Donizete da Farmácia: ‘Não entramos na eleição para brincadeira’


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NA LUTA PELOS IDOSOS - Se eleito, Donizete da Farmácia promete reduzir preços dos remédios e construir uma espécie de “creche” para idosos
NA LUTA PELOS IDOSOS - Se eleito, Donizete da Farmácia promete reduzir preços dos remédios e construir uma espécie de “creche” para idosos

*Clique aqui e assista à sabatina

Donizete da Farmácia, candidato a deputado federal pelo PMN, mostrou sensibilidade e confiança durante a sabatina realizada na quinta-feira, 2 de setembro. O ex-vereador disse que, se eleito, defenderá os idosos e propôs a criação da Casa da Fraternidade, uma espécie de “creche” para pessoas com mais de 60 anos. Outra de suas principais propostas é a criação de um convênio entre farmácias, municípios e Governo Federal, no qual as pessoas poderiam adquirir medicamentos nas farmácias por meio do cartão do SUS.


Apesar do desempenho fraco nas pesquisas e do partido pequeno, Donizete se diz confiante na vitória. O candidato aposta na força da legenda para se eleger. Durante toda a sabatina, Donizete manteve intocado seu jeito simples de falar, se posicionou com clareza e defendeu seus  pontos de vista.  Em nenhum momento fugiu das polêmicas. Só teve dificuldades para se expressar sobre reforma trabalhista, sobre valores do seu partido - que defende que o Brasil ainda é um país colônia, atualmente subjugado aos Estados Unidos -, e, principalmente, como se posiciona-ria sobre invasão de imóveis urbanos.

 

PRIMEIRO BLOCO
GCN Comunicação - Por que o senhor quer ser deputado federal?
Donizete da Farmácia -
Eu percebi, através de conversa com o nosso presidente, Gilberto Maciel Borges Freitas, a possibilidade de conseguirmos esse nosso intuito, que seria a nossa eleição. Nosso partido vai sair com 56 a 60 candidatos. A previsão é atingir de 700 mil a 1 milhão de votos. Se a gente conseguir os 700 mil votos, a gente conseguiria três cadeiras, duas pelo coeficiente eleitoral normal e uma na sobra. A gente percebeu que existe a possibilidade. Todos os candidatos vão ter na faixa de 10 mil, 15 mil, no máximo 20 mil votos. Os dois ou três que sobressaírem nessa votação terão uma chance muito grande de ocupar essa cadeira. Nossa chance é real, nós não entramos aqui para brincadeira, não entramos aqui por vaidade e nem entramos para atrapalhar qualquer candidato a atingir o seu objetivo. Nós entramos com reais chances de sermos eleito.
 
GCN - O único cargo eletivo que o senhor ocupou foi o de vereador em 2004. O senhor acha que a experiência que acumulou durante os quatro anos de mandato é suficiente para torná-lo um bom representante de Franca na Câmara Federal?
Donizete -
Acredito que sim. Para mim, estes quatro anos foram muito mais do que quatro anos. Estive todos os dias na Câmara Municipal, defendendo as pessoas. Eu ouvia a necessidade delas. Isso me deu uma base muito boa na parte de leis, de como funciona o Legislativo. Estou bem preparado para essa situação.
 
GCN - Esta é a terceira eleição que você disputa. A votação mais expressiva ficou na casa de 3 mil votos. O senhor mesmo admite que a sua campanha é bastante simples, não conta com recursos financeiros. O senhor tem uma atuação bastante focada na Zona Leste de Franca. Como espera alcançar a votação necessária e conseguir se eleger?
Donizete -
Existem vários jeitos de fazer política. Tem aquela parte financeira, que você gasta horrores, investe, gasta tudo. Comigo vai ser diferente. Consegui, através do meu trabalho na farmácia, do meu envolvimento no esporte, da própria amizade que fiz dentro da política, uma base de apoio muito importante, de causar inveja a qualquer um dos candidatos. É uma base forte. Tenho, no mínimo, 60 pessoas para buscar votos, trabalhando voluntariamente.
 
GCN - O senhor tem apenas um funcionário contratado na sua campanha e 27 segundos de TV. Dá para vencer?
Donizete -
Tenho plena convicção de que a nossa chance é muito grande. Tenho esse grupo de apoio, tenho um pessoal no Aeroporto, um pessoal no City Petrópolis, trabalhando junto comigo.
 
GCN - Mas uma estrutura mínima não é necessária? Só o entusiasmo e o apoio dos amigos são suficientes para fazer vitorioso um candidato a deputado federal?
Donizete -
Mas nós temos a estrutura básica, que é a panfletagem, divulgando o nosso nome. Através do pouco recurso, usando ele com inteligência, a gente conseguiu atingir toda a cidade de Franca.
 
 
 
SEGUNDO BLOCO
GCN - Recentemente, o presidente americano, Barack Obama, liberou as pesquisas com células-tronco embrionárias para testes em seres humanos. Dias depois, a Justiça Americana suspendeu temporariamente a decisão. A ciência aposta em uma revolução e na chance de cura, inclusive, de doenças degenerativas. A Igreja Católica condena a pesquisa. Qual a posição do senhor a respeito?
Donizete -
Votaria a favor. Como trabalho em farmácia, tenho um contato muito direto com as pessoas, principalmente as enfermas. E tudo que for para amenizar o sofrimento das pessoas doentes, para buscar a cura de doenças que tanto judiam das pessoas, sou favorável. Para você ter uma noção, o estudo das células-tronco poderia curar a hepatite B1, as sequelas do AVC e até o mal de Alzheimer. Quanto à igreja, acho que talvez ela devesse mudar o conceito sobre isso.
 
GCN - A Argentina aprovou, há poucas semanas, uma legislação que autoriza a união civil entre pessoas do mesmo sexo, seguindo países onde a situação já está regulamentada, como Canadá, África do Sul e alguns estados americanos. No Brasil, a questão segue controversa. O senhor defende a regulamentação dos direitos dos homossexuais?
Donizete -
Defendo. No mundo moderno de hoje, é muito comum o caso de duas pessoas do mesmo sexo se unirem. Geralmente, nessa relação, há uma conquista de bens materiais, patrimônio. É preciso, realmente, criar uma legislação que possa, no caso de uma separação ou morte de um deles, definir isso.
 
GCN - O senhor acha que eles deveriam ter o direito também de adotar crianças?
Donizete -
Não, sou contra. Acho que aí estaria envolvendo uma terceira pessoa, que seria a criança, e ela não estaria preparada para escolher. Essa criança talvez possa sofrer um preconceito no trabalho ou na escola mais tarde.
 
GCN - É importante também a opinião do senhor em relação ao projeto de lei que proíbe palmadas, beliscões e castigos físicos em crianças e adolescentes. O senhor, como deputado, votaria contra este projeto?
Donizete -
Votaria contra o projeto. As palmadas fazem parte. Acho que é um projeto inútil. Não vamos confundir palmadinha com agressão. Às vezes, você pega uma criança com o olho todo roxo, aí é diferente. Agora, dar uma palmadinha para corrigir, 99% das pessoas concordam em dar umas palmadinhas.
 
GCN - E o senhor está entre os 99% que apanhou também?
Donizete -
Apanhei, apanhei muito, eu e meus irmãos. E, graças a Deus, todos os meus nove irmãos viraram homem.
 
GCN - Sempre que crimes hediondos abalam o país, como os casos de Eliza e Mércia, supostamente mortas por seus namorados, ganha força a questão da adequação das penas no Brasil. O senhor é contra ou a favor da pena de morte?
Donizete -
Sou totalmente contra! Acho que só Deus pode tirar a vida. Inclusive, existe a possibilidade do erro de quem vai julgar. Como você vai corrigir o erro de uma condenação à pena de morte? Você mata a pessoa, e depois? Como vai voltar atrás? Não existe essa possibilidade.
 
GCN - Hoje em dia, no Brasil, ninguém pode ficar mais do que 30 anos na cadeia, inclusive autores de crimes hediondos. O senhor acha que esse tempo é suficiente? O senhor acredita que o autor de um crime hediondo pode se recuperar?
Donizete -
Pode se recuperar sim. Todas as pessoas têm a possibilidade de serem recuperadas.
 
GCN - Uma pesquisa realizada pelo Hospital das Clínicas de São Paulo aponta que mais de 5,3 milhões de mulheres já praticaram o aborto, quase sempre em clínicas clandestinas. Na prática, uma em cada cinco mulheres já abortou no Brasil. O senhor é contra ou a favor da legalização do aborto?
Donizete -
Sou totalmente contra a legalização! Mas nós não devemos crucificar a mulher que pratica o aborto. Geralmente, ela não está em seu juízo normal. Pode ser um problema emocional, psicológico, familiar ou até financeiro. Essa mulher não pode ser crucificada. Acho até que está na hora do governo criar um programa para orientação dessas mulheres com psicólogo, tratamento, tentando evitar que a mulher pratique o aborto.
 
GCN - O debate sobre o avanço das drogas ilícitas, como maconha, cocaína e crack, é intenso. Há quem defenda a liberação do consumo de algumas drogas como alternativa para enfraquecer e combater o tráfico. O que o senhor pensa a respeito?
Donizete -
Sou totalmente contra. A maconha hoje é considerada uma das drogas mais fracas, mas ela é o começo do vício. Começa com a bebida alcoólica e assim por diante. Sou totalmente contra.
 
GCN - Um dos projetos do senhor seria aprovar na Câmara Federal, caso eleito, um projeto para obrigar o viciado a fazer um tratamento antes que a situação se agrave. O que o senhor poderia falar sobre isso?
Donizete -
A palavra obrigar é difícil. Não seria obrigar. Minha ideia é criar um hospital de recuperação do drogado no começo. Geralmente, a criança de 11, 12 anos está caindo no mundo da droga. A ideia da gente é criar um hospital para desintoxicação, tratamento com psicólogo, tentando tirar o jovem enquanto é tempo, porque o viciado, depois de um certo tempo de contato com a droga, dificilmente sai.
 
GCN - Um dos grandes problemas do Brasil é que ninguém pode ser obrigado a se tratar, diferente de outros países. Nos Estados Unidos, em alguns estados, o juiz dá duas opções: ou se trata ou vai preso. No Brasil, todo mundo pode dizer que se recusa a continuar o tratamento e que quer sair da clínica. Como fazer para tratar os dependentes já em estágio avançado, há muitos anos consumindo drogas?
Donizete -
Vamos supor que nós internamos mil crianças na recuperação e cem aceitam este tratamento. Recuperando cem, já está ótimo.
 
GCN - Qual a posição do senhor a respeito da reforma trabalhista que moderniza as relações entre patrões e empregados?
Donizete -
Acho que está no momento de uma reforma trabalhista sim. Tenho um exemplo de uma funcionária de uma firma aqui em Franca. Ela se dedica há mais de 10 anos trabalhando com afinco, uma funcionária exemplar. Ela trabalha em uma firma muito forte aqui em Franca. Eu perguntei a ela: “Quanto você ganha?”, ela disse: “ganho R$ 720 todo mês”’. Poxa, 10 anos trabalhando e você não tem o reconhecimento das pessoas. Se você trabalha há 10 anos em uma firma, lógico que você está sendo produtivo. Você não percebe esse reconhecimento do patrão.
 
GCN - Mas quando se fala em reforma das leis trabalhistas, o que se discute é uma modernização das relações, especialmente banco de horas, jornada flexível, participações nos lucros, outras questões que hoje não estão disciplinadas. O senhor é contra ou a favor do banco de horas, por exemplo?
Donizete -
O banco de horas eu acho importante. Você pode ter esse banco de horas para dar opção ao patrão e evitar a demissão. Sou a favor do banco de horas.
 
 
 
TERCEIRO BLOCO
GCN - O senhor foi eleito vereador e teve boa votação em 2008, muito em função da sua atuação no esporte amador, no futebol. O senhor acredita que o esporte é uma prioridade?
Donizete -
O esporte é uma delas. Mas vou lutar muito mesmo é pela saúde. Tentar buscar recursos o máximo que eu puder, criar projetos. E vou lutar pelo idoso. Tenho um contato muito direto com o idoso. Às vezes, o idoso quer apenas uma palavra, conversar com você, quer uma atenção que, às vezes, ele não tem dentro de casa.
 
GCN - Mas o senhor não vai ser eleito para conversar com o idoso. O senhor vai ser eleito para defendê-lo. Que projeto faria para esse idoso que tanto comove o senhor?
Donizete -
Um projeto muito importante é a criação da Casa da Fraternidade. Essa Casa da Fraternidade seria no estilo de uma creche para idoso. De repente, um casal tem um pai, uma mãe ou um tio que ele cuida e essa pessoa não tem condição de ficar sozinha em casa, mas o casal tem que trabalhar. O que fazer? O casal vai levar esse idoso na Casa da Fraternidade de manhã, onde vai ficar o dia todo com tratamento, alimentação, tomando os medicamentos no horário certo, todo o tratamento necessário. E à tarde o casal vai buscar.
 
GCN - Entre janeiro de 2005 e junho de 2008, o senhor apresentou 34 projetos como vereador em Franca, uma média considerada baixa dentro do poder legislativo local. A que o senhor atribui esta atuação reduzida? Por que os projetos que o senhor destaca como relevantes, inclusive este da Casa da Fraternidade, não conseguiram sair do papel aqui no município?
Donizete -
Por isso que eu quero ser candidato a deputado federal. Como vereador, a sua condição de criar projeto é muito limitada. Nada pode, tudo é inconstitucional. Daí, pensei que poderia ser deputado estadual, mas estadual vai ser a mesma coisa. Quero ser deputado federal para que todos os projetos que eu criar realmente possam ser cumpridos. Essa Casa da Fraternidade foi um projeto que criei no município, mas depende de recursos, depende da vontade do prefeito e tudo mais.
 
GCN - O senhor participou de uma Câmara de Vereadores com 15 representantes eleitos para representar a população de Franca. A grande queixa de quem é deputado federal é exatamente a do senhor enquanto vereador. São 70 deputados federais eleitos por São Paulo e 513 no Brasil. Pode-se ter ideias lindas, mas os projetos não tramitam, não andam, não passam pelas comissões e, muitas vezes, ficam décadas à espera de votação. Não seria frustrante também? Não é o mesmo tipo de dificuldade?
Donizete -
Talvez falte boa vontade das pessoas, correr atrás, batalhar. Tenho uma vantagem, interajo muito fácil com as pessoas. Vou usar isso que eu tenho, que é interagir bem com as pessoas. A partir do momento que você interage, você consegue as coisas melhor.
 
GCN - Como o senhor, que é proprietário de farmácia, avalia o preço dos medicamentos no Brasil? Eles não são muito caros? Caso eleito, que proposta o senhor faria para reduzir o custo dos medicamentos?
Donizete -
É abusivo! Sorte nossa que saiu o genérico. Vou dar um exemplo para vocês. Existe um antibiótico, muito usado, que se chama amoxicilina. Nós estaríamos pagando R$ 50, R$ 60 por uma caixa desse medicamento. Com a entrada do genérico, hoje você consegue comprar ele por R$ 10. Ainda é caro! Imagina uma pessoa assalariada que tem que gastar R$ 40, R$ 50. São 10%, 20% do seu salário do mês. Ainda é abusivo. E por que? De cada R$ 3 que você paga em medicamento, R$ 1 é imposto. Se diminuíram o imposto do carro, da geladeira, seria justo abaixar um pouco o imposto do remédio.
 
GCN - O seu partido sustenta que o Brasil ainda é um país colônia. Apesar de termos nos livrado dos domínios lusitanos, agora estaríamos subjugados aos Estados Unidos e por isso, não conseguimos deixar o terceiro mundo. O senhor concorda com esta visão?
Donizete -
O Brasil é muito rico em terras, mas ainda considero sim.
 
GCN - Na verdade, candidato, quando se fala que o Brasil é um país colônia, quer dizer que o Brasil ainda é um país dependente de outros países, como se nós não tivéssemos força e vontade próprias...
Donizete -
Temos vontade própria, só que nós somos dependentes ainda. Por que não? Somos dependentes ainda dos Estados Unidos e de todos os outros países.
 
GCN - E quem é o grande líder nacional do PMN?
Donizete -
O contato que eu tenho maior é com o meu presidente, Gilberto Maciel Borges Freitas. Esse é o meu líder que eu conheço, tenho um contato direto. Ele me ajudou, me trouxe para a política. É um cara que devo um favor a ele.
 
GCN - Com relação aos políticos de outros partidos, em quem o senhor se espelha?
Donizete -
Tenho dois exemplos. Se eu pegar os dois, acho o político perfeito. José Mercuri (emocionado), que foi meu tio, e o Sidnei Franco da Rocha. Sidnei pela liderança, pela competência em administrar. Meu tio pela sensibilidade que tinha com o povo mais simples, mais humilde.
 
 
 
QUARTO BLOCO
GCN - No Brasil, um dos movimentos sociais de maior repercussão é o dos sem-terra. Normalmente, envolvido em invasão de propriedades particulares e alguns conflitos. O senhor apóia esses movimentos? Qual a sua opinião sobre a reforma agrária?
Donizete -
Não, não apóio esse movimento. Ocupação sou favorável. Ocupação dentro da legalidade, dentro da lei. Mas invasão sou totalmente contrário.
 
GCN - Caso o senhor fosse deputado eleito e ocorresse uma invasão, de que maneira ajudaria? Tentaria interceder para desocupar uma área invadida?
Donizete -
Aí vem aquele problema da lei. Vamos ver o que a lei fala e vamos trabalhar juntos. Acho que invasão não pode ocorrer nunca. A invasão é uma força desnecessária.
 
GCN - Há também defensores de invasões urbanas, de ocupações de prédios, estejam eles abandonados ou não utilizados dentro das cidades. Como o senhor se posiciona com relação a esta questão?
Donizete -
Aí já muda um pouquinho a situação. Sabe por que? Você pega uma pessoa que mora debaixo de uma ponte, que tem dois ou três filhos debaixo do braço para cuidar. Ela não tem para onde ir, vê aquele espaço parado, desocupado. É diferente. A pessoa vai ocupar mesmo.
 
GCN - Mas o senhor defende a ocupação de imóveis particulares?
Donizete - Particulares, não.
GCN -
Quando se fala na invasão de imóveis particulares ou ação dos movimentos sociais em área urbanas, o que se coloca é a invasão de imóveis particulares que não cumprem a sua “função social”. Os críticos acreditam que todo imóvel deveria cumprir a sua função social. Então, uma propriedade que está vazia não cumpriria essa função e poderia ser invadida. O senhor defende que é legítima a invasão de uma propriedade privada, ainda que desocupada?
Donizete - Se estiver desocupada, eu apoiaria. A questão é que a pessoa não tem para onde ir. Ela acha aquele espaço que pode ocupar para se acomodar.
 
GCN - Na última Francal, realizada em julho, um dos temas mais tratados foi à desoneração da indústria, principalmente com a reforma tributária. Se o senhor for eleito, que postura terá em relação aos projetos de desoneração?
Donizete -
Hoje, nós pagamos 85 tributos. É imposto demais, ninguém suporta mais. O que eu defendo é a reforma tributária. Precisamos achar um meio de diminuir os impostos. Diziam que o imposto no Brasil era muito caro devido à sonegação. O que se observou de uns tempos para cá? Com a nota fiscal eletrônica, caiu muito a sonegação. Ué, se o imposto era caro porque tinha sonegação, a sonegação diminuiu, por que não abaixou o imposto?
 
GCN - A cada eleição aumenta a quantidade de candidatos famosos e celebridades nas disputas eleitorais. Como o senhor avalia a concorrência de candidatos populares como Tiririca, Ronaldo Ésper e Marcelinho Carioca?
Donizete -
Política é isso. Nós não queremos um país democrático? Democracia é isso, todo mundo tem direito de participar. Agora, basta o povo votar ou não. Vai depender da consciência do voto. Temos que aceitar isso.
 
GCN - Mas ele não está propondo nada. Não é ruim para o país que se eleja alguém porque ele é conhecido ou porque ele faz graça, e não porque ele apresenta uma proposta correta?
Donizete -
De repente, ele está usando isso para atrair o voto. De repente, ele consegue o intuito dele de ser deputado federal, surpreende e faz um trabalho muito importante. Por que não? A gente tem que parar de pensar que o bom político é aquele cara inteligente, o intelectual. Não é não...
 
GCN - Se o senhor for eleito nas eleições de outubro, qual será a primeira medida que tomará depois que tomar posse no ano que vem?
Donizete -
Eu estava com ideia de criar um convênio entre as farmácias, os municípios e o governo federal. Esse projeto funcionaria assim: o convênio daria condição de todas as farmácias do Brasil atender através do cartão SUS. Seria mais ou menos como a Farmácia Popular. Geralmente, a pessoa vai no Janjão, ele chega e é atendida às 11 horas da noite de uma sexta-feira e não tem condição de comprar o medicamento. O que vai acontecer? Ela vai esperar até segunda-feira para buscar esse medicamento na UBS (Unidade Básica de Saúde). Conseguindo esse medicamento só na segunda, ela ficou dois dias sem remédio. O quadro da pessoa vai se agravar, uma gripe vai passar para uma pneumonia, por exemplo. Então, seria um convênio, que através do cartão SUS, todas as pessoas chegariam na farmácia de qualquer local e seriam atendidas com aquele cartão.

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