Mentir é crime, não somente em currículos na busca de empregos, mas também em promessas de campanhas. Nos dois casos a mentira visa busca de colocação, uma no processo de seleção de pessoal e outra, através do voto.
Projeto de lei nº 6561/2009, do deputado Carlos Bezerra (PMDB/MT), tramitando na Câmara dos Deputados, estabelece pena de dois meses a dois anos de detenção para quem inserir informações falsas em seu currículo para satisfazer interesse pessoal, causar dano, ou habilitar alguém a obter cargo, emprego ou qualquer outra vantagem.
Segundo levantamento do jornal britânico Financial Times, essa prática é mais comum do que se pensa. Uma entre cada três pessoas adota a prática de fraudar currículo. Ano passado até uma autoridade, agora candidata, foi acusada de ter inserido em seu currículo título acadêmico que não possuía.
O ‘ego’ do ser humano é difícil de ser dosado. São poucos os com capacidade de fazer auto-análise. Agindo desta forma, valorizam o ‘marketing pessoal’ por habilidades que não possuem.
Desde os tempos mais remotos da existência humana a mentira é utilizada para alcançar objetivos. Nos últimos tempos piorou e muito, em razão dos avanços tecnológicos capazes de dar cores e efeitos especiais às mentiras, além de espalhá-las rapidamente. A própria Bíblia trás precedentes em seus versículos: quando Davi, depois de enviar à morte um de seus melhores generais com o intuito de ficar com a mulher dele, conseguiu calar os moralistas, mentindo que Deus em pessoa concedera-lhe o perdão.
Uma das mentiras eleitorais mais famosas de nosso País é a que inverteu o resultado da eleição presidencial de 1950. Afirmava-se, à época, que o provável eleito, brigadeiro Eduardo Gomes havia declarado que não precisava dos votos dos ‘marmiteiros’ (pé-rapados e bóias-frias). A mentira favoreceu a eleição de Getúlio Vargas. Tempos depois um deputado confessou ter inventado e plantado a mentira.
CADÊ NOSSAS AUTORIDADES?
Já comentamos algumas vezes sobre a questão do fornecimento da energia rural, mas temos que retomar. Em razão da chuva ocorrida na última segunda-feira várias propriedades rurais tiveram problemas em suas redes de energia elétrica. Quando os proprietários entraram em contato com a CPFL para resolver o problema foram informados que não poderiam prestar serviços de reestabelecimento de energia porque as redes eram particulares. Dessa forma vários agricultores tentaram resolver os problemas sozinhos. Só para recordar: em nossa região já registramos vários óbitos em razão de acidentes envolvendo a tentativa de ‘armar’ fusíveis de transformadores, sem contar acidentes sem mortes não são comunicados.
Será que não há nenhuma autoridade capaz de agir para obrigar as concessionárias de energia elétrica a cumprirem a legislação e normas baixadas pela ANEEL - Agência Nacional de Energia Elétrica, que determinou desde 2004 (por lei e decreto) que todas as redes particulares de energia elétrica fossem assumidas e incorporadas às concessionárias, responsabilizando-se pela operação, manutenção do sistema e pelos danos causados aos consumidores pelos distúrbios ocorridos nas redes?
Para melhor entender o caso, a legislação federal diz que somente poderão deter redes de energia elétrica de uso exclusivo aqueles que disponham de autorização do poder concedente (governo federal). Como o produtor rural não possui nenhum contrato com o governo federal que lhe dê a concessão, permissão ou autorização, o governo determinou que as concessionárias distribuidoras de energia elétrica deveriam assumir todas as redes particulares existentes em suas áreas de atuação.
O pior é que as concessionárias já recebem, há muito tempo, pelos serviços de manutenção e operação de todas as redes. O governo federal compensou, no reajuste dos valores de 2006, os custos que as concessionárias teriam para assumir todo o sistema. O interessante é que nenhum vereador ou deputado se interessa pela solução do problema, mesmo aqueles que se dizem representantes dos ruralistas.
PENA DE MORTE
Em razão da execução da norte americana Teresa Lewis por ter planejado o homicídio de seu marido e de seu enteado, o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad aproveitou para deixar várias interrogações no ar: por que os EUA podem ter pena de morte, aprovada pela comunidade internacional e o Irã não? Não é graças à pena de morte que os EUA conseguem manter uma sociedade livre de crime e de violência?
Ahmadinejad disse que, segundo uma pesquisa ‘foram publicadas três milhões e setecentas mil páginas na internet sobre iraniana (Mohammadi-Ashtiani), cujo processo continua sendo examinado, e há uma vasta campanha da imprensa contra o Irã. Mas ninguém protesta contra a execução de Lewis’. Também assegurou que nos Estados Unidos 53 mulheres esperam pela execução.
Enfim, a pena de morte é um ato abominável e contraditório, pois pratica o mesmo crime que pretende punir. O Estado assassino deveria também ser condenado à morte?
ISONOMIA NOS DEBATES
As grandes redes de televisão que se auto intitulam ‘defensoras da democracia’, às vezes se esquecem de tal ‘rotulagem’. Na semana que passou, programa matinal se comprometeu a efetuar entrevistas com os candidatos à presidência da República, porém o espaço somente foi concedido a quatro candidatos, sendo que temos nove. Para piorar, dos quatro candidatos apenas três tiveram todo o tempo combinado (20 minutos). O outro conseguiu apenas uma entrevista em estúdio, com menos da metade do tempo concedido aos outros. Isso é democracia? Onde está a isonomia (igualdade)?
Toninho Menezes
Advogado, administrador de empresas, professor universitário -
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