram de R$ 900 em média para até R$ 1,1 mil.
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