À procura da fé


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Alguns cientistas das diversas áreas do conhecimento humano estão realizando pesquisa no campo da fé. Querem saber se a fé é um sentimento inato no homem, ou se é produto de um processo cultural, ou seja, algo que o homem adquiriria na convivência com os outros homens. Para o espiritismo, a fé é um sentimento que é tanto inato, como aprimorado pelo homem.

É o que se depreende da resposta dada pelos Espíritos a Allan Kardec, conforme se vê na questão 650 de O livro dos Espíritos. Segundo o que está ali contido, o homem, reconhecendo-se incapaz de criar o que encontra no mundo, admite a existência de Deus e o adora ante sua suprema grandeza. Por isso, o sentimento é inato. No entanto, para o Espiritismo, a fé verdadeira, inabalável, resulta, também, do conhecimento das Leis Divinas. Isto se consegue pelo estudo. Pode ainda a fé ser aprimorada pela vivência dos ensinamentos da religião, não dispensando o esforço do homem na busca do conhecimento espiritual.

Há no homem, indubitavelmente, o sentimento intuitivo da existência de Deus. Se estudarmos os costumes e as conceituações de todos os povos, dos mais simples aos mais adiantados, verificaremos que a crença em Deus faz parte dos valores culturais até dos mais primitivos. Desde a mais remota antiguidade, verifica-se preocupação em entender Deus. Primeiro, foi representado pelas forças da natureza, por animais, por ídolos. Com o evoluir do pensamento humano foi entendido como o Pai, o criador de tudo e de todos. A evolução intelectual que deveria levar o homem a entendê-lo, e fez nega-lo, o supôs dispensável. É crucial este comportamento porquanto, sempre que o homem chega ao entendimento de algum aspecto universal da criação, deveria transcendê-lo em favor do absoluto, da manifestação da inteligência suprema, ciente de que nada cria, apenas adapta, modifica.

Ora, se cria partindo de alguma coisa ou da aplicação de alguma lei, é porque essa coisa ou essa lei já existiam. E quem lhe deu origem? Evidentemente que isso prova a existência de um criador. Essa conclusão robustece nossa fé. Daí porque o Espiritismo proclama a fé raciocinada, derivada da razão.

Não se crê pura e simplesmente. Procura-se saber por quê. No Espiritismo não há dogmas. Portanto, o espírita é estimulado a pesquisar, a buscar o porque das coisas, a fim de substancializar sua crença. Aprendemos, com a Doutrina Espírita, a questionar sempre, procurando as causas primárias, sem abdicar da nossa capacidade do raciocinar.

Entendemos que os espíritos não sabem tudo e que são como os homens, limitados. Não são donos da verdade. Não estão de posse de todo o conhecimento. O conhecimento absoluto só a Deus pertence. Ele que é, na definição dos espíritos, ‘inteligência suprema, causa primária de todas as coisas’.

Felipe Salomão

Diretor do IDEFRAN - Instituto de Divulgação Espírita de Franca

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