Por vezes, o número se transforma em código para comunicar idéias. Em matéria de carro, à simples menção do 1.0 (um ponto zero), o brasileiro já associa a imagem de um veículo de baixo custo, prático e ao mesmo tempo econômico no consumo de combustível. Tudo isso faz o sucesso desse automóvel genuinamente nacional.
Entrementes, o zero e o um formam a língua do momento. Comunicação agora se dá pelo sistema digital, através de impulso elétrico, denominado bit (BInary digiT).
Em português claro, trata-se de um processo baseado no dígito binário: dois números (0 e 1) convertidos em letras minúsculas e maiúsculas, sinais de pontuação, caracteres diversos e acentos.
Tudo começou em 1844 quando Samuel Morse transmitiu o primeiro telegrama de Baltimore para Washington, cidades distantes 64 quilômetros uma da outra. A façanha só foi possível graças ao código Morse.
Nesse sistema de comunicação, também binária, pontos e traços combinados entre si se transformavam em letras ou números.
Na linguagem telegráfica não havia acentos ou sinais de pontuação. Para ponto (.), escrevia-se PT. A vírgula era grafada como VG. Palavra nenhuma tinha acentuação.
Antes desse processo de comunicação, que convertia ponto e traço em letras ou algarismos, qualquer mensagem escrita vencia distância somente em lombo de cavalo. Quando o emissor necessitava de mais rapidez, poderia dispor de um pombo-correio para levar o bilhete amarrado em uma das pernas até o destinatário.
Após a transmissão da escrita à distância, veio posteriormente o envio da voz pelo telefone. Passado algum tempo surgiu a propagação do som pelo rádio.
Mais tarde, foi possível juntar sonoridade e imagem na televisão. O computador incorporou escrita, voz e imagem num pacote só. Hoje, a Internet desfez de vez a distância de comunicação entre as pessoas.
Dois números (O e 1, isto é, o bit) se juntam em sequência adequada para compor um caracter ou sinal.
Para formar um byte é necessário um conjunto de 8 bits reunidos em uma única unidade. O computador codifica na emissão e depois decodifica na recepção. Eletronicamente, a mensagem vira um emaranhado: 110011100001100111110000 1011110000111.
Zero e um servem para tudo: letra, algarismo, som, imagem. Para acompanhar a função exponencial binária, a informática lança mão de prefixos numéricos equivalentes a mil: kilobyte, megabyte, gigabyte, terabyte, petabyte. Os bytes não param mais e seguem infinitamente, dando vida à comunicação digital em tempo real.
O mundo analógico, feito por similaridades, muitas vezes em cima de falsidades, ficou para trás. O que conta é a nova linguagem feita com apenas dois números: o zero e o um.
Antônio Araújo
Professor de redação - tonin.palavras@uol.com.br
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