As pipas que voam no céu


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Inventada há 200 anos antes de Cristo, a pipa já foi utilizada como fins mi-litares e arquitetônicos
Inventada há 200 anos antes de Cristo, a pipa já foi utilizada como fins mi-litares e arquitetônicos

Olhamos uma pipa no céu, colorida e móvel, sendo conduzida do solo por uma criança que a empina à distância com gosto e arte, e muitas vezes não imaginamos que este é um dos brinquedos mais antigos do mundo. Só para você ter uma idéia, 200 anos antes de Cristo, pipas de vários tamanhos já enfeitavam o céu dos chineses.


Na China, contam que um arquiteto queria medir o tamanho de um túnel que deveria ser esca-vado na montanha onde se erguia o castelo do Imperador Han Hsin. Para medir a altura e saber até onde os operários deveriam esca-var, ele fez da pipa um instrumento. Deixou-a subir até a altura desejada, recolheu o fio e soube como deveria trabalhar.


Mais tarde, este povo que em determinado período de sua história foi muito guerreiro, usou a pipa para a comunicação entre soldados. Um general teve a idéia de combinar com seu exército uma linguagem de pipas. Assim, se fossem avistadas três pipas vermelhas a leste, os soldados deveriam avançar, se vissem  cinco pipas azuis a oeste, deveriam recuar. Deu certo. O general venceu a batalha e outros o imitaram.


Além deste uso com fins mi-litares, e do outro, com objetivos arquitetônicos, havia uma simbologia religiosa no ato de elevar aos céus as pipas. Elas representavam desejos de sorte, felicidade, fertilidade e vitória. Assim como hoje espocamos fogos na passagem de um ano a outro, entre os chineses eram as pipas que representavam esperanças de tempos melhores.


No Oriente, as pipas também eram usadas para cumprimentar alguém, em geral algum chefe importante, quando este completava mais um ano de vida. Se a pipa exibia o desenho de uma tartaruga, isto significava o desejo de vida longa ao aniversariante. Se a imagem era a de uma coruja, os votos eram de muita sabedoria  na condução dos negócios do reino.


Outro dado curioso na história das pipas foi a sua importância nas experiências de alguns inventores já em tempos mais recentes. O norte-americano Benjamim Franklin usou centenas de pipas até descobrir como se dava a descarga de um raio e, a partir de então, como criar um para-raio, de imensa utilidade para salvar vidas.


 Outro inventor famoso, o brasileiro Santos Dumont, fez muitas experiências com pipas, bem antes de montar o primeiro projeto do que seria o 14 Bis. Se você já leu a respeito, este foi o primeiro objeto voador mais pesado que o ar e que daria origem ao avião. Santos Dumont conseguiu  a proeza de voar durante alguns minutos em junho de 1906, no campo de Bagatelle, em Paris.

 

Oficinas de Pipas em Franca

Quase todas as crianças já passaram um dia pela experiência de fazer uma pipa e empiná-la. Existem fabricantes de pipas, que as vendem nas ruas e praças. Mas o bom mesmo é a gente colocar a mão na massa e fazer uma, com as cores, os formatos e as rabiolas que achar mais interessantes. O problema é que a pipa às vezes fica muito bonita mas não consegue alçar voo. Ela sobe um pouquinho, embica e cai.

Pois se você já passou por este aborre-cimento, saiba que não é difícil fazer uma pipa bonita que voe alto. Onde aprender? Vá ao Viva o Parque, que acontece uma vez por mês, sempre aos sábados, no Parque de Exposições Fernando Costa. É só chegar lá e procurar a professora Nilce Nei Rodrigues Bianco.
 
Ela e seus instrutores ensinam as crianças a fazer pipas e a empiná-las. É até simples: basta ter paciência para armar, colar varinhas de madeira, cobrir com papel de seda colorido e fazer a rabiola. Quanto mais criativo você for, mais bonita a sua pipa vai ficar. Depois é curtir o prazer de vê-la subindo ao céu, num dia de vento.
 
No sábado, dia 28 de agosto, o Clubinho foi  ao parque e falou com cinco crianças que ali se encontravam fazendo suas pipas: os irmãos gêmeos Mateus e Murilo Gonçalves de Oliveira Barbosa, 9 anos, mais o caçula, Marcelo, de 7; Jhondeivison Lopes Pereira, 7; Ana Carolina Celestino Marques,6. 

Jhondeivison conseguiu até "batizar" sua pipa, ou seja, descarregou toda linha do carretel e teve direito a dar um nome para seu brinquedo: Pipa Maluca. O pai de Ana Carolina, Mozair Marques, ajudou a menina na confecção de uma pipa roxa e se lembrou de seus tempos de criança. O instrutor Tiago Bizzi ensinou às crianças como se faz uma linda rabiola usando saco de lixo.
 
 
Agora, dois lembretes importantes para os pipeiros:
 
1. É preciso escolher um local adequado  para a brincadeira. Nas ruas e avenidas é perigoso, pois as pipas podem esbarrrar nos fios de alta tensão e isto é grave: se alguém encostar no fio da pipa, pode morrer.
 
2. Nunca se deve usar cerol na linha para cortar a linha de outra pipa que está no ar. Isto também é grave; dependendo do lugar, a linha com cerol pode causar até a morte de quem passar desavisado por elas e ter o pescoço cortado.

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