A CAPES informou recentemente, e este Comércio noticiou em 15 de setembro que houve um crescimento na qualidade dos cursos de pós-graduação (mestrado e doutorado) oferecidos no Brasil. Essa informação talvez seja de pouca importância para muitos que se preocupam apenas com as questões do seu dia a dia, mas, se pensarmos no Brasil, nos desafios que possuímos para implantar o seu desenvolvimento econômico e social, nos desafios de competitividade internacional e na necessidade crescente de desenvolvimento de tecnologias alternativas para melhorar a condição de vida das pessoas, então entenderemos a importância desse ganho educacional.
Primeiramente, o aumento qualitativo e não, apenas, quantitativo, é por si só diferencial significativo no posicionamento que o Brasil tem e terá no mundo. Só haverá completa independência e desenvolvimento do País se formos auto-suficientes em pesquisas e criação. O crescimento do desenvolvimento tecnológico em todos os setores produtivos acontece em ritmo acelerado, e só o acompanharemos se o Brasil tiver estrutura de pesquisa e de criação adequada.Alguém pode perguntar se o fato de termos mestres e doutores nos garantirá espaço nesse seleto clube de inventores. A resposta é, obviamente, não! Só teremos espaço se tivermos pesquisadores de qualidade e, daí, a importância dos dados da CAPES mostrando a melhora na qualidade desses cursos.
Esses cursos não foram criados para rever conteúdos curriculares das faculdades e universidade. Foram criados, para estimular o aperfeiçoamento do conteúdo apreendido pelo graduado e, principalmente, estimulá-lo a aprender a pesquisar, conhecer, descobrir e inventar (ou propor).
Infelizmente vemos uma proliferação descontrolada e comercial dos cursos de pós-graduação. A importância da CAPES em avaliá-los periodicamente é o que nos dá garantias de que algo está sendo feito para a existência de cursos de qualidade. Outro aspecto importante a ser considerado na valorização das pós-graduações de qualidade é a indústria, ao buscar e empregar profissionais pós-graduados, levar em consideração a origem (instituições educacionais) dos títulos que esse profissional possui. Desta maneira fecharemos o círculo em torno dos cursos de má qualidade: a CAPES não credencia e o mercado de trabalho não valida esses certificados.
Há, ainda, outro aspecto falho nessa questão da pós-graduação. Por exigência de Lei Federal as faculdades e universidades necessitam ter um número mínimo de Mestres e Doutores entre os seus docentes. Entretanto, a grande maioria (se não a totalidade) dessas escolas aceita a titulação sem questionar a formação/origem. Isso leva a um repetição preocupante de desqualificação do ensino. Se há professores (mestres ou doutores) formados em escolas não avaliadas positivamente pela CAPES, pode-se deduzir que eles pouco contribuirão na formação dos seus alunos. Talvez a realidade prática não seja assim, tão catastrófica, mas há de se concordar que o objetivo da Lei Federal é o de agregar valor e atualidade no ensino ministrado pelas boas instituições de ensino. Afinal afinal, o Brasil precisa de profissionais qualificados e atualizados.
Cassiano Pimentel
Agente de exportação e professor universitário
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