Com a finalidade de oferecer a donas de casas e pessoas que não conseguem emprego oportunidade para terem a própria renda, o Fussol (Fundo Social de Solidariedade) oferece mais de 20 tipos de cursos gratuitos nas áreas de alimentação e artesanato. Desde 2005, quando as oficinas começaram, até julho deste ano, foram atendidas 18.760 pessoas em cerca de mil cursos. Histórias de alunos que colocam em prática o que aprenderam para lucrar e sustentar suas famílias não faltam.
A artesã Maria de Lourdes Souza, 45, é uma das alunas que comemoram a reviravolta em sua vida. Ela trabalhou como doméstica dos 9 aos 40 anos e após o curso de artigos em couro conquistou outra profissão e sobrevive com a venda de bolsas, flores e tapetes de couro e tear. “Achava que ia morrer trabalhando como doméstica. Sempre queria mudar, mas falava ‘nasceu assim, tem que morrer assim’. Mas não, a gente tem que correr atrás dos sonhos”.
Maria de Lourdes teve oportunidade de aprender a fazer bolsas de couro quando procurou a Prefeitura em busca de ajuda para visitar o filho preso por latrocínio. Muito angustiada na época, foi convidada para participar do curso e aceitou. “Fiz puffs, bolsas, cortina, tapetes e começamos a vender e a lucrar. A gente divide entre quatro pessoas o lucro e já chegamos a tirar R$ 300 cada uma”.
Hoje ela sobrevive com a venda do artesanato e bolsas do governo e se orgulha de ter melhorado suas condições. “Nunca pensei que tiraria meu sustendo da venda de bolsas. É algo que não tem explicação. Ainda mais da família que eu vim, porque a gente cresceu falando que não servia para fazer nada e de repente me vejo assim, trabalhando como artesã”.
Desde que fez o primeiro curso no Fussol, a rotina de Ileusa Aparecida Garcia Souza, 47, também se transformou. Acostumada a cuidar da casa e das duas filhas, Ileusa se tornou artesã e hoje tem orgulho de contribuir com o sustento da família. Há quase seis anos ela estava assistindo televisão quando viu anúncio do curso de tear oferecido pelo Fussol. Ficou interessada e se inscreveu para as aulas. Ela descobriu suas habilidades para os trabalhos manuais e hoje, além de vender os produtos para particulares e fornecer peças para fábricas de bolsas e sandálias, ela é monitora do Fundo Social e ensina o que aprendeu a outras alunas. Ela também ensinou tear para o marido e a filha. Durante o dia ela ministra as oficinas e à noite conta com apoio deles para produzir para as fábricas. “Não saio mais daqui. Acho que se um dia acabar esse projeto, vou ficar doente”.
Com a renda de professora e a venda dos produtos, consegue em média R$ 800 por mês. Ajuda a pagar os R$ 520 de mensalidade da faculdade da filha que cursa economia e colabora com as despesas da casa. “Depender somente do meu marido era difícil. Agora ele conta comigo e muito. Sem contar as amizades que fazemos aqui”.
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