Russomanno: ‘Não vou perder mais uma empresa para outro Estado’


| Tempo de leitura: 26 min
POSIÇÕES DEFINIDAS - Durante quase uma hora, o candidato ao governo do Estado Celso Russomanno falou de suas propostas para melhorar os serviços públicos em São Paulo
POSIÇÕES DEFINIDAS - Durante quase uma hora, o candidato ao governo do Estado Celso Russomanno falou de suas propostas para melhorar os serviços públicos em São Paulo

Celso Russomanno, candidato a governador de São Paulo pelo PP, foi claro e objetivo durante a sabatina realizada pelo GCN Comunicação, quarta-feira, 1º de setembro. Russomanno prometeu entrar na guerra fiscal para reduzir impostos, incentivando a produção e diminuindo a sonegação. Também defendeu a saúde preventiva e criticou o atendimento emergencial praticado pelo governo tucano. O candidato quer acumular os cargos de governador e secretário da Segurança Pública e, com isso, agilizar as ações de combate ao crime no Estado.

Russomanno não poupou críticas aos serviços públicos do Estado que, segundo ele, não funcionam. Disse que, se eleito, vai acabar com a progressão continuada no ensino e reduzir os preços dos pedágios.
 

 

PRIMEIRO BLOCO

GCN Comunicação - Por que o senhor quer ser governador do Estado de São Paulo?
Celso Russomanno -
Porque estou há 16 anos como deputado federal e, nestes 16 anos, fiz toda uma legislação para proteger o cidadão. Trabalhei no novo Código Civil, que já não é tão novo assim... Estabeleci direitos individuais que nós não tínhamos, como, por exemplo, o direito de você, quando assina um documento sob grave ameaça ou forte emoção, esse documento não ter validade. Isso existe hoje em dia pela experiência que eu tive, durante muitos anos, defendendo o consumidor. Eu via pessoas nas portas dos hospitais assinando notas promissórias, cheques caução para garantir o atendimento e o tratamento do cidadão consumidor. Quando uma pessoa chega acidentada ou em emergência em qualquer hospital, seja ele público ou particular, ela tem que ser atendida. Isso não era feito a não ser que a pessoa garantisse o pagamento antecipado. Trabalhei em toda a legislação em defesa do consumidor para que a gente tivesse a melhor proteção do mundo. Depois, trabalhei no Estatuto do Idoso, no Estatuto do Torcedor. O problema é que não vejo colocarem em prática tudo aquilo que está no texto da lei. O que eu quero, de fato, é que os serviços públicos diretos e indiretos funcionem. Todos os dias você compra roupa, compra comida. Você paga o ICMS, paga o imposto. Na hora de receber sua contrapartida, nada funciona. Você nunca vê seus direitos preservados. Por isso que quero ser governador, para garantir que as coisas funcionem como determina a lei.
 

GCN - O senhor já declarou publicamente que esperava vencer as eleições no primeiro turno. Na época, disse que seus adversários levavam vantagem em virtude da lembrança de candidaturas majoritárias anteriores, mas, assim que começasse o horário eleitoral na televisão, a situação iria se reverter, o que ainda não aconteceu. O que falta para sua campanha decolar?
Russomanno -
Não tenho muito tempo de televisão. Se eu tivesse, teria mais condições de mostrar as minhas propostas. Tenho 1min44s em cada entrada  na televisão. Estamos mostrando agora que sou candidato. Você sabia que a maioria das pessoas não sabe que o Celso Russomanno é candidato a governador? Você sabia que sou apontado nas pesquisas para deputado federal como o mais votado? Mas eu não sou mais candidato a deputado federal. Tenho dificuldade de fazer com que as pessoas saibam que sou candidato ao governo. Ontem, eu estava em uma feira de cosméticos em São Paulo e não consegui andar 20 metros, tal o carinho das pessoas em volta de mim, pedindo autógrafos, tirando fotografias. Mas a maioria dos que estavam lá dizia: “eu vou votar em você para deputado federal”. Espero que, até o final da campanha, as pessoas saibam que eu sou candidato a governador. Esse é meu grande desafio.
 

GCN - Vale a pena abrir mão de uma vaga praticamente garantida na Câmara dos Deputados (recebeu quase 600 mil votos na última eleição) e entrar nessa luta pelo governo contra dois partidos, um deles o PT, que tem o apoio do presidente Lula, e outro que governa São Paulo há 16 anos?
Russomanno -
Se eu fosse ligado a cargo, não estaria candidato a governador. Não sou ligado a cargo. Diga-se de passagem, todo o meu salário de deputado federal, uso para manter o Instituto Nacional de Defesa do Consumidor. Vou continuar fazendo isso. Estou há 16 anos em Brasília, minha filha, que tem 22 anos, não viu o pai durante seu crescimento. Tenho um filho de sete anos que não viu o pai quando nasceu. Vou me dedicar com a caneta na mão para fazer as coisas acontecerem ou, então, se perder, vou continuar mantendo o Instituto Nacional de Defesa do Consumidor, atendendo as pessoas gratuitamente, mantendo do meu bolso o instituto. Vou cuidar um pouco da minha família também.
 

Para assistir a sabatina clique aquihttp://www.youtube.com/watch?v=o37SV2gDQl8

SEGUNDO BLOCO

GCN - A segurança pública é uma das grandes preocupações dos paulistas e alvo de severas críticas por parte do senhor, que tem afirmado, inclusive, que pretende acumular os cargos de governador e de secretário da Segurança Pública. Quais são as suas principais propostas para resolver os problemas do setor?
Russomanno -
Segurança pública é um tema que realmente aflige a todos nós. Temos um problema sério, que começa no salário dos policiais civis e militares. Temos no Estado de São Paulo, o mais rico da federação, o pior salário do país. Hoje, o Estado do Piauí, o mais pobre, paga melhor a sua polícia do que nós pagamos a nossa. Servidor público mal pago é sinônimo de serviço público ineficiente. Sou presidente da Frente Parlamentar da Polícia Federal e, há alguns anos, decidimos que tínhamos que resolver o problema da Polícia Federal, porque ela era apontada pela Abin (Agência Brasileira de Inteligência), como a polícia mais corrupta do país. Como resolvemos esse problema? Saímos para fazer levantamento, estudar as outras polícias no mundo e descobrimos que os países desenvolvidos trabalhavam o salário para evitar a corrupção e para fazer a polícia eficiente. Então, tornamos todos os cargos da Polícia Federal cargos universitários. Com isso, pudemos elevar o salário dos policiais. Hoje, a Polícia Federal é a menos corrupta e a mais eficiente. O que a gente precisa fazer na polícia de São Paulo? Primeiro, pagar bem. Temos um orçamento de R$ 125,7 bilhões e só gastamos R$ 11 bilhões em Segurança Pública, ou seja, menos de 10%. Isso é triste, porque, se você não investe na segurança, você não tem retorno. Você tem que equiparar os salários dos policiais civis e militares do Estado de São Paulo aos de Brasília. Você tem que ter carreira na polícia. Hoje o policial entra como soldado na Polícia Militar e, 30 anos depois, vai embora soldado. Quando o Rio Grande do Sul viu as deficiências disso e os problemas de corrupção que causa não ter horizonte e crescimento na carreira, o Rio Grande do Sul determinou que na brigada militar, o oficial entra policial e sai capitão. O oficial entra capitão e sai coronel. É isso que vou fazer se for eleito governador.
 

GCN - O senhor é a favor da unificação das polícias?
Russomanno -
Tenho duas propostas de emenda constitucional criando a nova polícia. Não sou a favor da unificação, mas da criação de uma nova polícia. Só no Brasil existem duas polícias estaduais, não existe outro país que tenha isso. Se você assistir um filme americano, você vai ver que o policial que pegou a ocorrência na rua acompanha ela até entregar na mão do Judiciário. Aqui, o policial pega a ocorrência na rua, mas não a acompanhará dali para a frente. Existe uma deficiência. A Folha de S. Paulo publicou, há mais ou menos uns 15 dias, que 95% dos crimes praticados em São Paulo não são apurados. Isso é uma brincadeira com o povo. É impunidade total.
Vamos integrar o trabalho das polícias, o que já devia ter sido feito. Você sabia que se você telefonar hoje para a polícia é um policial militar que vai atender a ocorrência? E ele não fala com a Polícia Civil via rádio, não fala via telefone e também não fala com os guardas municipais. Ninguém se comunica. Esses dias, um policial estava dizendo para mim: “Deputado, eu estava andando na avenida e recebi a ocorrência de um assalto, passei a perseguir o carro. Duas quadras à frente, tinha uma viatura da Polícia Civil, fazendo uma outra ocorrência, a viatura poderia ter interceptado o carro e prendido os bandidos, sabe por que não prendeu?” Eu respondi: “sei, porque vocês não falam via rádio”. Ele disse: “é, a gente comunica a ocorrência via rádio para a base militar e a Polícia Civil não recebe”. Não pode ser assim. A Secretaria de Segurança tem que ter uma central telefônica para onde você liga e aquele que atende a sua ligação tem que dar retorno. Aquele que recebeu a denúncia tem que ligar para o cidadão e perguntar: “a viatura chegou em cinco minutos, como foi prometido?”. Não chegou. Reporta e pune. Agora, para punir tem que pagar bem, porque assim a pessoa tem medo de perder o cargo.
Em São Paulo, temos dois comandos hoje, o comando da Polícia Civil, que é o delegado-geral, e o comando da Polícia Militar, que é o coronel. Eles se comunicam com o secretário estadual de Segurança e o secretário fala com o governador. Eu te pergunto: você conhece alguma história de atravessador que deu certo na vida? Não tem. O que o secretário da Segurança Pública faz quando você tem uma deficiência na estrutura? Ele recebe informação do delegado-geral, recebe informação do comandante da Polícia Militar, destrincha essas informações e, daqui uma semana, leva para o governador. Você tem, então, dois secretários, o delegado-geral e o comandante da Polícia Militar. O governador, até que se resolva o problema da segurança pública, tem que despachar com eles. Por isso eu defendo que se acabe com os atravessadores. Precisamos melhorar a comunicação dentro da segurança pública.
 

Para assistir a sabatina clique aqui: http://www.youtube.com/watch?v=Qz6IgOa_C8A&feature=related

TERCEIRO BLOCO

GCN - Sempre que crimes hediondos abalam o país, como os casos que envolvem Eliza e Mércia, supostamente mortas pelos seus namorados, ganha força a questão da adequação das penas no Brasil. O senhor é contra ou a favor da pena de morte?
Russomanno -
Sou contra a pena de morte até porque a Constituição Brasileira não a admite. E para fazer uma emenda constitucional para aplicar a pena de morte, a gente teria que convocar uma nova assembleia constituinte. Também acho que não é a pena de morte que vai resolver o problema da segurança pública. Sou a favor, sim, de, para determinados crimes, penas mais duras. Sou contrário à progressão de pena para crimes hediondos. Nós temos progressão de pena hoje só porque, na época em que o Fernando Henrique Cardoso era presidente da República, ele insistiu para que o crime de tortura fosse crime hediondo. Aprovaram o crime de tortura como crime hediondo e deram progressão de pena. Por analogia, como a Constituição diz que todos têm direitos iguais, os juízes começaram a dar progressão de pena para quem pratica estupro, para quem é homicida, para quem pratica latrocínio, ou seja, todo mundo hoje pega 30 anos de cadeia, que é a pena máxima que nós podemos ter no Brasil, e sai mais cedo porque a lei permite isso.
 

GCN - O senhor concorda com esse prazo? Como o senhor vê a situação das cadeias no Estado de São Paulo?
Russomanno -
É péssimo isso. O criminoso é condenado por 30 anos, aí, por bom comportamento, por uma série de coisas, com 12 anos está na rua. Não é justo. Ou a gente tem uma pena mais dura ou a gente não impede o crime. Agora, o sistema carcerário não é um assunto curto. Fiz uma radiografia do sistema carcerário brasileiro. O agente penitenciário jamais sobe na carreira. Só para vocês terem uma ideia, em todos os presídios do Estado de São Paulo, o diretor é um cargo de confiança. O partido acha alguém dentro do partido e diz que ele vai ser diretor. Mas o que ele entende de segurança? Nada, mas vai ser o diretor. Ele vai lá, aceita. Tem casa, tem um salário bom, está administrando o presídio. Depois, um agente penitenciário pega um celular na mão do chefe do crime organizado dentro do presídio. O agente vai e pune o preso, tira o celular e coloca o condenado na solitária. Sabe o que acontece? O diretor fala assim: “Quê? Você puniu? Ah, meu amigo, aqui você não vai punir chefe do crime organizado não. Porque se você punir, vai ter rebelião e eu vou ser demitido, porque meu cargo é de confiança. Então, você vai devolver o celular”. Esse é o processo.
 

GCN - Esta situação que o senhor narrou é generalizada? A situação dos presídios é realmente essa?
Russomanno -
É. É denúncia deles (agentes penitenciários). Eles denunciam para mim que muitos agentes estão viciados e que, de seis em seis meses, deveriam fazer exame toxicológico, porque senão eles patrocinam a entrada da droga dentro do presídio para o seu próprio sustento. O sistema está errado. Sou piloto. Se vocês quiserem, vou pilotando e a gente vai voar por cima dos presídios. Se você achar algum espaço, a não ser uma quadra dentro do presídio, é muito. Cadeia hoje é um depósito de seres humanos, sem direito ao trabalho. As pessoas entram no presídio e só aprendem a fazer coisa errada. Isso tem que mudar. Os presídios têm que ter espaço para que as pessoas trabalhem, para que possam se sentir úteis.
 

GCN - Na opinião do senhor, o trabalho no presídio deveria ser obrigatório e não facultativo como é hoje?
Russomanno -
Hoje nem facultativo é. Quem quiser trabalhar, não tem como fazer porque os presídios não tem espaço para o trabalho. Presídio tem que ter qualidade, tem que ter trabalho, você tem que fazer com que a pessoa saia de lá fazendo alguma coisa boa.
 

GCN - A progressão continuada nas escolas públicas do Estado de São Paulo é um dos temas relevantes desta campanha eleitoral. Como o senhor avalia este sistema?
Russomanno -
É ruim. Se fosse bom, eles teriam adotado nas escolas particulares, concordam comigo? Vocês concordam que os outros Estados teriam adotado? Que o mundo teria adotado? Mas só São Paulo tem. Agora, sem construir novas escolas, se você reprovar o aluno, não tem vaga para aquele que está chegando. Aí você cria uma progressão, que de acordo com a lei estadual que foi votada, não é a que está sendo aplicada. Tanto a lei de diretrizes e bases como o decreto que regulamentou a progressão continuada determinam que o aluno tem que ter acompanhamento quando ele não está conseguindo acompanhar a turma, mas não tem. Você não tem nem professor assistente.
 

GCN - Como se resolve isso? Volta o sistema antigo?
Russomanno -
Volta o sistema antigo. Eu vou fazer. Vai voltar o sistema antigo. O professor vai voltar a ter autoridade. Hoje o professor não tem. Nas escolas, nas aulas noturnas, se o professor falar mais alto com o aluno, apanha na saída. As pessoas estão usando drogas dentro da escola e o professor não pode falar nada, porque, se falar alguma coisa, sobra para ele. Eu vou pagar melhor os professores. O professor do Estado de São Paulo é o 14º mais mal pago do Brasil. Quero fazer com que o professor daqui chegue ao melhor salário do país. Se os Estados mais pobres podem pagar, nós também podemos. O governo que está aí diz que gasta 30% com educação. Mentira! afirmação falsa e enganosa! Entrego o orçamento do Estado de São Paulo para 2010. Estão gastando na Educação R$ 16 bilhões, o que dá um pouquinho mais de 11%.
 

GCN - O governo do Estado também criou a política de bônus pago a algumas escolas que alcançam metas de desempenho. O senhor é contra ou favor a bonificação?
Russomanno -
O bônus funciona assim: se você faz uma reunião de professores e um professor anuncia que vai reprovar um aluno, os outros professores vão dizer para ele: ‘você está maluco? Você vai segurar um aluno e nós vamos perder o bônus? Não, deixa ele ir’. O valor do bônus é quase dois salários a mais por ano. Você acha que o professor vai se incomodar se o aluno está bem ou não? Ele está ganhando muito mal, tem que pagar as contas em casa. Vai querer o bônus. É humano isso. O resultado é que você acaba não avaliando a qualidade de ensino. O bônus virou, na verdade, mais um motivo para empurrar o aluno para frente sem aprender.
 

GCN - O senhor é contra o bônus ou é contra o modo como ele é aplicado?
Russomanno -
Sou contra o bônus e sou contra a maneira como ele é aplicado. Sou a favor de gratificação integrar o salário, o salário ser igual ao melhor salário que nós pagamos hoje no país. Quero que o professor vá para casa na aposentadoria com o salário que ele recebia na ativa. Hoje, quando ele se aposenta, vai para casa com 40% do que ganhava. Isso não é justo. A pessoa deu a vida dela toda pelo ensino.
 

GCN - Como o senhor avalia a municipalização do ensino?
Russomanno -
A municipalização do ensino é boa, desde que seja fiscalizada e que o Estado entre com o dinheiro. O que está acontecendo é que jogaram na mão dos prefeitos tanto a saúde quanto a educação e largaram na mão deles, o recurso não vem. O Estado tem obrigação de dar e de fiscalizar.
 

Para assistir a sabatina clique aqui: http://www.youtube.com/watch?v=r0WyBeqWE-E&feature=related

QUARTO BLOCO

GCN - Paulo Skaf e Aloizio Mercadante, também candidatos ao governo do Estado, reclamam do alto valor pago nos pedágios de São Paulo e apresentam propostas para reduzir as tarifas ou então devolver parte do valor pago ao contribuinte por meio do IPVA. Qual é a opinião do senhor a respeito?
Russomanno -
Não dá para devolver através do IPVA, isso não tem amparo legal. Existem contratos firmados e os contratos têm segurança jurídica, então, se eu disser, formado em direito como eu sou, que nós vamos romper todos os contratos, vou quebrar o Estado de São Paulo para pagar as multas dos contratos. Não posso fazer isso. O que posso fazer é rever cada contrato. Estes contratos foram fechados com 20% de taxa de administração. Como funciona nos outros Estados? Pagam, em média, de 7% a 8%. A lei 8.666, que fala das licitações e dos contratos, determina a revisão contratual para que o Poder Público não pague caro. Nós vamos rever esses contratos. Depois, vou tirar o imposto que incide no valor do pedágio. Então, vamos reduzir o pedágio 30% mais ou menos. Também vamos fiscalizar. Esse negócio de tapar buraco com desnível não está previsto no contrato, o contrato diz que a estrada deve ser um tapete. Tapou o buraco com desnível, eu vou chamar a empresa e dizer para consertar, porque senão vou romper o contrato. Não vou construir mais nenhum pedágio no Estado de São Paulo. No caso do Rodoanel em São Paulo, para acabar com o problema do trânsito, aí sim vou romper o contrato, vou pagar as multas que têm que ser pagas, porque eu preciso resolver o problema de São Paulo.
 

GCN - A Santa Casa de Franca é o único hospital da cidade a atender pacientes do SUS, além de receber doentes também da região, mas vive endividada e clamando por mais dinheiro. Cansado dos problemas, o prefeito, Sidnei Rocha, do PSDB, devolveu a gestão do sistema de saúde ao Estado. O que o senhor propõe como alternativa para as Santas Casas como a de Franca?
Russomanno -
Qual a diferença entre a saúde privada e a saúde pública? Na saúde privada, você vai encontrar muita consulta com especialidades, muitos laboratórios com exames e poucas internações. Na saúde pública, você encontra nada de consultas especializadas, você não consegue chegar ao médico, não consegue chegar ao exame, porque os laboratórios são poucos. A internação acaba congestionada. E só está congestionada porque se trata da saúde no Estado de São Paulo emergencialmente. A Organização Mundial de Saúde fez um levantamento sobre a saúde aqui e disse: “olha, para cada R$ 1 que vocês gastarem na prevenção, vocês vão economizar três na emergência”. Como se faz saúde preventiva? Com o Programa Saúde da Família. Isso já existe e não funciona. Não funciona porque paga-se mal. O profissional de Saúde tem que ser bem pago. Você tem que ter um piso de R$ 12 mil para o médico, piso de R$ 7 mil, R$ 8 mil para os outros profissionais universitários. Aí, você começa a tratar o paciente crônico em casa. É esse o papel do Programa Saúde da Família.
 

GCN - Maria das Graças Vieira de Souza, uma senhora de 47 anos, morreu às 3h30 da madrugada de hoje (quarta-feira) aguardando atendimento no Pronto-socorro Municipal. Ela passou por três médicos, tinha um histórico de cardiopatia, hipertensão. Enquanto esperavam o fax da Secretaria de Saúde para autorização de internação na Santa Casa, ela morreu. Como acabar com situações como essa?
Russomanno -
Eu comecei minha vida na política porque perdi minha mulher por falta de atendimento médico no hospital. Resolvi que eu tinha que mudar a sociedade e melhorar as coisas, por isso comecei a defender o consumidor. No princípio, foi na área de Saúde e depois foi nas outras áreas. Sei o que significa isso (a morte) em uma família. Eu passei por isso. Fiquei com uma filha de três anos para cuidar, sei o que as pessoas vivem. É incrível que, para você conseguir uma internação no SUS, você tenha que ligar para São Paulo, para a Central autorizar a fazer um negócio aqui. Isso é brincar com a vida das pessoas. Eu gostaria de falar com a família, eu recebo isso como uma denúncia e vou processar o Estado de São Paulo. A Fazenda Pública tem que pagar pela vida dessa pessoa, porque foi responsável pelo que fez. Foi o que aconteceu com o secretário da Saúde (Luiz Roberto Barradas Barata), que faleceu por falta de atendimento médico, ele foi vítima dele mesmo. Meu irmão é deputado estadual, Mozart Russomanno, e implorou para ele que autorizasse as UTIs em Ubatuba e ele não autorizou. Um dia, ele estava em Ubatuba, precisou de uma UTI, não deu tempo de remover para São Paulo e ele faleceu.
 

Para assistir a sabatina clique aqui: http://www.youtube.com/watch?v=kt3GgI3Bmfo&feature=related

QUINTO BLOCO

GCN - Uma pesquisa feita pelo Hospital das Clínicas, em São Paulo, aponta que no Brasil, mais de 5,3 milhões de mulheres já praticaram o aborto, quase sempre em condições precárias em clínicas clandestinas. Na prática, isso significa que uma em cada cinco mulheres em idade fértil já abortou no Brasil. O senhor, caso eleito governador de São Paulo, se posicionaria contra ou a favor da legalização do aborto?
Russomanno -
Primeiro, essa é uma questão que tem que ser discutida no Congresso Nacional, não adianta o governador se colocar contra ou a favor. Acho que o aborto só pode ser praticado nos casos em que a lei prevê, quando a mulher que tem risco de vida ou foi vítima de estupro. O que o governo do Estado precisa fazer, e vai fazer no meu governo, é começar pela prevenção. Prevenção é começar a ensinar o jovem como deve agir quando chegar à idade sexual.
 

GCN - Qual é o compromisso do senhor com o setor calçadista, caso seja eleito?
Russomanno -
Meu compromisso é muito claro, curto e grosso. Vou entrar na guerra fiscal, sim. Vou baixar os impostos no Estado de São Paulo, ICMS, sim. Não vou perder mais nenhuma empresa para outro Estado da federação. Nós tínhamos em Franca 38 mil sindicalizados há mais ou menos 20 anos, hoje temos 12 mil. Quantos empregos nós perdemos por incapacidade gerencial? Ou será que preciso citar todas as empresas que saíram daqui e foram para o Nordeste, Minas Gerais, porque os impostos são mais baratos? Eu vou criar uma zona de incentivo fiscal, vou baixar o ICMS, quero de volta as empresas, quero oportunidade para o jovem trabalhar, quero que a pessoa com mais de 40 anos volte ao mercado, não seja excluída da sociedade. Eu não quero que os jovens aqui da região vão embora para São Paulo por falta de oportunidade.
 

GCN - O sonho da indústria é uma redução de 12 para 7% na alíquota de ICMS. O senhor acha viável?
Russomanno -
Perfeitamente, o Estado de Santa Catarina zerou o ICMS na maioria dos segmentos, cresceu e está faturando mais do que todos os Estados. Será que não dá para perceber que o imposto barato todo mundo paga e a arrecadação cresce? O imposto caro todo mundo sonega. Vou fazer com que você tenha emprego e com que você, empresário, possa sobreviver. Os empresários são submetidos a verdadeiros constrangimentos com fiscais no seu pé e são obrigados a fazer aquilo que não querem. São considerados bandidos porque o imposto é alto. O empresário gera emprego e tem que ser prestigiado.
 

GCN - Na última Francal, muitos expositores, que são calçadistas da cidade, reclamaram do apagão da mão de obra. Eles precisam contratar, têm pedidos, mas falta trabalhador especializado. Como o senhor combateria este problema?
Russomanno -
Com escolas técnicas. Falta mão de obra porque o mercado começou a cair e todo mundo foi embora. Você não consegue segurar ninguém. As pessoas vão para onde tem emprego, para onde elas conseguem sustentar suas famílias. As escolas técnicas são ótimas, maravilhosas, mas só 20% das vagas disponíveis estão ligadas à indústria, o resto é serviço. Nós vamos mudar esse quadro.
 

GCN - O debate sobre o avanço das drogas ilícitas, como a maconha, cocaína e, especialmente, o crack, é intenso. Há quem defenda a liberação do consumo como meio de combater e enfraquecer o tráfico. Qual é a sua opinião sobre o tema?
Russomanno -
Me aponta um país em que deu certo liberar a droga. Não existe. Nós temos que combater o tráfico, combater a expansão das drogas. É permitido pela lei recontratar o policial militar. O policial militar vai para casa aos 50 anos. Vou recontratar ele pelo período de dois anos, renovável por mais dois. Vou colocar dois policiais por escola, dois policiais armados, fardados, com rádio. Deu problema? Aciona pelo rádio e a viatura está lá em cinco minutos. Vou acabar com a droga nas escolas, não vou aceitar mais esse tipo de coisa. Hoje em dia, não existe combate, não existe prevenção. Não se faz absolutamente nada. E depois que essas pessoas já estão viciadas, também não tem programa nenhum para cuidar dessas pessoas. Vou desapropriar fazendas que estão abandonadas para criar clínicas onde as pessoas não terão muros e poderão ser tratadas, receberão apoio para largar o vício.
 

GCN - O senhor critica o nível dos gastos públicos nas áreas de educação, segurança pública, defende a desoneração, ou seja, menos receita de arrecadação para o Estado, e propõe um aumento dos salários. Como vai fazer mágica com o orçamento engessado?
Russomanno -
Não tem mágica nenhuma. Os Estados que desoneraram, que baixaram os impostos, cresceram e a arrecadação cresceu. Cresceu porque ninguém sonega, porque ninguém quer ser bandido. Segundo, São Paulo manda para Brasília por impostos federais, que são arrecadados no Estado de São Paulo, R$ 200 bilhões e o que volta para o Estado é só 10%. Só para comparar, Minas Gerais, que está aqui do lado, tem o retorno de 60%. Sabe por quê? Porque o governador daqui não conversa com o presidente, não conversa com os ministros, porque é de outro partido. Vou buscar os recursos de São Paulo.
 

GCN - O governador paulista, constantemente, é obrigado a agir quando tem ações organizadas por grupos de sem-terras. Qual a opinião do senhor sobre a reforma agrária e sobre as invasões?
Russomanno -
A reforma agrária tem que ser feita na forma da lei. Existe terra. A gente pode desapropriar e fazer uma reforma agrária. Invasão não. Eu não aceito invasão. O Estado Democrático prevê direitos que têm que ser preservados, porque se a gente continuar nesse passo, amanhã não será invasão de terra, será invasão de casa também. Lei é lei e tem que ser preservada.
 

GCN - Neste caso, o senhor seguiria o seu adversário Geraldo Alckmin, que quando governador dizia “invadiu, vai ter que desinvadir”?.
Russomanno -
Não, não existe “desinvadir”. Não vai invadir. É diferente.
 

GCN - Qual a sua opinião sobre o projeto de lei que proíbe palmadas, beliscões e castigos físicos em crianças e adolescentes?
Russomanno -
Agredir uma criança, deixar ela com hematomas, com lesões corporais, você não pode fazer um negócio desses. Agora, gente, proibir palmadinha é demais. Tem até uma pesquisa que saiu que mostra que a maioria da população já deu uma palmadinha em seu filho. Eu dei palmadinhas na minha filha, hoje em dia eu nem dou no meu filho, porque ele me respeita, mas, se precisar, dou. Uma palmadinha não faz mal para ninguém.
 

GCN - O senhor recebeu algumas palmadas quando criança?
Russomanno -
Recebi, claro. Você não recebeu?
 

Para assistir a sabatina clique aqui:http://www.youtube.com/watch?v=ntA5mg0bQ6k&feature=related

SEXTO BLOCO

GCN - Candidato, uma pergunta enviada pelo servidor público estadual Carlos Gimenes, que é integrante do Conselho de Leitores do “Comércio da Franca”. Caso o senhor seja eleito para governar São Paulo, disponibilizaria verba pública para a construção de um estádio para receber jogos da Copa do Mundo de 2014 ou diria não à Fifa?
Russomanno -
Não disponibilizaria, nós precisamos de coisas mais importantes para a vida das pessoas. Coloco à disposição toda a infra-estrutura que o governo tem para que o estádio receba a Copa do Mundo.
 

GCN - O senhor tem agradecido o apoio de Paulo Maluf, um dos líderes do seu partido, mas faz sempre questão de lembrar que tem luz própria. Hoje o apoio de Paulo Maluf mais ajuda ou atrapalha?
Russomanno -
Os dois partidos que disputam as eleições comigo, tanto o PSDB quanto o PT, já pediram apoio ao Paulo Maluf, porque o Paulo Maluf tem muito voto. Não se nega isso. Mas quem vai governar São Paulo sou eu. Tenho dito que tenho luz própria por um único motivo, tive quase 600 mil votos disputando lado a lado com ele e com todos os outros candidatos. Ninguém tem quase 600 mil votos se não tiver trabalho. É o Celso Russomanno que vai governar o Estado de São Paulo e todos os apoios políticos, inclusive o do Paulo Maluf, são muito bem-vindos para que a gente possa chegar lá.
 

GCN - No Estado de São Paulo, recentemente foram criadas leis que restringem as liberdades individuais, como a lei antifumo, que proíbe o cidadão de fumar em locais fechados a bem da saúde pública. Qual é a opinião do senhor a respeito?
Russomanno -
A bem da saúde pública, você acabou de responder. A gente tem que preservar a vida das pessoas.
 

GCN - Em 16 anos de governo, o senhor vê algum ponto positivo na gestão do PSDB?
Russomanno -
Acho que eles se acomodaram. A permanência no poder fez com que eles se acomodassem e achassem que está tudo bem do jeito que está. E não está. A gente tem problemas, os problemas estão colocados, tenho a solução e vou resolver os problemas do Estado de São Paulo. Acho que eles se acomodaram e, pela acomodação, deixaram o barco correr sozinho.
 

GCN - Qual a maior decepção do senhor, que foi filiado ao PSDB, com o governo tucano em São Paulo?
Russomanno -
Fui filiado ao PSDB e saí do PSDB por um único motivo. Durante a campanha inteira de 1994, preguei que os órgãos de defesa do consumidor em São Paulo iriam funcionar e, no meio do mandato, eles transformaram o Procon de São Paulo em uma fundação, que perdeu a força de polícia administrativa, por isso não pode multar.. A cidadania das pessoas foi jogada no lixo, por isso eu saí do partido. Não posso aceitar que tudo o que eu preguei a minha vida toda seja jogado no lixo.

Para assistir a sabatina clique aqui: http://www.youtube.com/watch?v=-T30o7ILtEc&feature=related

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários