Psicopata


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Lendo recentemente obra de alto valor cultural e técnico da Editora Objetiva Ltda., assinado por Ana Beatriz Barbosa Silva, Mentes perigosas - o psicopata mora ao lado, acumulei informações valiosas de autodefesa que as pessoas devem observar para sua segurança.

O valor e relevância do livro especialmente se assinalam no alerta colocado para a sociedade sobre hábitos e comportamentos encontrados na psicopatia.

O fato bastaria para recomendar ao Brasil sua leitura, mesmo não tendo intenção de mergulhar no mundo especializado do mal. A doutora Ana Beatriz, médica graduada pela UERJ e pós-graduada em psiquiatria, presidente da AEDDA Associação dos Estudos do Distúrbio do Déficit de Atenção, publicou vários trabalhos em sua especialização, com absoluto sucesso em sempre em abrangentes e agradáveis textos leves e claros.

A análise feita pela autora apresenta um perfil do psicopata distante daquele que imaginamos: uma figura abrutalhada, aparência assassina, agressiva.

Pode até ser equivocado tomá-lo como tal: a psicopatia geralmente se esconde atrás da inteligência, gestos convincentes, argumentação fácil, altamente confiante, tranquilo ao mentir sem qualquer rubor na fisionomia serena, dando a engodos o sabor de verdade para conquistar a confiança de sua vítima. Na maioria, o psicopata não se revela um assassino. É uma pessoa comum coexistindo entre outras, cultuando modos que o referencie como criatura respeitável. Sua maneira estudada de comportar-se, geralmente, leva a sociedade a enganar-se diante dele.

A doutora Ana Beatriz, assim os interpreta: “podem arruinar empresas e famílias, provocar intrigas, destruir sonhos, mas não matam. E, exatamente por isso, permanecem por muito tempo ou até uma vida inteira sem serem descobertos ou diagnosticados. Por serem charmosos, eloquentes, “inteligentes”, envolventes e sedutores, não costumam levantar a menor suspeita de quem realmente são. Podemos encontrá-los disfarçados de religiosos, bons políticos, bons amantes, bons amigos.

Visam apenas o benefício próprio, almejam o poder e o status, engordam ilicitamente suas contas bancárias, são mentirosos contumazes, parasitas, chefes tiranos, pedófilos, líderes natos da maldade”.

Ao se falar em psicopatia, é preciso compreender bem o perigo – e o mal – que representa o psicopata nos cenários onde as pessoas se concentram, e que Ana Beatriz define com leve, com poucos problemas de conduta; moderado com problemas de conduta acentuados; e grave, em que as condutas podem causar danos a outras pessoas.

O mundo atual exige instrução sobre o assunto, levando a procedimentos acautelatórios visando – usando expressão muito em moda –, blindar nossas vidas tão ameaçadas. Minha preocupação maior reside no medo de que o povo crédulo do meu País prossiga dando guarida às mentiras dos psicopatas, permitindo seu revezamento tramado em mentira na cadeira do poder.


Garcia Netto
Jornalista

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