Para quem vem acompanhando a vida política deste País há quase um século, como este Comércio, não causa surpresa o resultado da pesquisa de que metade dos francanos votam para presidente, senador, governador, deputados, prefeitos e vereadores porque é obrigatório. Se o levantamento fosse feito no País todo, o resultado seria praticamente idêntico. Além disso, a pesquisa (realizada pelo Instituto Datalink com 400 eleitores em 10 bairros da cidade) mostra que a maioria dos francanos ou se interessa pouco por política ou então não tem nenhum interesse: só 18% dos francanos acompanham com muito interesse as notícias que envolvem o mundo da política. Esta situação, preocupante, não tem mudado muito no decorrer das décadas. Historicamente, o brasileiro nunca participou de forma ativa na vida política do País, o que só serve para a perpetuação de políticos pouco interessados nos anseios de seus eleitores, além de criar ‘fenômenos’ eleitorais que pouco contribuem para o engrandecimento da democracia brasileira.
O desconhecimento dos meandros da política que regem a vida do País é um dos maiores defeitos do brasileiro em geral — e do francano, em particular. Grande parcela da população acostumou-se a ver as eleições como uma obrigação e não como um dever ou uma responsabilidade. Por isso, preocupa-se antes de tudo em ‘não perder o voto’ (um vício nacional) e acaba sendo seduzido não por candidatos mas sim por produtos melhor vendidos nas propagandas eleitorais. O brasileiro vota mais com a emoção do que com a consciência. E, depois, nem se lembra para quem destinou seu voto.
A obrigatoriedade do voto, uma criação de uma época em que a maioria da população brasileira não sabia ler ou escrever e a política brasileira era feita vergonhosamente nos currais eleitorais dos rincões brasileiros, torna-se hoje uma armadilha para o País, pois aqui se vota como se compra qualquer objeto de consumo: os eleitores buscam a sua seção eleitoral apenas porque o não comparecimento pode lhe causar aborrecimentos futuros com a Justiça Eleitoral. Aí, surgem os mais variados métodos para escolher candidato: muitos votam por causa dos números das pesquisas, outros fazem sorteio entre santinhos e há ainda quem vote no mais bonitinho ou na mais bonitinha. No País vota-se sem compromisso com um programa de governo ou de acordo com a capacidade do candidato. Vota-se por votar, independente de nomes, ideologias ou simpatias políticas. E torna-se uma armadilha para o próprio eleitor, que não permite que a democracia avance ou que os corruptos – e também os corruptores – afastem suas garras dos cofres públicos, usando o dinheiro do contribuinte em benefício próprio, buscando benefícios pessoais com verbas ilícitas e maracutaias que tomam conta do Brasil desde o dia do seu descobrimento.
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