Metade dos francanos só vota porque é obrigada


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O professor Dalmo Branquinho avalia que a falta de interesse pela política é uma realidade nacional que gera reflexos negativos: “Votar errado pode trazer consequências desastrosas”
O professor Dalmo Branquinho avalia que a falta de interesse pela política é uma realidade nacional que gera reflexos negativos: “Votar errado pode trazer consequências desastrosas”

Se votar não fosse uma obrigação, quase a metade dos eleitores de Franca não compareceria às urnas no próximo dia 3 de outubro. Tema que definirá os rumos do País a partir de janeiro, com a eleição de um novo presidente, governadores, deputados e senadores, a política é um assunto que desperta pouco ou nenhum interesse de mais de 80% do eleitorado local. O cenário de desinteresse foi constatado por uma pesquisa do Instituto Datalink realizada com 400 eleitores em 10 bairros espalhados pela cidade.

Os pesquisadores perguntaram qual seria o comportamento deles na hipótese de o voto não ser obrigatório. 47,5% disseram que não votariam. Dois por cento não responderam. O restante afirmou que votaria mesmo assim. O Datalink também questionou os francanos sobre o interesse por política. 53,7% informaram que têm pouco interesse e 28% que estão completamente à margem do tema. Apenas 18,2% acompanham com muito interesse as notícias que envolvem o mundo da política.

Dalmo Henrique Branquinho, professor de Ciências Políticas da Unifran, avaliou os números com preocupação. Ele disse já ter constatado o desinteresse pelo tema durante as aulas que ministra. “Eu perguntava aos alunos se eles não fossem obrigados a votar, se iriam para o rancho ou se exerceriam a cidadania. 95% disseram que iriam para o rancho. Não é um privilégio da minha sala. É uma realidade nacional, uma questão cultural”.
Para o especialista, os eleitores ainda não estão preparados para entender que o voto não é só um dever.

O prefeito Sidnei Rocha (PSDB) fez comentário semelhante. Ele também entende que é prematuro se falar em votação voluntária no País. “Falta total consciência política à população”.
José Nelson Salerno, presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) em Franca, acredita que a falta de interesse pela política justifica-se pelos sucessivos casos de corrupção e por questões de educação. “O aceso à cultura é baixo. Isto reflete na falta de politização”.

Sociólogo com habilitação em ciências políticas, o vereador e candidato a deputado federal pelo PTB, Vanderlei Tristão, também acredita que a corrupção é a causa principal do descrédito. Para ele, o problema acontece por causa do atual modelo de financiamento de campanha que tornaria os políticos reféns dos grandes financiadores. “É por isto que eu defendo o financiamento público”. Tico finalizou dizendo que a falta de interesse pela política acaba prejudicando os candidatos sérios. “Nem todos são iguais. Existem os bons que estão tentando melhorar o País”.  

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