Só investigar não é suficiente


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Depois de um inexplicável mutismo, no último sábado o secretário da Saúde de Franca, Alexandre Ferreira, resolveu falar à imprensa e prometeu: os casos envolvendo as mortes de Maria das Graças, 47; Luciana Cruz, 21; e Leandro Caldeira da Cruz, 15 - todos os três foram atendidos no Pronto-socorro ‘Dr. Janjão’ e tiveram mortes ainda inexplicadas - estão sendo investigados. Foram três mortes nos primeiros dez dias do mês relacionadas ao atendimento no PS e à dificuldade de se conseguir uma vaga para a internação na Santa Casa de Franca. Essa triste lista de vítimas de um sistema perverso de atendimento poderia ser maior, não fosse a corajosa - e louvável - atitude do médico Marcelo Rosa da Silva, que trabalha em regime de plantão no PS. Diante da dificuldade de conseguir autorização para internar pacientes na Santa Casa (duas mulheres esperaram pela liberação da vaga durante horas), levou as duas pessoalmente e insistiu no atendimento. Ao chegar na Santa Casa ainda se deparou com o emergência vazio, diferente do que informara a Crue (Central de Regulação Única do Estado), órgão responsável por autorizar internações em hospitais cuja gestão está sob controle do governo paulista.


Uma investigação criteriosa é o mínimo que se pode esperar das autoridades responsáveis. Além disso, ela deve trazer uma resposta rápida e efetiva para as famílias e para a comunidade em geral. Afinal, os fatos dos primeiros dez dias de setembro foram bastante sombrios e preocupantes. O secretário precisa buscar meios para que o atendimento público de saúde deixe de ser tão frio, próximo das raias da insensibilidade, e que penaliza aqueles que não contam com outro recurso senão buscar o Pronto-socorro Municipal para ser atendido.


O que se deve entender é que a falta de empenho em resolver a questão solapa a confiança do francano na capacidade de atendimento dos estabelecimentos de Saúde Pública. Uma atenção maior ao paciente, buscando-se alternativas para que os fatos não se repitam, é o que se almeja. O médico Marcelo Rosa da Silva mostrou que a sua coragem foi capaz de evitar que outras pacientes engrossassem a triste estatística. Investigar é importante. Conhecer as causas também. Mas, além disso, é necessário que toda a sistemática seja revista e, se necessário, recriada. As camadas mais carentes da população não podem continuar sendo vítimas de um sistema para cujas existências elas não foram consultadas, embora sejam financiadoras do sistema. Prefeito, vereadores, representantes de entidades de classe e deputados têm que levantar a voz e pressionar para que todo o Sistema Único de Saúde e a gestão dos hospitais públicos, como a Santa Casa, atuem dentro da realidade da comunidade. Caso contrário, se nada for feito, corremos o risco de assistir impassíveis à agonia de outras Marias, outras Lucianas e outros Leandros.

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