Dói, não dói?


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A reclamação é geral. Dores por todo o corpo atingem gente de todas as idades. Exames laboratoriais não apontarem nada. Uma pequena pesquisa dentre amigos basta para constatar.

Médicos procurados por assustados pacientes, tateiam: “é stress; você precisa parar por umas semanas, fazer uma viagem, sentar-se à sombra de um coqueiro sem nada que lembre trabalho”; “é tensão muscular dada vida sedentária; artrose, reumatismo, ácido úrico, osteoporose, tendinite, cãibra, depressão, problemas financeiros, martelada no dedo, caspa de sogra. Ah! Tem também a fibromialgia.


Ouço falar em fibromialgia há muito tempo. Em linguagem popular, pode-se definir como uma desordem orgânica que causa dor muscular e fadiga. Os atingidos – você ai, que me lê, não tem dores “que andam”, hoje estão aqui e amanhã ali? – têm pontos doloridos no corpo, sempre por perto do pescoço, ombros, costas, braços, quadril, pernas. Hein? Em todas as outras partes também? Então tá. No corpo inteiro!
 

Pois é. O bom humor do brasileiro é fabuloso. Companheiros do futebol de outros finais de semana, a maioria já parados diagnosticados com... fibromialgia,  reservaram seus últimos espasmos a correr atrás da bola disputando “caixas de... analgésicos e anti-inflamatórios”. Os bons tempos das disputas por caixas de cerveja já eram.
 

Mas volto às “dores”, como meus pesquisados chamam suas velhas conhecidas. “Luiz. Fui a ortopedista, reumatologista, clínico geral, fisioterapeuta, vários laboratórios diferentes, fiz massagem, massoterapia, yoga, pilates, hidroginástica, acupuntura, usei fitoterapia, alopatia, fiz caminhada, corridinha, perdi peso, deixei de beber, de fumar, de ir a churrascos, de ir dormir tarde, passei a acordar cedo, a beber litros e litros de água e percorri dezenas de outros caminhos, a conselho médico, a conselho de minha mulher, a conselho de meus amigos especialistas em dores iguais às minhas”, disseram-me.


À minha ansiosa pergunta “e ai?”, eles: “e ai, nada. Nada não. Piorou. Perdi o ânimo. Perdi os amigos do futebol. Perdi até minha mulher quando ousei dizer “não” quando ela queria e eu estava com dores nas unhas, em cada fio de cabelo e no pino da grampola da requenguela e ela, sem dor (quem sabe ai me entendesse) nem piedade, me botou para correr. E, suprema ironia, eu nem tinha, naquele fatídico momento, dor de “cabeça”. (Desculpem-me a ousadia. Não resisti, já que hoje se debate em todos os cantos o conto de Ignácio de Loyola Brandão, Obscenidades para uma dona de casa, escolhido pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo para livro “didático” distribuído a adolescentes nas escolas públicas).


Parece que hoje, tudo o que doi sem explicação, é fibromialgia. A conta de medicações dispara nas farmácias. Como os médicos não sabem do que se trata de verdade – e estão perdoados, porque acho que ninguém mesmo, nem ETs sabem do que se trata – as prescrições medicamentosas variam muito. Tenho amigos que já podem pensar em abrir concorrência a farmácias porque, devagar, estão formando outras, em casa.
 

Bem. Se alguém souber algo que dê realmente certo contra a fibromialgia, mande-me um e-mail. Minhas centenas de amigas e amigos doloridos vão agradecer. Eu, particularmente, também um “sujeito normal” porque tenho “dores”, se conseguir melhorar, penso em voltar a jogar como zagueiro e ajudar a Francana a chegar às finais da Série A-3 e, quem sabe, até Tóquio. Quando não doi, a gente vira menino, de novo.

 

ALARME DE SEGURANÇA
Dica de segurança, enviado por um instalador de alarmes de carro: mantenha-se sempre perto do controle remoto do alarme de seu carro depois de estacioná-lo à noite, em sua garagem. Se houver um problema de quebra de segurança em sua casa, utilize o controle e faça o alarme disparar. Combine estratégias com seus vizinhos. Gente mal intencionada não gosta de barulho.

CIDADANIA
Foi uma prosa rápida a que tive com um entregador de gás, o Luís Alves da Silva Júnior, mas não posso deixar de registrar. A porta de minha casa estava coalhada de santinhos e “santões” políticos. Comentei. Luís não pensou duas vezes: “o brasileiro tem que comer é capim, já que não consegue escolher com inteligência seus representantes políticos”. Olhando para a papelada, emendou: “é o dinheiro da gente que está jogado ai”. Luís se foi. Nem esticamos, para falar sobre a pretensão de financiamento público para as campanhas. Tivéssemos, certamente teria comentado: “vamos pagar dobrado, comedores de capim que somos...”. Ainda há vida inteligente por ai. O problema é reunir, para concentrar a insatisfação...
 
 
Luiz Neto
Jornalista, editor de Opinião do Comércio - luizneto@comerciodafranca.com.br

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