O papel da imprensa


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Se as eleições são o oxigênio para a democracia, a imprensa é o motor que faz circular o ar e dá vida a esse universo.

Mais que um meio de circular informações e opiniões, a imprensa exerce a missão de provocar e conduzir discussões amplas sobre assuntos públicos, aproximar anseios dos cidadãos dos canais fechados de governos e de fomentar o debate sobre as transformações de uma cidade, estado ou País.


Mais do que isso, a imprensa denuncia e fiscaliza. A imprensa não substitui os Poderes constituídos, mas a sua ação tem uma especificidade que é característica só sua – portanto, deve ser preservada da prepotência de poderosos e da tentativa de manipulação, seja pela pressão do Executivo (como ocorre atualmente na Argentina), seja pela censura judicial (a exemplo de casos isolados, porém graves, no Brasil).
 

E numa eleição, cabe à imprensa lembrar os políticos e os eleitores sobre as pautas que interessam à população. Os jornais da Rede APJ (Associação Paulista de Jornais) compreendem bem esse papel vital na sociedade atual. No fim de semana, foi publicada extensa e valiosa entrevista com um dos três principais candidatos à Presidência da República, José Serra (PSDB). A íntegra do material, resultado da sabatina a que foi submetido na sede da APJ em São Paulo, os leitores já tiveram oportunidade de digerir por meio das páginas deste jornal, que integra a Rede APJ.
 

No próximo domingo, será a vez de Marina Silva (PV), cuja entrevista já foi concedida também na sede da entidade. Os jornais reservarão espaço na semana seguinte para a candidata Dilma Rousseff (PT), que prometeu recentemente falar aos jornalistas da APJ. A data ainda não foi confirmada pela assessoria. Os três responderão basicamente às mesmas questões essenciais – ligadas à saúde, educação, segurança pública – bem como aos pontos principais de divergência entre as suas plataformas. Caberá ao leitor, ou eleitor, avaliar. E, depois, cobrar.
As entrevistas publicadas são documentos a serem guardados, porque expressam o pensamento e os projetos dos candidatos no momento em que se lançam para conquistar o voto dos eleitores. Depois que assumem, nem semprem cumprem o que prometeram em campanha. É a hora de saber os motivos, de lembrar o que foi dito.

 

Editorial
Para marcar posição sobre o debate iniciado nas páginas de seus jornais, a Rede APJ publicou editorial intitulado “Decisões para uma década”, reafirmando o que já disse nas eleições passadas: vai entrevistar os candidatos sob a ótica daquilo que mais preocupa e interessa à população e não necessariamente sobre aquilo que desejam expor os pretendentes aos cargos. O objetivo é saber o que eles pretendem fazer para resolver os principais problemas. “Não só a respeito do cotidiano, em áreas como educação, saúde e segurança pública, como também em relação ao planejamento de um País desenvolvido e sustentável. E, dessa forma, integrar e fortalecer ainda mais o Estado de São Paulo”, afirma o texto. Trata-se de uma roda viva, que nunca para.


Avaliação permanente
Passadas as eleições, é importante que os eleitores mantenham a vigilância sobre o Poder Público e os políticos. A fiscalização não é um ato cíclico a ser acionado apenas em períodos eleitorais, mas uma atitude permanente, antes, durante e depois. As cobranças em períodos pré-eleitores têm sempre o caráter de interesse imediato. Já a cidadania exercida com regularidade provoca resultados mais duradouros, porque é isenta de paixões eleitorais. Uma das formas de atuação é por meio de ONGs que colaboram com o controle dos gastos em prefeituras e câmaras municipais. Está dando certo em muitos municípios. E a imprensa, outra vez, pode exercer o papel oxigenador, fomentando por exemplo a troca de experiências.

 

Wilson Marini
wmarini@apj.inf.br

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