Há quatro anos trabalhando em uma casa de massagem em Franca, M., 26, fala sobre sua rotina de garota de programa - que começou há mais de dez anos - imaginando que confere a ela um tom de naturalidade. “Trabalho para pagar as contas, faço planos com o dinheiro que ganho e tenho sonhos. Entre eles, formar minhas filhas e ter meu próprio negócio”.
M. trabalhava na zona rural de Presidente Prudente, onde ganhava R$ 30 por semana. Com 13 anos começou a se prostituir para ganhar mais. Treze anos depois de iniciar a vida na prostitui-ção, M. ainda lembra como foi a primeira vez que transou por di-nheiro. “Fazia de tudo na roça, panhei café (sic), quebrei milho... Um dia, menti para minha mãe dizendo que ia trabalhar em uma fábrica, mas fui me encontrar um velho. Lembro que eu estava de shortinho e ele era careca. Eu estava com vergonha e chorei muito depois que transamos e ele foi embora. Não imaginava como era um homem, o pênis... fiquei assustada”, disse a jovem.
Dos programas eventuais para uma rotina diária de traba-lho numa chacrinha foi um pulo. Pouco tempo depois, conheceu um homem de 55 anos. Acaba-ram se casando, “ele queria me tirar da vida”. Ficou viúva cinco anos depois. Com duas filhas para criar, M. disse que não pensou duas vezes: deixou as crianças com a família e voltou à prostituição, desta vez em uma casa de massagem em Campinas. Em seguida, veio para Franca.
Em entrevista ao GCN Comunicação, a jovem disse que prefere atender homens, mas por causa do dinheiro, não se nega a servir mulheres. Faz em média cinco programas por dia e ganha perto de mil reais por semana. “Pra mim, transar é como escovar os dentes ou tomar banho. Precisa fazer todos os dias”, disse ela.
Comércio - Quem são seus clientes?
M. - Médicos, empresários, donos de fábrica...
Comércio - Como eles são recebidos na casa de massagem?
M. - Quando o cliente chega, me apresento, explico como funciona a casa, quanto é o programa e quanto é a massagem. Apresento as garotas e ele escolhe com quem quer ir para o quarto.
Comércio - E como são os programas?
M. - As pessoas acham que é coisa de outro mundo, mas não é. É uma transa normal. Os clientes são carinhosos e também vêm aqui em busca do carinho, que às vezes não têm em casa.
Comércio - Você faz programa porque gosta?
M. - Não. Gosto do dinheiro. Ganho mais do que se eu trabalhasse numa fábrica. Eu pago minhas contas com o dinheiro que ganho aqui. Quem faz só por gosto, faz na rua e não cobra.
Comércio - Você se arrepende de ter se tornado uma prostituta?
M. - Não. Na verdade, quem se acostuma com essa vida, a ter dinheiro fácil, não consegue viver sem. Mas eu quero juntar grana e montar meu negócio, mesmo que seja uma casa de massagem como essa.
Comércio - No que você pensa quando está com o cliente?
M. - Penso no dinheiro e como vou gastar. Penso em fazer rápido e agradar o cliente para ficar com o dinheiro.
Comércio - Você tem filhos?
M. - Tenho duas filhas. Uma de 12 e outra de sete anos. Não falo nada para elas. Mas acho que a mais velha desconfia.
Comércio - Você não tem medo dela querer fazer a mesma coisa que você?
M. - Tenho sim. Por isso estou guardando meu dinheiro para ela poder fazer faculdade.
Comércio - Você não acha sua profissão perigosa?
M. - O único medo que tenho é de pegar uma doença. De estourar uma camisinha com alguém que tem uma doença.
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