3 x 6 + 6 = 0. Será?


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Daqui a menos de sete dias a verdade sairá das urnas. Até parece profecia fúnebre em volta desse número cabalístico, mas não é. Quem pode entender os caminhos de uma língua? Só mesmo o povo, com a própria vivência, para saber o que fazer de uma palavra ao longo da história.

Urna vem do latim ‘úrna’. De início, dava nome a um vaso grande, que servia para guardar água, esse vital líquido que escasso nos dias atuais, com forte tendência de diminuir. Os reservatórios não se enchem.

Depois, urna passou a servir também de denominação para um recipiente com tampa, onde se depositava o corpo do morto para ser enterrado. Do tradicional caixão de defunto, a palavra continuou seu curso.

De repente, urna virou um lugar para guardar dinheiro. A par disso, era o lugar em que se depositavam cupons, para um posterior sorteio. Seguindo a linha de raciocínio, passou também a ser conhecida como urna da sorte.

Água, defunto, dinheiro, sorte, tudo passou pela urna até se chegar à cédula eleitoral. Mesmo esse tempo já está ficando para trás. Voto em forma de X, antes do nome do candidato preferido, quase não existe mais.

Agora, o ato de votar passou a ser feito em terminais de computador. Ainda que imprópria, a denominação permaneceu. O eleitor vai à urna eletrônica no próximo domingo. Tudo muito prático e rápido. O resultado das eleições acaba saindo antes das 24 horas.

No entanto, apesar do avanço tecnológico, o comportamento político continua inalterado. A equação temporal não muda nessa área. Nestas eleições, apareceu até filósofo apregoando: ‘pior que tá, não fica’. Pelas contas, não fica mesmo. Política, às vezes, pode se aproximar da matemática, ciência exata em que até o absurdo pode virar verdade. À primeira vista, quem concorda com a expressão: 3 x 6 + 6= 0?

Basta arranjar uma variável adequada aos números e ao tempo marcado pelas horas: 3h x 6h + 6h = 0h. O ônibus que parte às 24h, também o faz à 0h. Por vezes, a política tem dessas camuflagens. Aquilo que parecia impossível de acontecer, acaba acontecendo.

O marketing eleitoral tem muita força. Já tem gente achando o Tiririca ‘onesto’, bem dentro da linguagem política falada atualmente. O problema está na escrita, principalmente na imprensa. Noticiar falta de honestidade atrapalha pretensões eleitoreiras. O contrário, não. Vira propaganda.

Só que o que mais atrapalha é a falta de união entre candidatos de uma mesma região. Eles não fecham a equação de votação. Franca mesmo serve de exemplo. Tem candidato a deputado federal fazendo dobradinha com outro a estadual de outra localidade. Ou vice-versa.

Se eles próprios não se entendem no apoio mútuo, o que esperar então do eleitor que vota obrigado, sem entendimento nenhum de coeficiente eleitoral? Pelo jeito, só o Tiririca sabe sobre monômio.

Antônio Araújo
Professor de redação - tonin.palavras@uol.com.br

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