Voluntários do 'Família Acolhedora' devem ter no mínimo 21 anos


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Ely Vitoriano Gomes cuida de crianças e adolescentes vitimizados  há 20 anos. Antes do serviço de acolhimento ser oficializado no município, ela já realizava esse trabalho
Ely Vitoriano Gomes cuida de crianças e adolescentes vitimizados há 20 anos. Antes do serviço de acolhimento ser oficializado no município, ela já realizava esse trabalho

A assistente social Carla dos Reis Galvão Prazeres, responsável pelo Serviço de Acolhimento em Famílias Acolhedoras, estima que seriam necessárias pelo menos 50 famílias de apoio para ampliar os atendimentos na cidade. Até setembro deste ano, foram encaminhadas 99 crianças para as famílias de apoio (20) e eventuais (79). “É difícil dimensionar qual o número ideal de famílias. É um trabalho de grandes exigências e todos participantes são voluntários. Precisamos de mais colaboradores”, disse ela.

Os interessados devem entrar em contato com a Secretaria de Ação Social pelo telefone 3711-9313. Há seleção para saber se atendem ao perfil dos voluntários do serviço. É necessário ter no mínimo 21 anos. A primeira etapa é participar de uma capacitação para esclarecimentos do trabalho e exposição dos motivos que despertam interesse de realizarem o trabalho com crianças vitimizadas. Se decidirem participar realmente, os candidatos passarão para a segunda etapa da triagem, que inclui visitas domiciliares e encontros para trocas de experiência entre as famílias. “A chegada da criança vai alterar a dinâmica da família e a adesão ao trabalho precisa ser de todos na casa”, disse Carla.

HISTÓRICO

O Serviço de Acolhimento em Famílias Acolhedoras - antes chamado de programa Família Acolhedora - foi oficializado há 12 anos. Uma equipe formada por assistente social, psicóloga, auxiliar administrativo e estagiária coordena os trabalhos. O serviço é dividido em quatro frentes: a Família de Apoio, que acolhe crianças por tempo indeterminado; Família Eventual, que recebe crianças do Recanto Samaritano nos feriados, fins de semana ou férias escolares; o trabalho para reintegração das crianças e adolescentes a partir do acompanhamento da família de origem e o atendimento psicológico individual e em grupo para trabalhar questões como o rompimento da convivência com os parentes, autonomia e segurança. Nesta parte, a profissional também acompanha encontros realizados com as famílias biológicas para evitar perdas de vínculos.

 

‘Sou grata a Deus por realizar esse trabalho’

 

Antes do Serviço de Acolhimento ser oficializado pela Prefeitura em 1998 outras famílias já abrigavam crianças em suas casas. Ely Vitoriano Gomes é uma das pioneiras nesse trabalho.

Movida pelo desejo de ajudar adolescentes, procurou o Fórum de Franca, 20 anos atrás, para conseguir autorização junto à assistente social para abrigar crianças e jovens quando fossem separados dos familiares. Conseguiu e, até hoje, aos 70 anos de idade, mantém a assistência aos que acolhe em sua casa. “Passaram muitas crianças por mim. Até perdi as contas de quantas foram. Eu, com apoio de minha família, cuidei de todos, cada um com uma história diferente”, disse ela, que é mãe de três filhos.
 
Ely incentiva outras pessoas a seguirem seus passos. Para ela, o trabalho é motivo de orgulho. “Sou grata a Deus por ter a oportunidade de conhecer e realizar esse trabalho. O ganho foi mais meu que das crianças”.

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