Professores dão aula com medo de sofrer agressões


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Professor de uma escola estadual da Zona Norte mostra os ferimentos no braço após tentar separar três alunas durante briga e ser agredido. Essa foi a sexta ocorrência registrada pela polícia de agressão em escola nesta semana
Professor de uma escola estadual da Zona Norte mostra os ferimentos no braço após tentar separar três alunas durante briga e ser agredido. Essa foi a sexta ocorrência registrada pela polícia de agressão em escola nesta semana

Reportagem de Nelise Luques e Barros Filho, da Redação


Segunda-feira, 13 de setembro: professora de 53 anos tenta apartar briga de dois alunos e é derrubada no chão por um garoto de 8 anos numa escola estadual do Centro. Quarta-feira, 15 de setembro: professor de 33 anos é ameaçado de morte por estudante de 14 anos em escola da Zona Sul depois de repreendê-lo por passar a mão nas colegas de classe. Quinta-feira, 16 de setembro: professor de 40 anos de uma escola da Zona Norte tentou separar três garotas que se agrediam e acabou levando um soco no olho, foi arranhado e mordido no braço pelas estudantes. No dia 14 de setembro alunos de três escolas públicas se agrediram dentro das instituições. 
 
Em apenas uma semana, seis ocorrências foram registradas pela polícia de Franca. Entre os professores, os casos acendem um sinal de alerta. A violência física e verbal se tornou constante e não apenas em escolas da periferia e entre alunos mais velhos. Unidades do Centro e até crianças protagonizaram casos de agressão nas escolas da cidade. O medo de serem vítimas passou a fazer parte da rotina dos professores. Na condição de não serem identificados, funcionários de escolas públicas concederam entrevistas ao GCN Comunicação para falar sobre o receio de assumirem a sala de aula e sofrerem agressões. 
 
Uma professora de matemática, de 34 anos, leciona para 250 estudantes de ensino médio, que têm entre 15 e 17 anos, na rede estadual, na Zona Norte de Franca. Dá aula todas as noites e admite já ter sofrido ameaças e presenciado agressão contra colegas de profissão pelos estudantes. “Na semana passada, um aluno de 18 anos ficou nervoso e deu um murro no inspetor porque ele havia encostado nele pedindo para entrarem para a sala de aula. Já vi aluno jogar carteira em professor. Uma vez um estudante disse para mim ‘se eu tomar bomba você vai ver o que acontece’, me ameaçando. Muitos professores estão vivendo hoje a base de calmantes, com traumas psicológicos pelo que enfrentaram em sala de aula”. 
 
Todos os profissionais ouvidos associam a violência vivida nas escolas à ausência dos pais na educação dos filhos. Os professores dizem que acabam assumindo o papel da família. “Temos de investir o tempo da aula para ensinar a respeitarem os mais velhos, conviverem bem em grupo. Os alunos têm dificuldade de saber seus limites, seus deveres. Às vezes o conteúdo fica em segundo plano por conta desse papel que assumimos”, disse a professora de uma escola da região Norte, que leciona para faixa etária de 11 a 18 anos.
 
Para os educadores, as condições da rede pública e a progressão continuada, sistema que extinguiu a reprovação dos alunos, são agravantes do problema. Na opinião deles, o sistema gera a falta de comprometimento por parte dos estudantes. “Com a progressão, o aluno fica em sala de aula sem saber ler nem escrever e não consegue acompanhar o conteúdo. Como fica ocioso, parte para a indisciplina e agressão”, disse uma professora de 26 anos que leciona numa escola da Zona Oeste. “Trabalhamos em salas abarrotadas, com mais de 40 alunos. Eles chegam a sentar quase grudados na lousa. São todos adolescentes e fica muito difícil controlá-los na classe durante seis aulas, de 50 minutos cada”, disse uma das entrevistadas.

Um professor na Zona Norte concorda com ela. “Na classe cada um tem uma índole diferente e fica mais difícil trabalhar em salas numerosas. Muitos colegas têm sofrido, dão aula com receio de serem xingados, desrespeitados, agredidos ou perderem o controle. Convivo com alguns jovens extremamente agressivos”, disse ele. 

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