O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está indo longe demais com sua cantilinária contra a imprensa e os jornalistas brasileiros. Vira e mexe, diante de qualquer denúncia que coloque elementos de sua equipe sob suspeição, o chefe da Nação elege a imprensa como inimiga, já que esta prefere mostrar aos seus leitores os erros dos que cercam o presidente do que fazer vistas grossas ao que de errado acontece no Planalto. Deve-se lembrar que Lula marcou seus dois mandatos por fazer do cargo um palanque permanente, recheando discursos de autoelogios.
Ao dizer que a imprensa é partidária e deveria declarar seu candidato, depois de dizer que os jornais e os jornalistas agem com ‘ódio’ contra ele, Lula mais do que nunca demonstra a sua face rancorosa contra aqueles que, caso não existissem, ele nunca teria chegado onde chegou. Como oposição, Lula serviu-se da imprensa como e quando quis. Tornou-se conhecido nacionalmente, recebeu um destaque que lhe possibilitou se eleger deputado e, depois, presidente da República. Para ele, a imprensa deveria ser cor-de-rosa: apenas noticiando os fatos que lhe interessam, escondendo por debaixo do tapete as sujeiras que ainda hoje mancham o seu governo.
O presidente parece que gostaria que a imprensa agisse como o partido que criou: curvando-se as suas vontades, como quando fez Dilma Rousseff descer goela abaixo de seus partidários e agora vê-se na iminência de fazê-la sua sucessora. Só não contava com as denúncias contra a Casa Civil e a sucessora de sua candidata como ministra. Erenice Guerra, que tinha sido acusada (era assessora direta de Dilma) de fazer um dossiê com os gastos de FHC e sua mulher, Ruth Cardoso, viu-se no olho do furacão diante das estrepolias de seu filho, de seu irmão e de assessores para conseguir vantagens monetárias por conta da influência da ministra.
Lula, que prefere dizer que não sabe, não viu, nunca ouviu falar dos fatos que mancham os seus oito anos de mandato por causa da sede de poder de seu partido e colaboradores mais diretos, acha que tudo é calúnia, que a imprensa inventa todas as denúncias para prejudicar a eleição de Dilma, que vinha se desenhando com muita facilidade. Ele se esquece que a boa imprensa tem apenas um patrão: o seu leitor. O GCN, que abriga este Comércio da Franca, é um exemplo dessa realidade. Tem pautado a sua atuação justamente no apartidarismo que a imprensa brasileira deve ter. Nos últimos meses, tem recebido candidatos das mais diversas tendências partidárias, dando a todos eles o mesmo tratamento, o mesmo espaço e a mesma divulgação. É assim que os grandes jornais brasileiros agem, no interesse de seus leitores. Aceitar as críticas de Lula de cabeça baixa seria clara demonstração de submissão que certamente os nossos leitores não aceitariam. E deixaria patente que teríamos um partido sim: o partido da covardia, da submissão e do conformismo. Quem age assim, com certeza, não terá vida longa, pois o leitor não é bobo e sabe muito bem quando tentam ludibriá-lo.
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