É impressionante como a história pode se repetir se não tomamos o devido cuidado. Ela se repete porque certas situações se apresentam com vestimentas diferentes, mas com conteúdos (fatos e factóides) repetidos.
O desespero que a oposição de direita (PSDB, DEM e PPS) demonstra, somado ao desespero de parte da mídia de mercado tem provocado um desvio perigoso no conteúdo da campanha presidencial. Por um lado, vemos a candidata Dilma sendo, diariamente, interrogada (e não entrevistada) e do outro lado temos o candidato Serra esperançoso porque encontrou um mote para a sua campanha sem proposituras. Se bem que esperar de um tucano algum tipo de proposta que não seja a de maquiar e de privatizar é um exercício de boa vontade. Temos, ainda, do lado oposicionista o PV da Sra. Marina que ainda não sabe a que veio, se para apresentar alguma proposta para esse diversificado Brasil ou se apenas para servir (como tem feito na política paulista e nacional) de apêndice do PSDB/DEM.
O fato (ou factóide) é que nas últimas semanas a campanha do PSDB/DEM tem apenas falado da quebra do sigilo fiscal de militantes do PSDB e da filha do candidato Serra e, de forma oportunista, a mídia tucana reproduz exaustivamente tal fato. Aliás, alguém pode me explicar por qual razão esses sigilos fiscais foram quebrados? Quem invadiu essas informações pessoais buscava alguma informação. Qual?
O problema da candidatura Serra é que os tucanos são demasiadamente elitistas e arrogantes para não terem enxergado que o país mudou com Lula. A sua arrogância é tamanha que acreditavam que o fenômeno Lula era restrito a 8 anos de mandato e que não teria força e expressão para repercutir na candidatura apoiada pelo Presidente. O Serra, ao se julgar imbatível, demorou em assumir sua candidatura, fez pouco caso da importância do Aécio Neves dentro do seu partido, prometeu casamento apenas ao moribundo DEM (que lhe indicou um vice caricato) e se esqueceu de formular uma proposta de governo inovadora ou, pelo menos, que aprimorasse aquilo que o atual governo tem feito e, vergonhosamente, tentou colar a sua imagem ao do Presidente Lula.
Agora, no desespero, repetem os mesmos atos que Collor e FHC praticaram nas campanhas anteriores contra o candidato Lula. A candidatura Serra vai perdendo o seu rumo e se agarrando a essa prática vergonhosa de fazer política, executada por setores da grande mídia que, ao criar factóides, tentam desviar a atenção do eleitor. A novidade é que o povo brasileiro não está demonstrando, dessa vez, vontade de engolir essas estórias.
Acredito que ainda veremos, nessas três semanas que antecedem as eleições, novos lances de desespero e, infelizmente, não teremos muito contato com as propostas dos candidatos porque não haverá espaço na mídia para esse tipo de divulgação. Continuaremos a ver os ‘analistas’ de plantão tripudiar sobre a candidatura Dilma tentando, descaradamente, relacionar tudo que acontece de ruim no Brasil com a sua candidatura. Deu certo no passado. Tentarão repetir a história.
Cassiano Pimentel
Agente de exportação e professor universitário
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