Por uma Saúde Pública mais humana


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Luciana Mendes Cruz, coladeira de peças, tinha apenas 21 anos de idade, uma vida toda pela frente e três filhos para cuidar. Conhecida como ‘Preta’, sofreu um calvário que durou três dias e culminou com a sua morte. Ela é mais uma vítima deste sistema perverso de Saúde Pública do País que não foi eficiente também no atendimento da dona de casa Maria das Graças Vieira de Souza, 47, na semana passada. E também da garotinha Joanna Cardoso Marcenal Marins, de 5 anos, que morreu no dia 13 de agosto, depois de um mês em coma, num hospital do Rio de Janeiro, após ser atendida por um estudante de medicina que se passava por médico e a liberou desacordada. São histórias comuns a várias vítimas de erros, descaso, mau atendimento e até falta de condições de higiene e espaço físico inadequado. O sistema público de saúde agoniza e teria que se tornar a prioridade número um para qualquer governante bem intencionado, que realmente pretenda colocar o Brasil no rumo do desenvolvimento.


Não adiantam as loas ao crescimento econômico, à comida no ptrato e ao desenvolvimento do turismo se o Brasil não pode apresentar números mais positivos no que diz respeito à Saúde Pública. A população torna-se cada vez mais cética quanto à possibilidade de melhora nesta área, e em plena campanha para a presidência da República, não se veem propostas novas e sérias para a saúde pública, aliás, nem se veem de fato propostas para melhorar o que vai muito mal. Se a morte em si já é um trauma para qualquer pessoa, torna-se ainda mais doloroso aos familiares velarem um ente querido sem que se saiba o que causou sua morte depois de horas (ou dias) de agonia, numa inútil busca por uma resposta para os seus problemas de saúde.
 

O Brasil contabiliza muitas Lucianas, Marias, Joannas e muitos outros personagens que no final tornam-se números engrossando estatísticas oficiais. O Sistema Público de Saúde, em todos os níveis (federal, estadual e municipal), deixa ainda muito a desejar. O brasileiro sonha com o momento em que não mais precisará contar com a sorte para não se ver como mais uma vítima. Todos nós queremos que no Brasil a saúde pública deixe de ser encarada - principalmente por seus gestores e servidores - como uma ‘esmola’ aos menos favorecidos. O direito à saúde precisa ser amplamente valorizado para que não choremos outras vezes por pessoas que buscam um alento para seus males e encontram a morte, de forma inexplicável. A saúde precisa ser tratada como prioridade máxima e absoluta. Somente a partir daí é que os demais índices positivos poderão ser exaltados e verdadeiramente comemorados.

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