Não tem graça


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É  lamentável assistir à propaganda política e ver tanta brincadeira com assuntos tão relevantes. Muitas pessoas dizem que assistem ao horário eleitoral apenas para rir das figuras cômicas que se apresentam como os futuros administradores do País. Isso é chocante, pois estão brincando e fazendo chacota com o destino de nosso País e de nossas crianças.


Será que não passa pela antecâmara do cérebro do eleitor que essas pessoas que mal sabem ler vão deter um poder incomensurável nas mãos e que suas decisões afetam a vida de várias gerações? É simples. Imaginem um indivíduo que pretenda ser empresário, mas que desconhece completamente o ramo de atividade em que irá atuar. Ele não sabe que para desenvolver uma atividade empresarial tem de estudar o ambiente, o mercado globalizado, os riscos não só econômicos, mas também os naturais, a conjuntura interna e externa, as pressões da concorrência, e muito mais. Se ele desconhece esses fatores dificilmente sobreviverá. Eleitor, política não é brincadeira. Administrar um país é tarefa árdua e desgastante. Não é tão bonitinho como desenha a propaganda. Existem pressões externas e internas que a mediocridade não pode suportar. É preciso ser viril, forte e profundo conhecedor do jogo da política para não se deixar enganar pelo canto da sereia que seduz, domina e subjuga os fracos e pedantes.


Adriano Benayon do Amaral escreveu um livro – Globalização versus Desenvolvimento – e grafou: ‘No sistema político e econômico em que um país é controlado fundamentalmente por grupos financeiros estrangeiros, todos os ditos poderes internos são corruptos: não se trata, portanto, de um poder corrupto, o executivo, controlando os outros dois. Deve-se, a meu ver, assinalar também que, sob esse sistema, o povo brasileiro tem sido vítima, crescentemente, há séculos, e mais intensamente desde o final da Segunda Guerra Mundial, da deseducação, da falta de patriotismo e da ignorância impostos por esse sistema. Ou seja: os poderes são corruptos, mas não porque isso reflete as deficiências do povo. Os poderes foram sendo gradativamente ocupados por interesses das oligarquias externas, por meio da corrupção direta, e o povo foi sofrendo o processo de gadificação por imposição dessas oligarquias, com a conivência e a colaboração cada vez maior da classe política corrompida’.


É prioritário que se abdique desse romantismo de outrora no qual qualquer pessoa que prometesse pares de sapatos, próteses dentárias e outras bobagens, era eleita e ponto final. O mundo mudou. Só o povo brasileiro não percebeu. Uma campanha para qualquer cargo exige uma despesa vultosa. Quem paga? De onde vem o dinheiro? Dizem que todos têm um preço.


Não aceite a mordaça. Não aceite o que está no rótulo. Procure sempre descobrir o que está dentro do frasco. Os tempos são difíceis e as mentes estão dominadas, mas isso não significa que devamos seguir nessa vida de gado. O gado se realiza como tal com muito pouco. O ser humano, não. Somos capazes de muito mais. Não é normal o que está acontecendo. Não ria das figuras que aparecem na propaganda. Esse engraçadinho está prestes a ocupar um cargo público estratégico e quem vai pagar o salário dele é você. O palhaço é humilde e se contenta em alegrar as crianças. Os palhaços do horário eleitoral são espertalhões vendidos e querem que você se identifique com eles.

 

Nadir Ap. Cabral Bernardino
Professora

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