A violência que assola Franca e região preocupa a população. Nos últimos dois meses a polícia registrou cinco homicídios bárbaros, quase todos com uma característica comum: a execução. O último ocorreu na noite de quinta-feira, 2, quando o mecânico de manutenção da Sabesp de Franca, Alcino de Almeida Pires, 53, morador no Jardim Paulista, foi assassinado com três tiros. O seu corpo foi localizado às margens da rodovia vicinal Wilson Couto Rosa, distante aproximadamente um quilômetro de Patrocínio Paulista. O carro estava no acostamento da estrada, ligado e com a porta do lado do motorista aberta. A polícia acredita que Pires foi morto no local.
A hipótese de latrocínio foi descartada, uma vez que todos os pertences da vítima, além da carteira com dinheiro, não foram mexidos. No dia anterior, o sapateiro Luiz Gustavo da Silva morreu quando seguia de bicicleta para o trabalho: foi alvejado com pelo menos 13 tiros, no bairro Nova Franca. Ele foi cercado pelos ocupantes de uma moto, no meio da rua, e baleado. São dois crimes sobre os quais a polícia ainda não tem pistas, mas pelas características aproximam-se de execução — ou a chamada ‘queima de arquivo’. Soma-se, ainda na semana, o assassinato de Wagner Matos Pacheco, 20, morto a tiros no início da noite de segunda-feira, 30, em São Benedito da Cachoeirinha, distrito de Ituverava. De acordo com a Polícia Civil, o homem estava em casa com a mulher quando três homens o chamaram no portão e o balearam. O crescimento deste tipo de crime acaba por tornar os moradores cada vez mais recolhidos em suas residências, já que o que parecia uma realidade distante, já faz parte do cotidiano. Esta situação perigosa transforma completamente o panorama na cidade no decorrer de poucas décadas. Ainda há alguns anos, Franca era conhecida por seu clima ameno e pela vida tranquila que se levava por aqui.
Aos poucos, mas de forma crescente, em todas as regiões muros se ergueram ao redor de casas, muitos se transformaram em muralhas, pois a violência deixou de se restringir a pequenos ‘guetos’ plantados em bairros afastados do centro urbano. Os marginais foram se aperfeiçoando e estão cada vez mais ousados, não se furtando em atacar em plena luz do dia, diante de testemunhas. É uma situação bastante grave e para a qual ainda não se vislumbra uma saída a fim de que os cidadãos — não só de Franca mas de todo o País — deixem de se tornar reféns de seu próprio medo, criando verdadeiras fortalezas domésticas. Não raro a segurança das casas é encarada pelos proprietários como mais importante do que o conforto, o que parece bastante sintomático de uma situação que vai fugindo ao controle de todos. Além dos homicídios violentos, os ataques de assaltantes em todos os pontos da cidade levam maior preocupação aos francanos que, temerosos com tudo e com todos, deixam de desfrutar de uma vida menos reclusa e mais feliz. É um sinal dos tempos que, infelizmente, se prenunciam ainda piores.
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