Para ficar longe das drogas, pintor pede para ser preso


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O jovem Elangleson Bruno Brito, 30, é viciado em drogas desde a adolescência e decidiu, no último domingo, se entregar à polícia “porque preso não usaria mais drogas”. Ele não pagou pensão alimentícia do filho e havia um mandado de prisão expedido para pr
O jovem Elangleson Bruno Brito, 30, é viciado em drogas desde a adolescência e decidiu, no último domingo, se entregar à polícia “porque preso não usaria mais drogas”. Ele não pagou pensão alimentícia do filho e havia um mandado de prisão expedido para pr

 

Marcos de Paula e Nelise Luques, da Redação
 
Elangleson Bruno Brito começou a usar drogas ainda na adolescência. Consumiu maconha, cocaína e está viciado em crack. Trabalha como pintor e ganha o próprio dinheiro, mas gasta todo o salário comprando pedras. O jovem passa noites fora de casa usando drogas sem dar notícia aos pais. Diz que já tentou se livrar da dependência várias vezes. Buscou ajuda na religião, recebeu dezenas de conselhos e chegou a ser internado em uma fazenda de recuperação, mas não conseguiu se desvencilhar das drogas. Nesta semana, Brito, que está com 30 anos, tomou uma decisão inusitada. Escolheu ficar atrás das grades para não continuar consumindo crack nas “biqueiras” da cidade - ponto de tráfico e consumo de drogas. Na manhã de domingo, depois de passar a noite inteira fumando crack, o pintor surpreendeu a polícia ao se dirigir até o Plantão Policial e pedir para ser preso. “Eu quero ficar na cadeia, só assim vou ficar sem usar essa droga”, disse ao GCN Comunicação, aos prantos.
 
Quando recebeu o pedido, o escrivão Rogério Primo explicou que não poderia prendê-lo, mas o pintor avisou que devia pensão alimentícia do filho de 8 anos e tinha um mandado de prisão expedido para prendê-lo. Há três dias, ele está preso na Cadeia do Jardim Guanabara. Brito diz que foi a única saída que encontrou para não fumar mais crack. “Essa droga está acabando comigo. Preciso de ajuda. Meu filho está crescendo sem o pai. Já perdi minha mulher e estou perdendo também meus pais”.
 
O pintor mora no Jardim Noêmia e diz que não quer mais que seus pais sofram por causa do seu vício, que começou quando tinha 15 anos. “É um caminho sem volta. Só por Deus mesmo. Quero sair dessa vida que só me arrasou”.
 
DECEPÇÃO
A mãe de Brito disse que passou muitas noites preocupada com o filho. “Deus deve ter se cansado de mim, de tanto que entreguei meu filho nas mãos dele. Rezava 24 horas. Depois que recebia o salário ele passava, domingo, segunda, terça fora de casa, gastando tudo em drogas”. Ela ficou decepcionada com a prisão do filho e disse que, como frente à dependência do jovem, se sentiu de mãos atadas. “Trabalhei honestamente para criar meus filhos. É triste ver um filho se entregar (à polícia) e não poder fazer nada. Infelizmente não achamos ajuda para ele deixar de usar drogas”, disse, chorando. A mulher é mãe de cinco filhos. Elangleson é o terceiro. “Ele é um menino que nunca tirou nada de ninguém. É trabalhador e me ajudava a pagar contas, mas quando viciou no crack passou a usar todo dinheiro que recebia para comprar a droga”. Ela espera que ele se recupere. “Dentro da cadeia tem droga também, mas espero que ele não encontre e não continue usando”.
 
Em entrevista ao GCN, neste ano, o clínico geral Roberto Takaoka alertou para os perigos do crack. Disse que, diferente das outras drogas, é altamente viciante e tem um efeito devastador para os dependentes. “O uso do crack, que é a cocaína em pedra, causa alteração pulmonar, alteração psíquica e outros tipos de comprometimentos... Se deixar usando crack, a pessoa vai morrer”.
 

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