Unesp em xeque


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As Universidades públicas gozam em geral de grande grau de autonomia. Além disso, no
caso do Estado de São Paulo, alimentam-se também de orçamentos generosos em relação à realidade brasileira. Não poderia ser diferente, em ambas as situações, se for considerada a importância do ensino e da pesquisa superior para o desenvolvimento. Ocorre que a transparência também é necessária — e a universidade é paradigma numa democracia.

Esta semana será decisiva para se saber até que ponto a Universidade Estadual Paulista, rede espalhada pela Capital e grande parte do Interior, exerce esse atributo na sua plenitude. Um teste para as suas instâncias de gestão universitária.


Segundo publicou o Jornal da Cidade, de Bauru, o diretor da TV Universitária responde a um processo administrativo disciplinar que apura responsabilidade por danos materiais. Em outubro de 2009, houve a quebra de equipamento responsável por ajustar o funcionamento do canal para o Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD). Na ocasião, o componente, importado dos EUA ao custo de R$ 260,5 mil, teria sido manuseado e transportado do Porto de Santos sem obedecer ao protocolo estabelecido pelo seguro. Com o dano, um novo aparelho foi adquirido.
 

A questão vai além do acidente e da apuração de culpados. A reportagem do Jornal da Cidade destaca que se trata de um projeto relevante, com abrangência inicial de 92 cidades, mas desde sua concepção a emissora da Unesp dá sinais de que está criando um “feudo”, dificultando a transparência no uso do dinheiro público. A emissora, que ainda não foi ao ar, possui 60 funcionários e há três anos fez investimentos que chegam a R$ 15 milhões.

 

Jovens, drogas e internet
Duas reportagens especiais chamam a atenção para problemas distintos enfrentados por parcela cada vez mais significativa dos jovens, que merecem atenção de pais, educadores e agentes públicos. Em Mogi das Cruzes, o número de dependentes de drogas lícitas e ilícitas teria mais do que triplicado em dez anos. Especialista ouvida pelo jornal O Diário diz que ocorre uma verdadeira “epidemia”. Outra observação é que a dependência se inicia cada vez mais cedo. Antes, era raro atender adolescente de 15 ou 16 anos. Hoje está bem mais comum. Já O Vale, de S. José dos Campos, aborda o desafio dos viciados pelo universo digital. Os jovens jogam games, se relacionam em redes sociais e absorvem uma massa grande de informação diariamente. O problema é que o tempo dedicado à internet é quase sempre excessivo. O Hospital das Clínicas da USP abriu em 2007 um consultório para tratamento a “viciados digitais”. O serviço é procurado por pais de todas as regiões do Estado, preocupados com o comportamento dos filhos.


Educação ambiental
Piracicaba mudou as regras em relação às multas por corte de árvores ou poda radical. Os valores poderão ser reduzidos em até 90% se o infrator assinar termo de compromisso de cessar o dano e repor o prejuízo ao meio ambiente. As multas hoje variam de R$ 173,20 a R$ 575,09, dependendo a gravidade. A medida coincide com outra proposta enviada à Câmara de conscientização ambiental da população. A maioria das cidades carece de arborização e a falta de cidadania ainda solapa o que já existe. O poder público pode fazer muito, com política bem definida de fiscalização e orientação da população. É o que tenta agora fazer Piracicaba. Vale acompanhar.
 

Absurdo
De janeiro até 23 de agosto, o Copom (Centro de Operações da Polícia Militar) em Araçatuba recebeu 800 trotes telefônicos. Desse total, 720 geraram deslocamento de viaturas e policiais para averiguação da chamada. O número é preocupante, segundo ressalta a Folha da Região, pois a saída para o atendimento de ocorrências falsas tira os policiais do patrulhamento preventivo e deixa a população à mercê dos criminosos.
 

Demora na Saúde
Só daqui a três semanas o Instituto Pasteur, ligado ao governo do Estado, irá emitir um laudo conclusivo sobre o que ocorreu com as doses da vacina contra raiva para cães e gatos, segundo destaca o jornal O Diário, de Mogi das Cruzes. As vacinas começaram a ser aplicadas de forma gratuita, em campanha pública, e geraram “reações exageradas nos animais”, levando alguns, inclusive, à morte. Mas a suspensão do programa de imunização não se reverteu, necessariamente, num aumento da procura pelo medicamento na rede particular. Veterinários estão preocupados com o problema, que diz respeito à saúde pública.

 

Wilson Marini
wmarini@apj.inf.br

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