Facilitaram para rico


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Uma coisa não existe sem a outra. Sempre há duas vertentes. O lado direito e o esquerdo. O pólo positivo e o negativo. O candidato e o eleitor. Talvez por causa do poder constituído, o pobre e o rico. E o governo, age em nome de qual classe?

Não tenha dúvida. Pelo menos da boca para fora, ainda mais em época de eleições, o pobre fica no topo. Semana passada, o principal cabo eleitoral deste País, também investido no cargo de presidente da República, soltou esta batatada durante comício em Guarulhos: ‘Vocês sabem que este ano vão precisar de dois documentos para votar? Sempre querem dificultar a vida das pessoas mais pobres’.

Aliás, o presidente fez alguns comícios sozinho. Nem se deu ao trabalho de levar a tiracolo a candidata que, para ele, vai ser eleita presidenta no próximo dia 3. A continuar assim, até a língua muda. Garota que estuda será chamada de estudanta. Mulher muito pobre será indigenta. É a nova ordem gramatical feminina!

Voltando a Guarulhos, o presidente usou de todo seu peculiar didatismo (está também pensando em dar aulas de como governar, a partir de 2011) para explicar a lei 12.034/2009. Ela exige do eleitor a apresentação do título e de documento com foto. Repetiu várias vezes a exigência legal. Vocês não devem se esquecer disso. Se alguém levar só o título, não pode votar na nossa (dele) companheira no dia da eleição.

Quer dizer então que rico levará somente o título eleitoral no dia da eleição? Pela premissa presidencial, não precisará apresentar documento com foto. É, mais uma vez facilitaram para o rico neste País! Ou o cabo eleitoral disse nas entrelinhas que pobre não carrega documentos no bolso?

De uma forma ou de outra, o menosprezo pelo povo é latente. Para o presidente, o pobre nem sabe que precisa portar documento com foto nas ocasiões em que usa o título ou mesmo o CPF (antigo CIC).

Não, não fique triste! Nada abala os índices de aprovação do presidente. Nem das intenções de voto para a candidata dele. Fale o que falar, faça o que fizer, acoberte o que acobertar, o povo não se importa. Sabe dos benefícios recebidos. Nos últimos sete anos, quem não tinha dinheiro, teve. Em compensação, tem agora prestações atrasadas do financiamento.

Nunca antes o pobre teve tanta facilidade para obter cartão de crédito. Dinheiro ficou fácil. Empréstimo consignado virou mina de ouro para o emprestador. O banco até vai à casa do aposentado e oferece os trocados. Insiste na transação. Funcionários da ativa também são tentados com ofertas de crédito a ser quitado em longo prazo.

As transações de financiamentos são até intermediadas por pastas geridas pelo pessoal em cargos de confiança. Facilitaram para os ricos. Eles agora não levam calotes. Podem emprestar aos pobres com toda garantia. Para isso, a exigência de documento com foto não dificulta nada.


Antônio Araújo
Professor de redação - tonin.palavras@uol.com.br

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