O vocábulo do titulo pode estar em desuso, pelo que citam alguns dos mestres da língua, mas, ainda assim, ocorreu-me lembrar da prestidigitação – do bem – , desenvolvida pelo mestre Thianny, dono de circo, arrebatando alegria por toda a América Latina. Fazer desaparecer um cavalo em cena ou cortar ao meio uma mulher e a seguir mostrá-la gostosa e escultural para o aplauso da platéia embevecida era fácil para sua magia divertida que não fazia mal a ninguém. O ludibrio estava implícito no espetáculo rico de um guarda-roupa principesco cobrindo lindas mulheres a despertar cobiças ou inveja. Ao prestidigitador da nova história não se pode comparar os efeitos do ilusionismo do Thianny, grande mágico do circo.
O circo instalado no Brasil revelou um novo prestidigitador – do mal – para incentivar a mentira que melhor explore a fé publica em seu benefício, acoitando os apaniguados da corte onde exercita o absolutismo. Seria impossível ignorar sua inteligência, entretanto, acreditar que Lula soubesse alguma coisa sobre o filósofo iluminista Charles Montesquieu, defensor da tripartição do poder, não se pode. Ele, que confessa não ler os jornais, mas se arroga o direito de criticar a imprensa acusando-a de ter candidato e partido, na verdade procura esconder suas criminosas lambanças, blindando-se em sequazes, esparros a seu serviço.
Na realidade a imprensa investiga – função dos poderes ignorados pelo absolutismo – e cumpre seu dever, informando a sociedade das mazelas se avultando na corrupção em que se afoga o Brasil. Uma arrogância salta aos olhos de quem quiser ver, exacerba-se no falso profeta a confiança de tudo poder, incluindo transferir suas culpas à imprensa, aos aloprados, aos mensaleiros, à Casa Civil ou Erenice. Berço desmascarado da obscuridade das negociatas iniciadas pelo Zé no governo, sob as barbas do presidente e a sombra de seu guarda-chuva. Apesar da proximidade que pautou suas vidas e interesses, o sindicalista, rejeitando a leitura, jamais tomou conhecimento dos fatos à sua volta registrados. Companheiros supostamente expurgados do governo por força de golpes, enxurradas de escândalos, nunca deixaram a proteção do guarda-chuva oficial. Muitos estão ativos e com destaque na campanha que ambiciona o novo ciclo da continuidade para dar seguimento ao jeito de conduzir política de absolutismo.
Cinco dias apartam o eleitorado brasileiro de uma decisão extremante importante no destino de cada um, sejam eles eleitores ou não, fato que aumenta a responsabilidade daqueles obrigados à manifestação cidadã nas urnas. Raciocinar sobre uma crença nas armações da prestidigitação pode ressuscitar João e o apocalipse, quando forças do mal vencem o bem.
Entre os muitos impropérios ouvidos nos últimos tempos, um esmagou a sensibilidade nacional, sua fé e esperança da boa construção: “nem Jesus Cristo vai me tirar a vitória nas eleições”.
Garcia Netto
Jornalista
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