A espiral do silêncio


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Dizia Lênin que quando se retirasse do adversário a vontade de lutar, a batalha estaria ganha. Existe um livro cujo título é The Spiral of Silence (A Espiral do Silêncio), de Elizabeth Noëlle-Neumann, que confirma e elucida o momento que atravessamos e que testifica essa estratégia militar que acabou por se transformar em estratégia de controle social.

Esse ardil que comporta também o conceito de ‘guerra assimétrica’ e que teve como principal marco a Guerra da Argélia – 1954/1962 –, foi inspirada no ‘combate indireto’, descrito por Sun Tzu em A Arte da Guerra. Um texto de 2004, de Olavo de Carvalho, explica bem esse engenho: um dos lados pode tudo. Não existem freios para os que agem a favor da revolução.

O povo brasileiro, exposto a todo o tipo de veleidade, não demonstra qualquer reação em face aos ataques que vêm sofrendo nas últimas décadas. Criou-se no país uma atmosfera de que tudo sempre foi assim. A leviandade, a baixeza, a mentira, a corrupção sempre fez parte do cotidiano nacional e isso faz as pessoas acreditarem que estão fazendo um favor ao político quando saem de casa para votar nele.

Nesse momento estamos muito próximos das eleições. Com isso está declarada aberta a temporada de caça àqueles que falam a verdade. É proibido falar a verdade. É permitido mentir. Qualquer pessoa que se puser a falar a verdade acerca do passado dos candidatos passa a ser enquadrada como desonesta, baixa e vil. Falar a mentira enobrece e enaltece. A verdade tornou-se proibida.

‘Jogar limpo’ agora é ‘jogar sujo’. Inverteram completamente o sentido das coisas. As ocultações estratégicas e ardilosas consistem em inverter o tempo, a realidade e as relações entre sujeito e objeto.

Os políticos atuais tomam um futuro hipotético como premissa de sua interpretação do presente e do passado. A metodologia revolucionária presente nas cartilhas dos marqueteiros consiste em ‘hoje pega bem você dizer isso’; ‘amanhã você diz outra coisa’, e por ai vai.
Nesses lapsos, o povo tem sua resistência minada e acaba se confundindo até porque a mentira ‘pega’ mais rápido do que a verdade, e tudo se transforma numa psicose coletiva, numa Torre de Babel, cuja confusão de línguas desorienta, desinforma e gadifica.

Não é proibido prometer o futuro desde que esse futuro prometido seja no prazo de vida de quem o promete e que quem o promete se responsabilize pelos seus atos. O partido político que não aceita rodízio de poder não é a favor da democracia. Age, sobretudo numa abordagem de concentração e de eternização anormais de poder e no poder.

Quando o Titanic foi construído, um dos engenheiros disse que ‘nem Deus o afundaria’. Essa semana um candidato disse que nem Cristo lhe tira a vitória. Essas falas deixam o eleitor meio desconfiado. Será que a certeza vem da sabedoria do fato de que o Tribunal Superior Eleitoral não permite que as urnas eletrônicas sejam periciadas antes das eleições?

Nadir Ap. Cabral Bernardino
Professora

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