Prefeitura trabalha para salvar 600 famílias vítimas de violência


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VITÓRIA - C. segura a filha caçula. Dona de casa conheceu o trabalho do Creas quando seu filho foi retirado pelo Conselho Tutelar porque era viciada em álcool e estava ameaçada de morte por ter denunciado traficantes
VITÓRIA - C. segura a filha caçula. Dona de casa conheceu o trabalho do Creas quando seu filho foi retirado pelo Conselho Tutelar porque era viciada em álcool e estava ameaçada de morte por ter denunciado traficantes

C. (*) tem 35 anos e é mãe de dois filhos. O mais velho, fruto do primeiro casamento, tem 8 anos e a caçula está com três meses. C. conheceu o trabalho do Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social) num dos momentos mais traumáticos de sua vida. Ela tinha problemas com alcoolismo, havia denunciado traficantes de drogas em seu bairro e estava ameaçada de morte. Tudo aconteceu em 2008 e, diante dos problemas, o Conselho Tutelar decidiu retirar o filho do convívio com ela. C. é de Batatais, estava separada e não tem parentes em Franca. Recebeu apoio da equipe do Creas, que considera uma família. “Estava num desespero porque não aceitava ter perdido meu filho. O Creas que me ajudou a enfrentar a dor. Não fosse essa ajuda, acho que não tinha conseguido. Eu teria me suicidado por estar longe do meu filho”. C. ficou um ano separada do filho. Só o via aos fins de semana. Agora estão juntos novamente. 

 
O drama enfrentado por C. é apenas um dos que acompanhados pela equipe do Creas. A unidade atende, no projeto Família de Origem, 600 famílias, aproximadamente 2,4 mil pessoas. São famílias que viveram algum tipo de violência e foram encaminhadas para o Creas pelo Ministério Público, Conselho Tutelar, escolas e outras instituições. 
 
A maioria dos casos, cerca de 450 famílias, envolve crianças e adolescentes. As demais têm como vítimas idosos, deficientes e mulheres. Segundo a assistente social, Maria Inês Coimbra, coordenadora do Creas, a cada dez, sete sofreram negligência, ou seja, as crianças deixaram de ir à escola, não eram bem alimentadas ou ficavam nas ruas. No caso dos idosos, não receberam os cuidados que necessitavam. “Em muitas situações, a negligência foi involuntária porque a pessoa foi acostumada àquela situação e não sabe que é algo errado. Orientamos as mães, ajudamos a organizarem a família. Para idosos, quando a família não pode cuidar por não ter dinheiro nem tempo, sugerimos que fiquem num lar”.
 
Em torno de cem famílias estão sendo atendidas porque houve casos de estupro dentro de casa. Crianças e adolescentes foram abusados por pessoas conhecidas, principalmente padrasto, irmão ou tio. No grupo, há também adolescentes, de ambos os sexos, que se envolveram com prostituição; em alguns casos, para ter dinheiro para consumir drogas. 

O TRABALHO
A partir do momento que são encaminhados para o Creas, todos os membros da família são acompanhados com visitas domiciliares, atendimento social, psicológico, jurídico, terapêutico e cursos profissionalizantes. Quando há envolvimento com drogas, são encaminhados para tratamento.
 
Também são promovidos encontros em grupo para discutir temas como educação para mostrar as dificuldades de educar os filhos e a necessidade de impor limites. “Cada família tem uma proposta de atendimento diferenciada. Mas temos obtido bons resultados. Para se ter ideia, em apenas 7% (em 31) das 450 famílias com crianças e adolescentes houve a retirada das crianças do convívio com os pais. Nas outras, conseguimos reverter a situação e evitar esse trauma da separação”, disse Maria Inês, que mesmo quando os filhos são retirados, ainda acompanha esses casos. “Nossa intenção é ajudar a cumprir a função de proteger os filhos, os idosos, a mulher vítima de agressão, fortalecendo vínculos nas famílias”.
 
Após o atendimento no Creas, C. voltou a sonhar. Quer batalhar para realizar os desejos dos dois filhos. “Se o Creas continuar com esse trabalho no futuro, pretendo que me ajude a fazer algo pelos meus filhos, para eles serem alguém na vida, o que não consegui ser. Meu filho quer ser cantor e quero pagar um curso para ele. O Creas é a mão que preciso para tudo. É um amparo que tive da família”.

(*) A entrevistada pediu que sua identidade fosse preservada.

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