O mercado do sexo pago em Franca é um mundo paralelo, pouco difundido, mas que fervilha em diferentes pontos da cidade. Um levantamento realizado pela reportagem do GCN Comunicação elencou os principais pontos de meretrício da cidade, o número de profissionais que praticam a atividade e o volume em dinheiro que esse mercado movimenta por mês.
Além dos conhecidos bares e esquinas da Estação e do Guanabara, que tradicionalmente concentram as atividades, a reportagem descobriu que há em Franca quatro casas de massagem, oito chácaras, uma sauna gay e até três lava-jatos espalhados pela cidade que subsistem da prostituição.
É nesses lugares que trabalha a maioria dos 200 profissionais do sexo que estão cadastrados no Ambulatório de DST/Aids da Prefeitura (o número total, de profissionais não cadastrados, pode ser ainda maior). O órgão público, que acompanha regularmente esses profissionais e fornece preservativos, aponta que o grupo é dividido em 130 mulheres, 10 homens e 60 travestis com idades entre 20 e 30 anos.
A reportagem entrevistou 25 desses profissionais e constatou que a maior motivação para se manter na atividade é o alegado ganho financeiro, considerado alto para os padrões da cidade. As mulheres entrevistadas garantiram que faturam em média R$ 500 por dia com a prostituição. Em época de pagamento de salários, quando a procura pelos serviços aumenta, o faturamento diário pode chegar ao dobro desse valor, relataram. “Tudo depende da beleza da menina, do local onde ela trabalha e do que está incluído no programa”, disse o administrador de uma chácara nos arredores de Franca, que pediu para não ser identificado.
Os travestis e michês entrevistados relataram ganhos semelhantes. Eles cobram valores que variam de R$ 30 a R$ 200 por programa, dependendo das características físicas do profissional do sexo, do dia da semana, do tipo de sexo e do local escolhido pelo cliente.
As casas de massagem são os locais que cobram o maior valor pelo serviço. Em cada uma delas trabalham entre cinco e 10 mulheres que atendem apenas das 12 às 20 horas, e não dormem no local. Os valores cobrados variam de R$ 70 a R$ 200, dependendo do tipo de serviço. “Temos mais de 100 clientes regulares”, disse Marcella (nome fictício), secretária de uma casa de prostituição no Jardim Dermínio (leia em apoio).
Em segundo lugar, no quesito “preço por serviço”, aparecem as chacrinhas, localizadas nos arredores de Franca. “A casa dá moradia, alimentação e roupa lavada. O expediente começa às 20 horas e vai até o último cliente. Chego a ganhar R$ 3 mil por mês”, disse por telefone uma das 12 moças que trabalham em uma chácara na saída para São José da Bela Vista. Nesses locais, os preços giram em torno de R$ 70.
Os garotos de programa garantem espaço nas ruas do Centro, na internet e em uma sauna. “Somos 11 rapazes aqui. Todos trabalham durante o dia e encaram o serviço de michê como um bico. A clientela é selecionada e o preço varia de acordo com o freguês e com o michê, mas varia entre R$ 40 e R$ 80. Na rua é mais barato”, disse Cauã, francano de 22 anos, que atende na única sauna gay da cidade.
Nas ruas da Estação e do Jardim Guanabara, os preços realmente caem. Ali, as mulheres se misturam com travestis e obedecem a uma lógica geográfica: quanto mais próximo da Rodovia Cândido Portinari, mais intensa é a atividade e menor é a quantia cobrada, variando de R$ 30 a R$ 50. “Fazemos dentro do carro ou no motel, mas é R$ 10 mais caro. Às vezes, quando o homem vem de moto a gente vai ali no terreno baldio mesmo ou em alguma construção”, disse a travesti Kayla, que veio de Araxá (MG) para uma das esquinas da Avenida Integração.
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