Rotina acelerada transforma bolsas e até carros em closets ambulantes


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Já era a época em que as pessoas saíam de casa com tempo cronometrado para voltar. A mudança na rotina da maioria, que tem cada vez mais compromissos extraoficiais, a bolsa - e até mesmo o carro - virou uma espécie de guarda-roupa ambulante, com roupa para a academia, o futebol e o happy hour, sapato para o caso de o que se está usando machucar o pé, perfume, maquiagem, livros para a faculdade e etc, etc e etc.
 
No modelo de bolsa usado pela auxiliar administrativa Eloise Fernandes, 23, tem um pouco de tudo. Como ela tem uma filha pequena, o acessório se torna uma espécie de mala em porte menor, com brinquedo, comida e roupa para a hora que buscar o bebê, lanche para as duas, kit de primeiros socorros, perfume, maquiagem, óculos de sol e de grau, agenda, creme hidratante, escova de dentes e de cabelo, produtos de higiene pessoal e uma bolsa pequena que usa caso tenha que ir ao banco ou dar uma saída rápida. “Não suporto a ideia de querer alguma coisa que não esteja ao meu alcance, por isso sempre que saio de casa penso em tudo o que posso precisar e ainda exagero um pouco, afinal, é sempre melhor sobrar do que faltar”.
 
A publicitária Amanda Mendonça, 24, também leva boa parte da casa no ombro, ou melhor, na bolsa. Trabalhando como free-lancer, ela não tem muita rotina, o que faz com que leve consigo produtos que até um tempo atrás a maioria tinha apenas em casa, como a caixinha da lente de contato e o soro, por exemplo. “Quando saio de manhã, não sei muito bem aonde vou e do que vou precisar, então, para não ter surpresas, me garanto com a bolsa cheia”.
E se quiser saber o que é o “tudo que eu posso precisar” a que Amanda se refere, olhe a foto acima para descobrir o que o Se Liga tirou da bolsa dela. A publicitária não abre mão de pelo menos dois óculos, a carteira, agenda, canetas, carregador de celular, bloco de anotação, lenços, maquiagem, creme, perfume, garrafa de água, pasta e escova de dente, e remédios.
 
Mesmo quem não usa uma bolsa propriamente dita, como o administrador Bruno Cury, 25, concorda que a rotina atribulada que as pessoas levam hoje faz com que elas tenham que ter sempre um plano B à mão. No seu caso principalmente. Ele mora em Franca, os pais em São José da Bela Vista, trabalha na Santa Casa e após o expediente malha em uma academia, faz futebol, treina a cavalo e ainda, aos finais de semana, faz MBA em Ribeirão Preto. Para não ter que correr em casa toda vez que vai para algum destes lugares, deixa no carro roupas para tudo isso - incluindo bota e chapéu para os treinos -, produtos de higiene pessoal, além de livros, apostilas e o notebook que usa na pós-graduação. Questionado se ele se considera exagerado, a resposta vem rápida: “Não exatamente, sou prevenido”, garante.
sem excessos
 
Para a psicóloga Flávia Teresa Astun Donzeli, a princípio não há nada de ruim em carregar consigo algumas coisas que acredita serem necessárias, como alimentos, alguma peça de vestuário e maquiagem. O que vai denotar algum distúrbio, seja de ansiedade, mania, ou compulsão, são os excessos. “Com um pouco de bom senso é possível separar a precaução de um comportamento exagerado e até doentio. Um exemplo de exagero são mulheres que chegam a carregar mais de cinco quilos numa bolsa com coisas que pouco serão úteis, e que podem, inclusive, prejudicar a coluna de quem a carrega”. Segundo Flávia, o exagero denota uma falsa ilusão de controle do imprevisto. “Precisamos contorná-los com criatividade, não exageros”. 
 
O fato é que, de acordo com a profissional, pessoas mais organizadas e precavidas vão ter à mão algumas coisas de primeira necessidade, enquanto que outras, geralmente mais tranquilas, podem ser pegas mais vezes de surpresa. Mas isso não quer dizer que uma esteja certa e a outra errada, pois há ganhos e perdas em ter esta ou aquela característica de personalidade.

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