Superar dificuldades faz parte do dia a dia de Antônio Coelho Berbel, 75, fundador da DCNOVI (Desafio Cristão Nova Vida). Há 25 anos, o voluntário, que também é dono de uma loja de móveis no bairro Cidade Nova, começou a receber em sua casa dependentes químicos à procura de ajuda. Em pouco tempo, o escritório montado anexo à loja ficou pequeno para atender a todos que batiam à sua porta. A obra social - para 25 internos, principalmente moradores de rua alcoólatras - foi então iniciada em um terreno cedido pela Sociedade São Vicente de Paulo, na região do Paiolzinho, entre Franca e Claraval.
Berbel não sabe explicar de onde vem a vontade de ajudar os dependentes químicos, trabalho que executa “na base da fé”. “Não faço nada sozinho”, diz Berbel.
Hoje, enfrenta problemas para levantar dinheiro para manter a casa aberta - recebe apenas R$ 3,6 mil por mês da Prefeitura de Franca - e tem um novo desafio: transformar a entidade que administra em uma unidade de saúde.
De acordo com as mudanças impostas por alterações na legislação do setor, casas como a DCNOVI estão obrigadas a prestar atendimento médico com um clínico geral, um psiquiatra e dois enfermeiros. Se não encontrar profissionais dispostos a doar seu tempo ou outra solução para o problema, Berbel corre o risco de ser multado em R$ 5 mil por dia e ter de fechar a casa.
O assunto tem sido discutido pelo Ministério Público e também pela Prefeitura. “A gente começou a preparar um projeto terapêutico para todas as casas de recuperação de Franca, para que elas trabalhem dentro de um padrão organizado. A diferença será que um terá que completar o trabalho do outro, como uma rede de atendimento”, disse o secretário municipal de Saúde, Alexandre Ferreira.
Colaborou Luiz Neto