Globalizou de vez


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O McDonald’s inaugurou na quarta-feira uma lanchonete em Palmas, capital de Tocantins. Essa poderia ser mais uma informação corriqueira da área de negócios não fosse algo peculiar. Considerado sinônimo de ‘fast-food’ e emblema da globalização, o McDonald’s passa com isso a atuar nos 23 estados brasileiros, além da Capital Federal.

A entrada na região Norte se deu a partir de 1999, com os primeiros pontos de venda em Belém, no Pará. Depois, foi a vez do Amazonas. Há um ano, chegou a Porto Velho, Rondônia. Agora, com Palmas, fechou-se o mapa. Já é possível comer um Big Mac em qualquer estado brasileiro, além de Brasília.

O lanche, aliás, é usado como parâmetro para comparações do poder de compra entre países pela revista The Economist, uma das publicações de imprensa mais importantes do mundo. O McDonald’s está presente em mais de 120 países. No Brasil, exatamente em 144 cidades, com 585 restaurantes e 62 unidades de McCafé. Em 2009, o grupo faturou R$ 3,45 bilhões no País, um crescimento de 4,8% sobre o ano anterior; e continua crescendo.


Emancipação
Quando anunciou a sexta loja da rede em Sorocaba, o empresário franqueado local disse: “Procuramos crescer acompanhando o crescimento da cidade”. No Interior de São Paulo, exibir a bandeira McDonald’s é motivo de status para os moradores. A partir dos anos 80, quando foram instaladas as primeiras lojas no País, a marca tornou-se objeto do desejo das cidades médias acima de 150 mil habitantes.

A interiorização do McDonald’s representou a inserção desse grupo de cidades no mercado global. Ungidas pelas novidades da cultura massificada, ficaram mais próximas dos atrativos das metrópoles – e de seus problemas, também. Não por obra dos ingênuos e padronizados sanduíches, mas pelas transformações geradas pela rápida urbanização. O logotipo vermelho e amarelo do McDonald’s, incorporado ao cartão postal, passou a ser efeito da abertura ao mundo, e não a causa.

Shopping centers
A emancipação foi acompanhada, nesses trinta anos, pelo aparecimento dos shopping centers na paisagem urbana. No começo, temia-se que seria fatal ao comércio de rua — o tradicional comércio no centro da cidade. Depois, verificou-se na maioria das cidades que é possível, e até desejável, a convivência entre ambos.
Atualmente, é no Interior onde estão previstos os investimentos de expansão dos empreendimentos de shoppings centers. Bauru, Rio Preto, Limeira, Piracicaba e outras serão alvo de novos projetos nos próximos anos. Na Capital, há menos espaço para crescer, além dos custos mais elevados.

Automóveis
O shopping passou a ser o centro do lazer para as cidades médias do Interior, competindo, aí sim, com o papel antes exercido pelas praças. A opção pela segurança, conforto e diversidade dos shoppings foi de tal forma incorporada ao hábito da população, valorizando-se a frequencia, que agora é preciso pagar para entrar com o carro em suas ruas fechadas, limpas e sem contrastes. E cada vez mais congestionadas.

Padronização
Dentro, as catedrais do consumo blindam o público dos efeitos da natureza. Entrando-se de dia, não se percebe o avançar das horas, e só é possível saber se é noite e se faz sol ou chuva, quando se decide sair do local. Já percebeu o leitor que não há relógio no shopping center, qualquer um, em qualquer lugar do mundo? É para que não se tenha a sensação de que o tempo passa. Diferente do centro da cidade, onde basta mirar para a torre da igreja. Esse é um dos pontos comuns a unir na globalização Presidente Prudente, Buenos Aires e Tóquio.

Sempre o mesmo
As lojas se renovam, mudam as grifes, mas o aspecto reluzente das vitrines e cores continuam os mesmos. Diferente do aspecto das antigas casas de comércio, que envelheciam com o passar dos anos. O McDonald’s, por exemplo, está há 31 anos no Brasil. Parece que foi ontem. Como se fosse milagre da pasteurização ou do rejuvenescimento, você sempre será atendido no balcão por um rapaz ou mocinha com espinhas no rosto, não importa quando se der a viagem no tempo.


Wilson Marini
wmarini@apj.inf.br

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