Procura-se


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-Onde deixei a agulha?, perguntava-me aflita.

Tudo começou porque resolvi, atendendo a um pedido muito especial, fazer crochê. Não sou expert no assunto, mas aceitei o desafio. Sei que estava com ela nas mãos, desviei a atenção para comentar qualquer coisa e... cadê a agulha? Procurei pelo sofá, agachei no chão,vasculhei cada cantinho da sala e nada.Veio-me à cabeça a célebre frase de Shakespeare: “Há mais mistérios ente o céu e a terra do que supõe a nossa vã filosofia”. Será?

Como era noite, entendi que no outro dia, com a claridade, ela haveria de aparecer.

Qual o quê! Remexi tudo de novo. Cansei. Apelei para o São Longuinho. Dei três pulinhos antecipados e nada. Começava a achar que ela havia transcendido e estaria em outra dimensão.

Ele chegou para almoçar. Encontrou-me ainda a murmurar sobre sumiço. Foi para a sala com o prato na mão. Sentou-se no canto do sofá e da cozinha. Ouvi:

- Aqui ela.

Estava aninhada na abertura entre o braço e a almofada. Vibrei e sai correndo para resgatá-la. Nem esticando os dedos não conseguia fisgá-la. Peguei uma faca e empurrei-a para cima. Quase... Mas ela se enfiou mais buraco abaixo.

Agora era questão de honra! Emborquei o sofá, estava no forro. Não tive dúvidas. Rasguei o pano e recuperei a danada.

-Você estragou o sofá por causa de uma agulha? Que burrice!

Ele nada entendia sobre mistérios.

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