‘Eu vou promover uma revolução na educação’


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DIRETO E OBJETIVO - Durante mais de uma hora, o candidato a governador de São Paulo pelo PSB, Paulo Skaf apresentou suas propostas e defendeu uma gestão mais eficiente
DIRETO E OBJETIVO - Durante mais de uma hora, o candidato a governador de São Paulo pelo PSB, Paulo Skaf apresentou suas propostas e defendeu uma gestão mais eficiente

O empresário Paulo Skaf, candidato a governador de São Paulo pelo PSB, foi sabatinado pelo GCN Comunicação nesta sexta-feira, 10 de setembro. Skaf não poupou críticas aos serviços públicos e à gestão tucana. Foi muito claro com relação às suas propostas e se autodenominou o candidato da mudança. O candidato quer acabar com a progressão continuada na educação, aumentar em 20% o salário dos professores logo no primeiro ano de mandato, modificar a gestão da saúde pública, centralizar o comando e o controle da segurança pública e ainda devolver parte do valor pago nos pedágios por meio do IPVA. Skaf foi enfático ao criticar a guerra fiscal. Segundo ele, esta situação é uma “realidade do século passado” e o governador “não pode entrar nesta prática”.



PRIMEIRO BLOCO

GCN - Por que o senhor quer ser governador do Estado de São Paulo?
Skaf -
Assim como muitas pessoas, eu vinha reclamando muito dos políticos. Vinha reclamando da falta de eficiência na administração pública, da falta de resultados concretos, da falta de seriedade, de transparência. Um dia até comentei com o presidente Lula sobre isso. O presidente Lula me falou: ‘Skaf, não adianta ficar reclamando. O que você precisa é entrar na política e fazer de forma diferente’. Passados uns meses, o PSB me fez um convite para que eu me filiasse e fosse candidato a governador. Conversei com a minha mulher, com meus filhos, com meus amigos e aceitei o desafio. Entrei na política para buscar eficiência e resultados concretos para as pessoas. O Estado de São Paulo tem um orçamento maior do que o da Argentina, maior do que o de um país. É um estado rico, com um potencial muito grande e em que, lamentavelmente, os serviços deixam muito a desejar, seja a saúde pública, a educação ou a segurança. O que me estimulou muito a entrar na política, a aceitar o desafio de ser candidato a governador foi tentar fazer deste Estado uma referência para o resto do país e para o resto do mundo.

GCN - O senhor construiu uma carreira segura e bem sucedida como empresário, comandando as instituições mais importantes de representação do setor empresarial, como a Fiesp, o Ciesp e o Sebrae. Por que decidiu arriscar disputando uma eleição tão difícil quanto a de governador?
Skaf -
Quando fui candidato a presidente da Fiesp, me lembro que alguém me fez essa pergunta. ‘Skaf, você é um empresário, liderava a cadeia têxtil de confecção de São Paulo e do Brasil. Agora vai ser candidato de oposição na Fiesp? Isto é impossível! A Fiesp é uma entidade tradicionalíssima. Quem tem chance lá é a situação. Não há espaço para uma candidatura de oposição’. E nós surpreendemos. Fui candidato de oposição, fui eleito com 60% dos votos e, depois de três anos de trabalho, fui reeleito com 99,5% dos votos. Pude, como presidente do Sesi e do Senai, promover uma grande revolução na educação, na formação profissional. Então, mais uma vez, é um desafio e eu não tenho medo de desafios. Quanto mais viajo e conheço os problemas deste Estado, mais sinto que é possível fazer diferente. Sinto que posso ajudar.

GCN - O senhor é um típico representante da classe empresarial e, historicamente, no Brasil, não há grandes políticos egressos deste segmento. Entre os presidentes da República, por exemplo, não há empresários. Entre governadores do Estado também não. O senhor sofre com esse estigma?
Skaf -
Estatisticamente, você acaba de me dar uma chance tremenda. Tudo na vida é cíclico, então, eu diria que estatisticamente agora é hora de acontecer. Muitas pessoas lembram o caso do Antônio Ermírio de Moraes. Foi em 1986, faz 24 anos. Quer dizer, há 24 anos era o momento, hoje é outro momento. Hoje é o momento em que as pessoas estão cansadas dos políticos tradicionais. As pessoas estão cansadas daquela prática da política das promessas, de pouca realização, de poucos objetivos. Em 1986, não havia segundo turno. Se naquela época tivesse segundo turno, ele (Antônio Ermírio) teria ido para o segundo turno e ganharia a eleição, porque todos os demais o apoiariam.

GCN - Mas foi uma disputa que o traumatizou tanto que ele nunca mais quis ouvir falar em política...
Skaf -
É, mas esse é um direito dele. Espero não ter um trauma. Espero sair muito bem dessa eleição. E as pessoas estão muito ligadas à sucessão presidencial e pouco ligadas ao Estado ainda. Tanto é que as pesquisas mostram que 65% das pessoas ainda estão indecisas quanto ao voto para governador. Então, todas as coisas, com relação à campanha para a sucessão estadual, estão para acontecer nesses próximos 20 dias. Estou muito esperançoso no sentido de nós crescermos, irmos para o segundo turno e ganharmos a eleição.

GCN - O senhor acha que vai ficar para o final das eleições?
Skaf -
Faço as minhas próprias pesquisas. Quando pego um táxi, quando passo pela rua, pergunto às pessoas em quem vão votar. O que eu sinto é que elas não estão a par nem têm clareza ainda de quem são os candidatos ao governo de São Paulo. Muitas pessoas falam: ‘Ah! O senhor é candidato a governador de São Paulo?’. Muitas vezes, confundem eleição federal com estadual. Agora que as coisas estão começando aqui para o Estado.

 
 
SEGUNDO BLOCO
GCN - A segurança pública é uma preocupação latente no Estado de São Paulo e alvo de severas críticas por parte do senhor, que tem afirmado, inclusive, que pretende levar o gabinete do secretário estadual de Segurança para o Palácio dos Bandeirantes, ficando no máximo a 10 metros de distância da sua sala. O que, de efetivo, o senhor pretende fazer para resolver os problemas do setor?
Skaf -
Existem no mundo muitos projetos que já deram certo. Não adianta ficarmos aqui enxugando gelo. Você tem projetos que foram implantados em Nova Iork com resultados fantásticos, que foram implantados em Bogotá, na Colômbia; no México. São projetos com uma concepção chamada “cidade segura, Estado seguro”. O que significa isso? Você implanta um sistema de comando e controle. Esse sistema traz a segurança pública para o governo, tira das polícias. Como é hoje? Você tem três polícias. A Polícia Civil, a Polícia Científica e a Polícia Militar, subordinadas a um secretário de Segurança, que é nomeado pelo governador. Essas polícias não trabalham juntas. A Civil e a Militar não têm entrosamento, muitas vezes concorrem. O serviço de inteligência da Polícia Civil é um e o da Militar, outro. Elas deveriam estar trabalhando conjuntamente, com uma mesma visão de inteligência, de informação, com uma estratégia comum. Isso não existe. O que eu farei como governador? Vamos implantar o melhor projeto do mundo de segurança pública em São Paulo. Vamos ter um sistema de comando e controle e a segurança pública passará para as mãos do Estado. O serviço de inteligência será comum, será um único serviço. Teremos unidades policiais com treinamentos especiais e teremos uma única estratégia. As nossas divisas hoje estão totalmente escancaradas. Nós teremos um controle. Através de serviços de inteligência e do sistema de comando e controle centralizado, monitoraremos as nossas divisas. Toda a polícia de São Paulo tem 130 mil homens. Temos um exército na mão. Precisamos melhorar os salários? Lógico. Não quero policial do meu Estado ganhando menos do que o de estados pobres do Brasil. São Paulo é um estado rico. Vamos melhorar o salário, estimular o policial para não precisar depender de bicos. O cara começa a trabalhar no bico, de repente, passa a ganhar mais no bico do que na polícia, então, o bico vira polícia. Uma tropa de mil homens bem equipados, com autoestima, ganhando bem e bem informados vale por 10 mil homens mal informados batendo cabeça.
 
GCN - O senhor citou exemplos de redução de criminalidade que são cases no mundo inteiro. Um deles o de Nova Iorque, desenvolvido pelo ex-prefeito Rudolph Giuliani. Mas eles são baseados na premissa da tolerância zero. Isso pressupõe uma legislação muito dura, presídios para receber essas pessoas que são punidas, mesmo por crimes pequenos. Para implementar um projeto dessa natureza em São Paulo, o senhor não teria um problema, dada a natureza da legislação penal no Brasil?
Skaf -
Por isso que eu falei. Você pega o conceito e implanta dentro da realidade do Estado de São Paulo. O conceito é você puxar a segurança pública para o Estado e não deixar nas mãos das polícias. Agora, esses outros pontos (a falta de presídio e de uma legislação mais dura) precisam ser melhorados também. O governador de São Paulo é um líder político e tem que ter poder suficiente para aperfeiçoar e melhorar legislações não só estaduais, como federais. Acredito que há uma necessidade de aprimorarmos não só a legislação, como também a parte de conciliação, mediação e arbitragem. Isso desafoga a Justiça.
 
GCN - As cadeias do Estado vivem problemas graves de sucateamento e superlotação. Como o senhor pretende resolver a questão?
Skaf -
Em primeiro lugar, onde se instala penitenciária, tem que haver uma compensação para a região. Tem algumas pessoas que reclamam que o governo tucano só traz penitenciárias para a região. Mas tem que ter. A penitenciária está lá e vai continuar. O que vamos precisar fazer é dar uma compensação através da educação. Temos que compensar a presença das penitenciárias nas diversas regiões com mais escolas. Com relação ao número, realmente todas as penitenciárias estão com superlotação. Precisamos fazer com que haja uma substituição, uma agilidade. Existem dois tipos de presos. Aqueles de alta periculosidade e aqueles que são casos mais brandos. Para estes casos mais brandos, estimularia penas alternativas. Tem que haver um crescimento de penas alternativas para evitar essa superlotação. A maior das nossas penitenciárias é pós-graduação para o crime. Se entrar alguém que fez um crime leve, sai pior do que entrou.
 
GCN - O senhor citou o serviço de inteligência da polícia para aumentar a vigilância nas fronteiras do Estado. Existem policiais suficientes para fazer esse serviço e recursos suficientes para adotar esse tipo de medida?
Skaf -
Temos um exército de 130 mil homens em São Paulo! Existem muitos exércitos no mundo que não têm isso. O que precisa é coordenar as operações, ter o pessoal estimulado, bem treinado e a inteligência certa. Vou dar um exemplo. O que você acha da Polícia Federal? É eficiente ou não é? Sabe quantos homens tem a Polícia Federal de São Paulo? Mil. E nós temos 130 mil. Mas por que a Federal é eficiente? Porque tem serviço de inteligência, tem estratégia. As ações são cirúrgicas. Existe integração, bons salários. É isso que vou fazer em São Paulo. Só que vou ter 130 vezes mais contingente do que a Polícia Federal.
 
GCN - Do jeito que o senhor fala parece tão simples resolver o problema da segurança. Se é simples assim por que o atual governo não resolveu?
Skaf -
Primeiro, eu não falei que é tão simples. O que estou falando aqui não é tão simples. Nada na vida é tão simples. Ser candidato a governador de São Paulo não é tão simples. Agora, existe o caminho. Você persegue e faz com que aconteça. O que nós vamos fazer é colocar no trilho certo.
 
 
 
TERCEIRO BLOCO
GCN - O senhor é um dos maiores críticos do alto valor pago nos pedágios de São Paulo. Quais são as suas propostas para baratear esses valores?
Skaf -
Os pedágios são caros mesmo. Existem hoje concessionárias privadas. Essas concessões foram feitas em 1998, pelo atual candidato do PSDB, Geraldo Alckmin. Os preços dos pedágios, logicamente, estão de acordo com os contratos que foram firmados naquela época. Em qualquer trecho da estrada, você paga mais de pedágio do que de combustível. O preço do pedágio é muito alto e todo mundo paga. Ouço falarem de vez em quando: ‘Pedágio só paga quem tem carro’. É engano! Quem viaja de ônibus paga também porque o pedágio está embutido no preço da passagem. Quem não viaja paga também porque o pedágio está embutido no preço dos remédios, dos alimentos, porque a mercadoria viaja. Um dia desses foi feita uma reportagem em que uma carreta de cinco eixos, saindo de Santos para Ribeirão Preto, fazendo todos os dias esse trajeto de ida e volta, no final de um ano, paga de pedágio o valor da carreta. O preço do pedágio é um absurdo! Só que esses contratos (com as concessionárias) que foram firmados vencem só depois de 2020. E eu nunca defendo quebra de contrato. Contrato feito é para ser respeitado. A solução que daremos é uma compensação no IPVA. Metade do IPVA é do governo do Estado, metade das prefeituras. Por exemplo, se você paga R$ 1mil de IPVA, até R$ 500 poderão ser compensados no valor dos pedágios pagos, estimulando as viagens durante as madrugadas. Então, da meia-noite às 7 horas, poderia compensar 100% do valor do pedágio. E das 7 horas às 24 horas, 50%. A outra alternativa é esperar daqui 15 anos vencer os contratos que foram feitos pelo candidato do PSDB...
 
GCN - Durante entrevista neste mesmo auditório, na quarta-feira passada, Celso Russomanno, que também disputa o governo do Estado, disse que sua proposta de devolver parte dos valores pagos de pedágio, por meio do IPVA, não tem amparo legal. Ele errou na avaliação?
Skaf -
Ele errou na avaliação sim, porque você pode compensar. Lógico, você encaminha o projeto através da Assembléia Legislativa. Não há nenhuma ilegalidade nisso não. O que eu tenho ouvido de proposta dele é rever contrato. Até o Geraldo Alckmin fala em rever. Estranho, ele fez os contratos e agora fala em rever os contratos que ele fez? O Celso fala que vai renegociar contrato. (Russomanno, candidato ao governo pelo PP) Olha, isso é conversa. Lá no Paraná, o Requião (Roberto, governador) quis fazer isso. Depois, na Justiça, todo mundo ganhou e os contratos ficaram vigorando. Eu não quero enganar ninguém. Contrato que está feito e tem tempo para terminar precisa ser respeitado.
 
GCN - A progressão continuada, instalada nas escolas públicas do Estado de São Paulo, é um dos temas centrais destas eleições. Como o senhor avalia este sistema?
Skaf -
É um absurdo. O importante não é a criança ir para a escola, o importante é a criança aprender na escola. Você não aprender e passar de ano é errado. O Sesi tinha progressão continuada. Em 2007, pedi para que acabasse com a progressão e não houve evasão escolar nenhuma. Pelo contrário. Há filas de mães querendo colocar os filhos nas escolas do Sesi do Estado todo. Então, vamos acabar com a progressão continuada. O que fiz como presidente do Sesi, vou fazer como governador de São Paulo. Vou implantar o ensino fundamental em tempo integral. As crianças aprendendo nas salas de aula, nos laboratórios, praticando esportes, tendo atividades culturais se alimentando, adquirindo saúde. Vamos fazer isso gradativamente, um ano por vez. Vai levar nove anos até a implantação total. Mas isso, para a vida de um Estado, de uma sociedade, passa rápido.
 
GCN - Tem dinheiro no orçamento para isso?
Skaf -
Será feita uma implantação gradativa ao longo de nove anos. Vão ser necessários vários investimentos. Tem muita escola que vai ter que ser revitalizada, reformada. Outras vão ter que ser construídas. Vamos precisar ampliar 40 mil salas de aula. Isso é um investimento em torno de R$ 9 bilhões. Hoje, o orçamento do Estado de São Paulo para educação prevê R$ 1 bilhão para investimentos. Nos últimos anos, havia uma preocupação de construir escolas, porque faltavam matrículas no ensino fundamental. Hoje não falta. Hoje você tem matrículas no ensino fundamental em todo o Estado para todo mundo. Você não tem é qualidade no ensino. Este R$ 1 bilhão, que já está previsto de investimento, em nove anos, serão R$ 9 bilhões. Então, independente de novos recursos, você já tem um valor orçamentário para investimento que é suficiente. É possível, sim. É possível fazer uma revolução na educação do Estado. É possível aumentar salários. No primeiro ano, vou aumentar 20% o salário dos professores.
 
GCN - Uma das maiores reivindicações do Sindicato da Indústria de Calçados de Franca é a redução gradativa do ICMS de 12 para 7%. O senhor acredita que seja possível esta desoneração?
Skaf -
Como presidente da Fiesp, tenho um relacionamento muito forte com a Indústria de Calçados de Franca que não é de hoje. Já reduzimos o ICMS do calçado de 18 para 12%. Vejo possibilidade sim de reduzir para 7%. Também, como presidente do Senai, fizemos o maior e melhor centro de tecnologia do setor couro calçadista aqui em Franca. A minha relação com Franca e com o setor calçadista, como líder empresarial, já dura muitos anos e não é uma relação de promessas. É uma relação de realizações. Sei da importância do setor calçadista. Sei que é um setor de mão de obra intensiva. Sou um defensor do setor calçadista e, como governador, farei tudo para aumentar a competitividade do setor.
 
GCN - O senhor acha que a guerra fiscal é um recurso válido?
Skaf -
Não sou a favor da guerra fiscal. Eu, como governador de São Paulo, vou promover uma reforma tributária no Brasil. Vou acabar com a guerra fiscal. Não vou assumir o governo de São Paulo para colocar São Paulo em guerra fiscal. A guerra fiscal é uma realidade do século passado. Estamos no século XXI e já está muito atrasada uma reforma tributária que acabe com a guerra fiscal. Como governador de São Paulo, com uma bancada de 70 deputados federais e com a liderança do governador de São Paulo, não tenho dúvida de que vou conseguir ajudar muito a termos, finalmente, uma reforma tributária no Brasil.
 
 
 
QUARTO BLOCO
GCN - Na última Francal, realizada em julho, ficou claro que uma das maiores preocupações calçadistas é em relação a um possível apagão de mão de obra. O ensino técnico seria a alternativa para ensinar e qualificar essa mão de obra?
Skaf -
Não tenho dúvida. A solução é ampliar as vagas no ensino técnico. As Etecs hoje oferecem 140 mil matrículas. A nossa proposta é triplicar o número de matrículas. Hoje há um orçamento de R$ 1 bilhão para 140 mil matrículas nas Etecs em todo o Estado. Pretendo dobrar esse orçamento para R$ 2 bilhões e buscar eficiência para triplicar o número de matrículas. Quero chegar a 450 mil, 500 mil matrículas e oferecer o máximo possível de cursos técnicos. Não só os cursos técnicos regulares, mas também os cursos de menor duração. Cursos focando a demanda de mercado, como fiz no Senai. A formação profissional não precisa ser só na escola. Você pode fazer curso técnico dentro das próprias fábricas.
 
GCN - Sempre que crimes hediondos abalam o país, como os casos que envolvem Eliza e Mércia, supostamente mortas por seus namorados, ganha força a discussão da adequação das penas no Brasil. O senhor é contra ou a favor da pena de morte?
Skaf -
Sou contra. Só Deus tem o direito de tirar uma vida. Nós não temos.
 
GCN - O debate sobre o avanço das drogas ilícitas, como maconha, cocaína e, especialmente, crack, é intenso. Há quem defenda a liberação do consumo de algumas drogas como meio de combater e enfraquecer o tráfico. Qual sua opinião sobre o tema?
Skaf -
Sou contra também. Você tem que combater o traficante com segurança pública. Não podemos aceitar a ideia de que não temos eficiência suficiente para combater o tráfico e o crime. Deixar de ser crime o que hoje é e liberar o uso de drogas, reconhecendo a incompetência do Estado, sou contra. Traficante é criminoso. Tem que ser penalizado, cercado, sufocado. E o usuário também comete crime. As penalidades para o usuário são orientação e tratamento, mas também é crime.
 
GCN - A Argentina aprovou, há poucas semanas, uma legislação que autoriza a união civil entre pessoas do mesmo sexo, seguindo muitos países onde a situação já está regulamentada. No Brasil, a questão segue controversa. O senhor defende a regulamentação dos direitos dos homossexuais?
Skaf -
Sou contra qualquer tipo de preconceito. Não vejo nenhum problema.
 
GCN - O senhor acha que casais homossexuais também deveriam ter o direito de adotar crianças?
Skaf -
Sou contra qualquer tipo de preconceito. A partir do momento que estão unidos, não vejo nenhum problema de adotar. Principalmente dentro da nossa realidade. Tantas crianças precisando ser bem cuidadas. Se alguém quer cuidar bem de uma criança, quem tem o direito de falar não? É melhor a criança ficar mal cuidada? Não tenho nada contra isso não, pelo contrário. Todo mundo que quiser adotar uma criança merece nosso respeito e consideração.
 
GCN - Qual sua opinião sobre o projeto de lei que proíbe palmadas, beliscões e castigos físicos em crianças e adolescentes?
Skaf -
Nós temos prioridades no país. Temos tantos problemas. Sou, lógico, contra agressão, mas, para isso, já tem legislação que proíbe. Agora, o Estado querer entrar na casa da pessoa e controlar se a mãe vai dar aquela palmadinha no bumbum, corretiva ou não, eu penso que isso não é uma prioridade.
 
GCN - Uma pesquisa feita pelo Hospital das Clínicas em São Paulo aponta que no Brasil mais de 5,3 milhões de mulheres já praticaram um aborto, quase sempre em condições precárias em clínicas clandestinas. O senhor é contra ou a favor da legalização do direito ao aborto?
Skaf -
Sou contra o aborto.
 
GCN - Em todas as circunstâncias ou só naquelas previstas em lei?
Skaf -
Só nas previstas.
 
GCN - O governador paulista constantemente é obrigado a se posicionar quando há ações organizadas por grupos de sem-terra. Qual sua opinião sobre a reforma agrária? E sobre a invasão de terras?
Skaf -
Reforma agrária tem que ser feita, bem planejada, bem controlada e com eficiência. Sou a favor da reforma agrária. Invasão de terra é ilegalidade. Seja invasão de terra ou qualquer ilegalidade, o governador Skaf não dará cobertura. No meu governo, não vou permitir qualquer tipo de ilegalidade. A lei será cumprida rigorosamente.
 
GCN - O senhor descarta a negociação com movimento social em terra invadida? Tem que “desinvadir”, como diria Geraldo Alckmin?
Skaf -
Lei é para ser cumprida ou, então, muda a lei. O diálogo vem antes. Não é primeiro você dá uma bordoada e fala: ‘Agora te assustei’. Eu não sou de me assustar, não. No diálogo, na busca de soluções, sou completamente aberto. Agora, invadir, praticar ilegalidade pensando que vai assustar para depois fazer negociação... Isso Não. Esse é o caminho errado. No meu governo, não vou permitir isso de jeito nenhum!
 
GCN - O que o senhor acha da proposta da CNBB que sugere limitar o tamanho das propriedades rurais em 1000 hectares?
Skaf -
Isso não é realista para o Brasil. Não adianta fazermos projetos que fujam da realidade que existe hoje em São Paulo e no Brasil. Sou contra esse projeto.
 
GCN - Muito tem se discutido sobre as possibilidades abertas para a cura de doenças através do uso de células-tronco embrionárias. Nos EUA, as pesquisas, autorizadas pelo presidente Barack Obama, acabam de ganhar também aval da Justiça. No Brasil, a questão segue controversa. Qual a sua opinião?
Skaf -
Antes de você implantar a célula, não há vida. E nós não podemos ir contra o desenvolvimento, o avanço de uma ciência que vai ser muito útil para a medicina e para o ser humano. Então, sou a favor.
 
GCN - No Estado de São Paulo, recentemente, foram criadas leis que limitam as liberdades individuais, como a lei antifumo, que proíbe o cidadão de fumar em locais de aglomeração, a bem da saúde pública. Qual a posição do senhor a respeito?
Skaf -
Eu estou com os 90% de pessoas que estão de acordo com essa lei. Uma lei em que 90% das pessoas acham positiva não pode estar errada. Faço parte desses 90%.
 
GCN - O senhor critica, frequentemente, a lentidão da saúde pública do Estado, a demora abusiva dos atendimentos, exames e outros procedimentos. Chegou, inclusive, a dizer que, se for eleito, pretende reduzir a espera por consulta a, no máximo, 15 dias. Como fará isso?
Skaf -
O atendimento primário no posto de saúde é de responsabilidade dos municípios. Começam aí os problemas. O atendimento é muito ruim. Há a necessidade de se ter um padrão de atendimento. Como governador, pretendo colocar um projeto em que todos os 645 municípios vão ter apoio, inclusive financeiro, do Estado. Hoje o cidadão consegue ser atendido por um clínico geral, que o encaminha para o especialista. Mas, para marcar a consulta com especialista, são meses. Aí, quando consegue falar com o especialista, ele pede uma ressonância ou um exame qualquer. Chega a levar um ano para ter um resultado efetivo. Vamos acabar com isso. Primeiro, recadastrando a fila de espera por atendimento que é falsa. Ninguém fica esperando um ano para fazer um exame. 30%, 40% das pessoas se viram, arrumam quem pague o exame, mas ainda constam na fila. Temos que recadastrar para conhecer o tamanho do problema verdadeiro. Temos que colocar para funcionar as instalações que nós possuímos em São Paulo. Um exemplo é o exame de ressonância. Temos 81 aparelhos em São Paulo, com capacidade de fazer de 600 mil a 700 mil exames por ano, sendo utilizados 12 horas por dia. Hoje fazem 120 mil exames, 20% da capacidade. Precisa colocar para funcionar esses equipamentos.
 
 
 
QUINTO BLOCO
GCN - Durante visita a Franca, em julho, o senhor disse que pretende criar o cargo de subgovernador nas regiões administrativas do Estado. Franca seria uma das capitais. Como a ideia funcionaria na prática?
Skaf -
Nós temos 15 regiões administrativas no Estado de São Paulo. Aqui em Franca, são 23 municípios. O governador fica muito longe dos municípios, fica muito longe do povo. Tem prefeitos que viajam todas as semanas para São Paulo. Perdem um dia, gastam dinheiro, pagam pedágio e deixam de ficar administrando sua cidade para assinar convênio de R$ 10 mil. Nós vamos criar conselhos compostos pelos prefeitos dos municípios que compõem a região administrativa. Aqui, são 23 prefeitos que comporão um conselho que irá priorizar as necessidades da região. De forma que, ao invés do Palácio dos Bandeirantes definir o que Franca precisa, o que precisa a região, vão ser as lideranças de Franca que vão definir. E para que essas prioridades não fiquem perdidas em São Paulo e levem meses ou anos para chegar na mão do governador, em cada sede de região administrativa, vou nomear um subgovernador. Em todas as regiões, já existe a presença das secretarias de Estado. Este subgovernador vai unir essas pontas. Ele vai receber as prioridades, vai assinar esses convênios menores para que os prefeitos não precisem estar a toda hora se deslocando para São Paulo. Ele vai ser o representante do governador, presente em cada região de forma permanente.
 
GCN - Seria um cargo nomeado, alguém indicado pelo senhor sem mandato fixo?
Skaf -
Exatamente. Como um secretário de Estado.
 
GCN - E esse subgovernador teria direito de ter seus pequenos secretários aqui ou o senhor imagina uma gestão muito enxuta, só um interlocutor?
Skaf -
O que não falta é espaço nas repartições públicas estaduais. Como as secretarias já estão descentralizadas, em todas as regiões já tem prédios, casas. Vou aproveitar, dentro do que já existe, uma estrutura enxutíssima. E isso não vai aumentar a despesa. Vai reduzir. Porque vai ter um representante que será nomeado não por visão política e, sim, no sentido de eficiência. Esta pessoa vai fazer com que todas as secretarias e todas as representações daquela região busquem eficiência também.
 
GCN - O senhor já declarou que pretende adotar o sistema de cobrança de mensalidade nas universidades públicas paulistas para estudantes com condições de arcar com as despesas do ensino universitário. Caso eleito, pretende levar essa proposta adiante?
Skaf -
Não é bem cobrar mensalidades. Os políticos, quando chega a época de eleição, não querem tocar em assuntos polêmicos. Um aluno do ensino fundamental custa R$ 2,5 mil por ano. Um aluno de medicina da USP custa R$ 60 mil por ano. São seis anos, quer dizer, é um custo de quase R$ 400 mil para o Estado para o estudante de medicina se formar médico. Normalmente, aquele que estuda medicina na USP não veio da escola pública, lamentavelmente. A escola pública, que deveria ser a melhor, é a pior. Quem entra em medicina na USP, normalmente, veio de escola particular, pagou um cursinho caro. Aí, ele faz os seis anos e se forma. Depois que se forma, ele vai fazer o doutorado, monta o seu consultório e cobra caro a consulta. Não tenho nada contra isso. Só que, a poucos metros do seu consultório, tem um posto de saúde sem médico. O que eu quero é abrir essa discussão. Não estou dizendo que vai cobrar ou não mensalidade. Estou provocando a discussão.
 
GCN - O senhor tem como adversárias duas legendas poderosíssimas, o PT, de Lula, e o PSDB, que governa o Estado há 16 anos. Como o senhor espera superá-las?
Skaf -
A sensação que tenho é que as pessoas querem mudança. Eu sinto isso. Mas, para mudar, é preciso um pouco de ousadia. Para mudar, é preciso coragem. E eu confio que o eleitor de São Paulo é ousado e corajoso. Mas são sempre os mesmos partidos, sempre as mesmas pessoas. O candidato do PSDB está há 14 anos no governo! Quando ouço propostas e ideias, a pergunta que fica é: por que não fez nos últimos 14 anos? O candidato do PT é político há 30 anos. Por que não fez nesses 30 anos? O que eu quero é uma oportunidade para poder transformar o Estado de São Paulo. Nós temos a necessidade de 260 mil vagas em creches. Quero fazer essas creches junto com as prefeituras. Para as prefeituras que não tiverem recursos, vamos fazer convênio. Nós temos 36 aeroportos em São Paulo, cinco deles, os principais - Guarulhos, Viracopos, Congonhas, São José dos Campos e Marte - são de responsabilidade da Infraero, do governo federal. Eu não quero saber disso. Ou o governo federal vai resolver os problemas que eles enfrentam ou vou fazer resolver de qualquer jeito, nem se for para pedir a estadualização dos aeroportos.
 
GCN - O senhor citou na sua resposta que pretende combater o problema das creches. O senhor diz que vai acabar com a falta de vagas em dois anos. É possível?
Skaf -
É possível sim...
 
 
 
SEXTO BLOCO
GCN - Candidato, a gente falava no último bloco sobre as creches. Como o senhor pretende acabar com as filas das creches do Estado em dois anos?
Skaf -
Temos 2,2 milhões de crianças de 0 a 3 anos no Estado de São Paulo. 37% dessas crianças são filhas de mães que trabalham. Isso dá, mais ou menos, 800 mil crianças. Precisaríamos, prioritariamente, de 800 mil vagas em creches. Hoje temos em São Paulo cerca de 540 mil vagas. Faltam 260 mil vagas. É o que nós precisamos criar. Creche é responsabilidade da prefeitura. Como governador, vou promover convênios com as administrações municipais de forma que a gente abra nos primeiros dois anos 260 mil vagas. Isso é muito fácil em relação a recursos. O Fundeb tem recursos para manutenção e chega a pagar R$ 2,7 mil por criança por ano. O custo em uma creche, bem administrada, é próximo a R$ 3 mil por ano. Então, o que precisa é o espaço físico. Ora, qual é a prefeitura que terá dificuldade de arrumar um espaço físico para colocar uma creche? Se faltar algum recurso, precisar completar alguma coisa, vamos fazer. Em 260 mil vagas, se você precisar R$ 300, R$ 500, R$ 1000, você está falando de R$ 50 milhões, R$ 100 milhões. É factível e não há problema para o Estado fazer isso.
 
GCN - Há alguns anos, durante o mandato do prefeito Sidnei Rocha, ele, cansado e desgastado com os problemas da saúde pública, reclamando da falta de recursos, devolveu a gestão da Saúde para o Estado. Quem passou a controlar as vagas de internação no único hospital do SUS na cidade, que é a Santa Casa, foi o governo do Estado, via uma unidade que mantém na capital. Há uma semana, Maria das Dores, uma senhora de 47 anos, morreu depois de esperar 17 horas em uma maca, no Pronto Socorro Municipal, por um fax que autorizasse a sua internação na Santa Casa. Como evitar que coisas como essa aconteçam?
Skaf -
Falando da saúde, quero começar pela prevenção. Temos que, no mínimo, dobrar o Programa da Saúde da Família, que é a prevenção. O melhor remédio para qualquer doença é a prevenção. Programas como este são bons, precisam ser estimulados. Depois, vem o atendimento primário, que é o posto de saúde. Ribeirão Preto, uma cidade rica dentro de um estado rico, é uma calamidade o posto de saúde de lá. O problema da saúde é muito controle, administração, gestão. Como pode ter uma burocracia que a pessoa morra à espera de um fax? Vamos fazer um sistema de atendimento primário que realmente possa ser implantado em todos os municípios. Depois do posto de saúde, vem o especialista, os exames, as cirurgias que demoram. A gestão é ruim, não são claros os controles. Precisamos fazer com que haja agilidade, revitalizar as Santas Casas porque elas atendem o SUS e o que recebem é insuficiente para cobrir o custo e acaba tendo um buraco. Vamos completar esse valor. Vamos apoiar as 200 Santas Casas do Estado de São Paulo.
 
GCN - Isso será feito com recursos do Estado?
Skaf -
Com recursos do Estado. Vamos complementar. A nossa estimativa é que vamos precisar de R$ 1 bilhão para isto. Vamos implementar os recursos de forma que as Santas Casas possam atender na plenitude. Vamos dar uma arrumada na saúde. O primeiro problema da saúde não é recurso. É gestão. Você precisa acertar a gestão e depois colocar os recursos que forem necessários. O sistema de saúde não tem uma logística. Então, nós temos que me-lhorar a gestão, buscar eficiência.
 
GCN - A prefeitura de Franca já realizou três concursos nos últimos dois anos e ainda não conseguiu contratar médicos por falta de interesse dos profissionais que sequer se inscrevem. Como o senhor pretende vencer a resistência que médicos têm a atuar na rede pública, principalmente no interior?
Skaf -
Você tem que estimular, tem que aumentar salários. Nós temos um projeto de aumentar os salários dos médicos que trabalham na rede estadual em torno de 20% no primeiro ano e, durante os quatro anos de mandato, entre 60 e 70%. Tem que buscar alternativas. Por isso, abri aquela discussão da USP. Imagine só, a poucos metros desse posto de saúde com dificuldade de ter um médico, ter alguém que estudou às custas do Estado, da sociedade em uma excelente faculdade. O que custa ele dar sua participação para diminuir esse problema?

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