Mortes no PS 'Dr. Janjão' deixam pacientes com medo


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As duas mortes em uma semana deixaram os pacientes que dependem do Pronto-socorro “Doutor Janjão” preocupados e inseguros com os serviços prestados pelo hospital. No dia 1º, uma mulher de 47 anos morreu no local à espera de transferência para a Santa Casa. Na última terça-feira, a segunda morte: uma jovem de 21 anos morreu após passar por três dias pelo “Janjão”. A sensação de quem depende do pronto-socorro é de medo. Com as recentes mortes, os pacientes temem não conseguir atendimento ou não ter seus problemas diagnosticados rapidamente.

São atendidas em média 1.096 pessoas por dia no “Janjão”, que possui 230 profissionais - entre eles, 66 médicos. Na manhã de ontem, a reportagem do GCN Comunicação passou por todas as etapas de atendimento do pronto-socorro. Com 46 pessoas, algumas sentadas e outras em pé na sala de espera, as consultas de emergência estavam sendo feitas por apenas um médico. A espera para ser atendido era de uma hora e quinze minutos. A consulta durava cerca de cinco minutos. 
Enquanto aguardava, a maioria dos pacientes comentava as mortes da última semana. De 22 entrevistados, 13 se sentiam inseguros com o atendimento prestado. “Tenho medo de que aconteça a mesma coisa comigo. A espera para ser atendido é grande, mas eles dispensam muito rápido e não veem realmente o que está acontecendo. Já cheguei a vir de madrugada umas cinco vezes, chorando de dor e não sabia o que era. Primeiro disseram vesícula, depois problemas menstruais, apendicite e por fim endometriose”, disse a coladeira de peça Kênia Serafim Campos, que na manhã de ontem sentia dores corpo e na garganta. 
A vendedora Naiara dos Santos Barbosa saiu do pronto-socorro ontem sem uma resposta convincente. Com sintomas de fraqueza e dor no estômago, ela não conseguia nem ficar em pé. Depois de ser atendida, recebeu o diagnóstico rápido do médico. “Virose. Mas ele (o médico) não falou porque que deu, não pediu exames, só me deu uma injeção. Estou com medo de que não seja isso, ele nem me examinou direito, foi muito rápido”, disse. 
A reportagem do GCN voltou ao “Janjão” na tarde de ontem e se deparou com o mesmo cenário presenciado no período da manhã. Na emergência havia de novo apenas um médico para atender mais de 40 pessoas que aguardavam para serem consultadas. 
Procurado pela reportagem por pelo menos cinco vezes ontem, o secretário de Saúde, Alexandre Ferreira, não atendeu aos telefonemas. A assessoria da Prefeitura disse que ele não opinará sobre o assunto e nem sobre as duas mortes até que tenha um resultado do que aconteceu. 
 
AS MORTES
No dia 1º, após 17 horas de agonia sobre uma maca do pronto-socorro, a dona de casa Maria das Graças Vieira de Souza, 47, não resistiu e morreu. Ela tinha hipertensão e aguardava autorização para ser transferida para a Santa Casa. Uma semana depois, a coladeira de peças Luciana Mendes Cruz, 21, durante três dias seguidos foi até a unidade por quatro vezes com mal-estar. Ela morreu de insuficiência respiratória e pneumonia no dia 7, após ser transferida para a Santa Casa. As famílias das vítimas acusam os médicos de negligência.

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