Cabeleireira denuncia médico do PS 'Dr. Janjão' por abuso sexual


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Uma cabeleireira de 35 anos procurou o PS “Janjão” na última quarta-feira, com alergia nos braços. A paciente foi atendida pelo médico VCO, de 60 anos, e registrou ocorrência na polícia contra ele por abuso. Em depoimento à polícia, a mulher disse que durante a consulta o médico teria pedido para ela descer as calças e se virar de costas para examinar suas nádegas. A paciente estranhou o pedido porque a alergia estava nos braços, mas atendeu o médico. Em seguida, segundo ela, VCO falou para se virar de frente e colocar a calcinha de lado para ele avaliar a região pubiana. Neste momento, a mulher começou a chorar e deixou a sala do médico. Na delegacia, registrou boletim de importunação ofensiva ao pudor.
 
Ontem, a cabeleireira disse que está muito abalada e constrangida e não quis dar entrevista.
Existem contra o médico pelo menos quatro queixas formais. Outra paciente teria passado por situação semelhante à da cabeleireira e o denunciou à polícia por abuso. O fato ocorreu em novembro de 2009. Na ocasião, uma vendedora de 24 anos esteve no “Janjão” porque havia ferido o pé direito ao pisar numa espinha de peixe. No pronto-socorro foi atendida por VCO e também deixou a sala aos prantos porque, segundo ela, ao ouvir seus batimentos cardíacos, o doutor passou a mão em seus seios. O médico negou a acusação.
 
Dez dias antes da denúncia da vendedora, ainda em novembro, o clínico geral havia se envolvido em outra confusão. Um sapateiro de 32 anos registrou boletim na polícia porque VCO teria discutido com ele no “Janjão”.
 
Uma outra denúncia foi registrada contra o médico em 2009. No mês de fevereiro foi acusado de omissão de atendimento. De acordo com o boletim feito na época, uma senhora de 90 anos foi consultada por ele porque havia caído e estava com dores no braço direito. Ele a atendeu e liberou. Como o braço continuou dolorido e inchou, a paciente retornou ao hospital e em consulta com outro profissional constatou fratura no pulso.
 
Segundo o secretário municipal de Administração, Jerônimo Sérgio Pinto, dois processos administrativos estão em andamento para apurar a denúncia do médico ter acariciado os seios de uma paciente e de ter gritado e sido mal educado com uma senhora atendida no pronto-socorro municipal. “Os processos estão em fase de decisão, ou seja, serão encaminhados para o secretário de Saúde avaliar a apuração dos fatos e decidir que providencia tomar. O médico poderá ser inocentado ou punido com advertência verbal, por escrito, suspensão ou demitido. O servidor poderá recorrer”. O secretário de Saúde, Alexandre Ferreira, não foi encontrado ontem para comentar o assunto. 
 
O médico Ulisses Minicucci, delegado regional do Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) de Franca, disse que há sindicâncias em andamento para apurar as denúncias contra VCO, exceto a denúncia da cabeleireira, porque o órgão não foi comunicado oficialmente sobre o caso. “A apuração está sendo feita em outras delegacias para garantir a isenção. O médico continua as atividades porque, como na Justiça comum, enquanto não for condenado, é, por presunção, inocente”. O clínico geral poderá ser advertido, suspenso e até expulso do Cremesp.
 
A reportagem tentou localizar o médico VCO, mas no “Janjão” a atendente disse que ontem ele não estava de plantão. Na lista telefônica não consta seu nome nem contato de consultório particular.
 
Colaborou Marcos de Paula

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