Os tradicionais comícios políticos que chegaram a reunir multidões em eleições passadas foram sepultados de vez em Franca este ano. A campanha entrou na sua reta final sem que um único evento do tipo tivesse sido realizado na cidade. A legislação eleitoral, que proíbe a presença de artistas, é a explicação. Sem cantores, os eventos deixaram de atrair gente. Se não há platéia, torna-se inviável para os candidatos fazerem os discursos recheados de promessas.
Os comícios se tornaram ao longo dos anos um grande filão, principalmente, para cantores sertanejos. A receita era simples: o político contratava uma atração de sucesso para atrair público e subia ao palco no auge da festa. Os discursos eram permeados de distribuição de brindes.
No maior evento já realizado em Franca, na campanha eleitoral de 2004, o então candidato a prefeito pelo PT, Cassiano Pimentel, trouxe o cantor Leonardo para um comício diante do Parque de Exposições Fernando Costa. Segundo os organizadores, a atração reuniu 60 mil pessoas. O resultado da eleição mostrou que o show não teve efeito prático positivo. Cassiano teve 33 mil votos e chegou em terceiro lugar. Sidnei Rocha foi eleito com 57 mil votos.
Já na campanha eleitoral de 2008, os comícios começaram a perder força. Gilson Pelizaro (PT) foi o único a percorrer os bairros para falar de suas propostas em cima de um caminhão de som. Poucos moradores se dispuseram a sair de suas casas. O petista ainda a avalia se realizará algum evento na última semana da atual campanha. “Estamos pensando se vale a pena montar uma estrutura. É uma maneira de agitar o bairro, mas o jeito de fazer campanha mudou. A legislação dificultou muito”.
A lei eleitoral proíbe a realização de showmícios para a promoção de candidatos e a apresentação, remunerada ou não, de artistas com a finalidade de animar a reunião eleitoral. Também não é mais permitido distribuir brindes, como camisetas, chaveiros, bonés e canetas.
O deputado Roberto Engler (PSDB) disse por meio de sua assessoria que os comícios estão fora de sua agenda. “Não é mais viável. Hoje em dia, você não consegue atrair mais gente. A concentração se dava por causa dos shows”.
No lugar dos comícios, as carreatas, corpo-a-corpo, visitas à fábricas de calçados e divulgações em redes sociais têm predominado na atual campanha. “Temos que nos adaptar e buscar novas formas de chegar aos eleitores. A internet, hoje, é uma grande aliada. Acredito que os comícios perderam sua força e não voltam mais”, comentou Gilson de Souza (DEM).
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