O núcleo de Cinema e Psicanálise de Franca apresentará no próximo sábado, dia 18 de setembro, o filme japonês A Partida, do diretor Yôrijô Takita. Um jovem músico, violoncelista de uma orquestra de Tóquio, depara-se com a necessidade de voltar a sua cidade natal, desempregado e sem perspectivas. Ele aceita trabalhar como preparador de mortos e enfrenta situações muito novas e inquietantes, como o preconceito com sua nova profissão.
O título original Partidas remete a uma crença comum entre nós de que a morte seja uma partida para algum outro lugar. Seja Hades, seja o Nirvana, seja o Céu e o Inferno, seja o Mar Infinito ou a espiritualidade, diversas culturas e religiões criaram uma visão do pós-morte. O instante da ruptura, do corte, da cisão requer uma explicação, uma justificativa, um enredo próprio. E o que existe no período anterior às partidas? A vida que cada um quer ou pode ter.
O jovem protagonista do filme a ser comentado carrega essa significativa constatação: se todos são tão parecidos ali na hora do funeral, com seus ritos e obrigações, há atrás de cada pessoa uma história de vínculos própria e diferenciada. Aos poucos incita-nos a responder sobre nossa vida e o conjunto de relações que tecemos.
O tema é tratado com uma delicadeza ímpar e uma poética que visceja entre gestos, palavras, objetos e paisagens tocantes. Espalha-se também em suaves movimentos e músicas envolventes.
“Se não se parece com a vida não é psicanálise”, cunhou célebre psicanalista. Um filme tão vívido captura hipnoticamente o olhar psicanalítico, gerando muitas vertentes para construções interpretativas.
Ao olharmos para a força da cultura nipônica presente em cada relação entre os personagens, notadamente na firmeza das hierarquias entre patrões e empregados, pais e filhos, esposas e maridos poderia focalizar a influência do aspecto social na formação do indivíduo. Ao olharmos a lenta abdicação do sonho de ser “o grande músico” concomitante ao nascimento do eficiente agente funerário poderíamos enfatizar as relações entre os sonhos e as possibilidades de realiza-los. Ao olharmos a relação do casal protagonista, que se orienta pelo amor, respeito e pureza poderíamos aprofundar nas transformações de correntes da vivência do amor. São também relevantes temas como as elaborações possíveis na eterna luta entre o instinto de vida e o instinto de morte e as ilimitadas adaptações exigidas para o triângulo Pai-mãe-filho. Convidamos os amantes do cinema como discussão a estarem lá, refletindo e auxiliando com suas observações.
SERVIÇOS
Evento: Cinema e Psicanálise
Filme: A Partida
Quando: neste sábado, dia 18
Horário: 15 horas
Onde: sede campestre do Centro Médico de Franca
Inscrições: R$ 5
Informações: (16) 3723-2815
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.