Dados divulgados em agosto pelo Ministério do Trabalho sobre a fotografia do emprego formal no Brasil - a Rais (Relação Anual de Informações Sociais) - indicam que a oferta de vagas para jovens cresce bem abaixo da média. Enquanto os empregos formais no País aumentaram no total 4,5% em 2009, para jovens de 16 e 17 anos aumentaram apenas 1,5%. Por que isso acontece? O que os jovens podem fazer para mudar essa realidade?
Durante a apresentação da Rais, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, disse que a principal dificuldade para o jovem entrar no mercado de trabalho é a falta de qualificação técnica e que o mercado ainda tem preconceito contra a falta de experiência.
Para o consultor e palestrante em Recursos Humanos, Matheus Oliveira, de Franca, mais que ter preconceito contra a falta de experiência, em geral, as empresas não estão preparadas para capacitar e treinar funcionários de qualquer idade. “As empresas têm dificuldade em investir em capacitação, parecem não acreditar nesses valores e só visar lucro, priorizando apenas a produção. É preocupante”.
Por outro lado, diz Oliveira, o jovem de 16 anos, em muitos casos, tem muito pouco conhecimento geral e falta interesse em mudar esse quadro. “Trabalho com o recrutamento de jovens e a dificuldade é muito grande. Chegam meninos e meninas de 16 anos sem saber o básico, sem ter conhecimento algum mesmo. Pedimos, então, para que eles busquem se profissionalizar, aprender alguma coisa, fazer cursos de qualificação, de capacitação, cursos técnicos”.
É exatamente isso que está fazendo Thaila Lara Almeida. Prestes a completar 16 anos, ela frequenta o PET (Programa de Educação para o Trabalho) oferecido pelo Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial) de Franca e se mostra satisfeita. “Realmente conseguir emprego nesta idade é muito difícil. Até por causa das leis, as empresas acabam tendo dificuldades. Decidi fazer o curso porque, na própria sala de aula, posso mostrar aos professores que sou uma pessoa dedicada e interessada e isso é bom - é uma vitrine. Pessoas da minha família fizeram e saíram daqui empregadas”, afirmou Thaila, que participa também das aulas do segundo ano do ensino médio.
Na mesma turma dela no Senac está o jovem Túlio Oliveira da Lapa, que completará 16 anos no próximo mês de dezembro. Ele disse acreditar que, além do receio de contratar alguém com pouca experiência, as empresas temem que os jovens sejam irresponsáveis. “Onde existem pessoas mais novas é mais fácil ter brincadeiras na hora do trabalho - muita gente não tem consciência da seriedade de um ambiente de trabalho - e isso é muito ruim porque nós vamos procurar empregos e percebemos que os patrões têm esse receio”, afirmou.
Túlio contou também que é comum buscar empregos e ouvir um “volte quando fizer uns 17 anos”. Enquanto isso, ele aposta na qualificação. “Sei que aqui vou melhorar meu currículo. Quero conseguir um emprego na área de telemarketing, atuar no pós-venda de alguma empresa”.
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