A Promotoria de Saúde Pública do Ministério Público de Franca começou a investigar a sequência de mortes de pacientes atendidos pela rede pública na cidade. Os óbitos de três pessoas ocorreram neste mês, no intervalo de dez dias. O Promotor de Justiça, Décio Piola, retornou de licença ontem e iniciou a investigação. Ele disse que acompanhou os casos pela imprensa e decidiu apurar as ocorrências.
A primeira vítima foi Maria das Graças Vieira de Souza, 47. A paciente morreu no dia 1º de setembro após passar 17 horas sobre uma maca no Pronto-socorro “Doutor Janjão” à espera de vaga para ser internada na Santa Casa porque estava com crise de hipertensão. Ela morreu antes de conseguir a liberação. Uma semana depois, dia 7, a jovem Luciana Mendes Cruz, 21, morreu na Santa Casa por insuficiência respiratória grave. Ela havia passado por atendimento no PS por três dias seguidos com fraqueza e dores de cabeça e no peito.
A terceira morte foi do garoto Leandro Caldeira da Cruz, de apenas 15 anos, no dia 10. O jovem também foi atendido no “Janjão” porque estava com dores no peito. Segundo a família, os exames apontaram que o coração dele estava “inchado”, mas foi medicado e liberado. O médico o encaminhou para consulta com cardiologista. O paciente só conseguiu marcar para dia 14 e não resistiu. Morreu em casa, de parada cardíaca, 48 horas após ser atendido
no “Janjão”. Os familiares das três vítimas estão indignados e exigem providências.
MUDANÇA
Desde junho de 2010, uma central regula internações de pacientes de Franca e região em hospitais conveniados ao SUS. Se um paciente precisa ser internado, o médico do pronto-socorro tem que entrar e contato com a Crue (Central de Regulação Única do Estado), que controla as vagas e internações no Estado. O promotor Décio Piola irá apurar se houve falhas no atendimento médico, encaminhamento ou recepção dos pacientes. “Se esse atendimento está sendo certo, não posso falar, é preciso investigar. O que verificamos de início é que está havendo um descompasso entre o atendimento e o encaminhamento. Minha parte é fazer esse acertamento, ver o que está acontecendo, onde está havendo deficiência e corrigir”.
Segundo ele, em junho, quando a Crue passou a gerenciar as internações na cidade, secretários de Saúde da região se manifestaram na Promotoria preocupados com o novo sistema. Décio Piola decidiu, então, iniciar uma investigação para avaliar o funcionamento e eficácia da Crue. As mortes ocorridas neste mês farão parte do processo que já havia sido aberto. “Agora temos três casos concretos e vamos ouvir todos os envolvidos para saber se haverá necessidade de instaurar inquérito. É preciso saber se foram apenas episódios ou se está havendo falhas em nível crítico. Se encontrarmos falhas, exigiremos que sejam corrigidas as existentes no sistema ou de funcionários”.
A expectativa é ter novidades sobre a investigação em dez dias. “O processo demora um pouco porque tenho de saber os procedimento do ‘Janjão’, da Crue e da Santa Casa. É isso que a Promotoria vai investigar. Quero resolver o mais rápido possível porque as pessoas podem estar sob risco”.
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